06/10/2025
Capítulo 4 — As Correntes do Porto
“Aqui tudo chega, e muito do que chega... nunca sai.”
Velve amanhecia envolta em névoa densa e sal. O cheiro do mar no Porto Cinzento era quase insuportável — peixe apodrecido, óleo diesel, ferrugem, e algo mais... algo mais velho que o oceano.
O porto era uma cicatriz viva. Contêineres empilhados como caixões modernos, guindastes imóveis como esqueletos de titãs esquecidos. Operários andavam com os olhos baixos, mãos enluvadas e bocas caladas. Ninguém ali fazia perguntas. Quem perguntava... desaparecia.
Sherlock e Marcus caminhavam entre os galpões, silenciosos. Ambos sabiam que estavam entrando em território controlado. A máfia dos transportes, os cartéis e os cultos — todos operavam ali, sob a fachada de "importação e exportação".
Mas naquele dia, não era só o crime organizado que mandava no lugar.
Era o medo.
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O Navio Fantasma
No cais 17, encontraram o que vieram procurar: um cargueiro chamado Belladona Azul, dado como afundado cinco anos atrás — e que agora flutuava como se nunca tivesse saído dali. Sem tripulação. Sem tripulação viva, ao menos.
Sherlock olhava para o casco corroído.
— Foi este navio que trouxe o primeiro artefato para Velve. Segundo o livro... aqui foi onde tudo começou a se abrir.
— E agora ele voltou — disse Marcus, empunhando a lanterna. — Ou foi trazido de volta.
Subiram a bordo.
O convés estava coberto de algas mortas e cordas emboladas como vísceras. Nada se movia, mas tudo parecia respirar. As portas para os compartimentos inferiores estavam abertas. Um fedor insuportável vinha de lá.
— Você vai mesmo descer? — perguntou Marcus.
Sherlock apenas acenou com a cabeça e começou a descer a escada.
—O Porão
O porão do navio era um corredor estreito, escuro como um túmulo molhado. Paredes úmidas, ganchos pendurados no teto, contêineres com símbolos estranhos queimados na lataria. Um deles estava entreaberto.
Marcus iluminou lá dentro. E recuou.
— Meu Deus...
Continua..
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