03/24/2022
Há uns 8 a 9 anos, comecei a TRETAR pelo FB, com gente pessoalmente conhecida de mais de 30 anos. O que faz com que pessoas que tinham afinidade e boa vontade resolvam arruinar este "valor universal", o da "amizade"...?
Dizem que a ruina do almoço de domingo com a família é trazer os assuntos "religião, futebol ou política" pra mesa. Nas midias sociais, parece que a expressão do ser é "ter opinião". O território neutro da mesa da família parece que não foi assumido pelos seres feicebookianos. Paradoxo como possa parecer, a "expressão do ser" parece se aglutinar ao redor de tendencias, digamos que, "coletivas". Particularmente generalizadores e quando entram no tema da política.
Volta para o meu caso. Daí, cada e todo amigo (mundo físico, nada virtual) e eu também, nutrindo simpatias anti-governo militar de desde 64, simpatias pela preocupação social, pela ecologia, pela "esquerda". Todo e cada um arregaçam a manga para existir nesse novo planeta, universo, seiláh (p***a), na forma de entidade opinionadora.
Acho que não era bem isso que minha mãe queria pro meu futuro, mas vá lá. Entram os militantes com uma enxurrada de frases lapidares, memes, lacres, e fundamentalmente, "propaganda". Propaganda é de guerra, é bom que se diga - diferente de publicidade, marketing, promoção ou venda. Propaganda é uma coisa que eu não tolero. Propaganda é Goebbels. Propaganda é angariar carne pra entuchar no canhão. Propaganda é rede de arrastão pra id**ta útil.
Entram os revolucionários virtuais. REVOLUCIONÁRIOS sempre afirmam querer um "mundo mais justo", porque o sistema vigente oprime "coitados". Seja lá o que o sistema vigente seja. Bem, que revolução é diferente de evolução, já dizia o John Lennon.
Ser contra "tudo isto que está aí", ou a negação da sociedade, começar tudo do zero não é mais nem menos que espírito destrutivo, forma de ódio disfarçado em "amor pelos oprimidos".
Também pode ser falta de visão prática sobre como REALMENTE contribuir para com a sociedade.
Os arrazoados dos teóricos materialistas ocultam a questão real, que é a dos jogos de poder. De onde veio isso? As teorias materialistas da "economia política" surgiram como resposta à revolução industrial, que promoveu um salto qualitativo no crescimento econômico e ao mesmo tempo um salto qualitativo no poder econômico.
A sociedade sempre foi subordinada ao poder político. Embora historicamente sempre tenham havido homens poderosos - a revolução industrial colocou no cenário das sociedades uma ameaça à hegemonia do poder político. Ou pelo menos os estadistas começaram a ver e sentir desta forma. Um fulano que tinha essa visão bem clara era D.João VI - o vassalo é contra? - Dêem-lhe um cargo público.
Se em tempos antigos um homem poderoso tinha ainda que ter a simpatia do rei se quisesse exercer qualquer forma de poder, modernamente o poder político tem passado a negociar (nem sempre de forma lícita) com o poder econômico. Este é um quadro intolerável para um déspota. Os déspotas são inimigos do empreendedorismo. "Empreendedor" é eufemismo de "pirata", dizia o rei da Inglaterra. (hoje já não são os reis que praticam essa definição).
Meus "amigos" virtuais esquerdistas não tem a mais neve loção desse arrazoado. E, não é à toa que em todos os países onde o discurso do materialismo dialético prevaleceu, à guisa de proteger os oprimidos, acabaram se tornando regimes totalitários realmente opressores. E "me falam" em consciência histórica, infelizes.
Abusos de poder, político e/ou econômico existiram e existirão, praticados por pessoas que os exercem. Mas há uma diferença fundamental entre os sistemas econômico e politico no quesito da opressão social se e quando presente:
(1) No caso do poder econômico, por pessoas que acumularam riqueza ou pessoas que detém meios produtivos - não se pode realmente imputar ao sistema a culpabilidade pela existência de opressão social, já que a possibilidade de iniciativa é aberta e a quantidade de investidores é muito grande.
O poder econômico é muito distribuído nos países com liberdade de iniciativa empresarial, o suficiente para refutar os argumentos revolucionários.
(2) No caso do poder político, o déspota (ou a oligarquia) terá neutralizado qualquer poder dissidente, caracterizando um sistema realmente opressor, pela própria característica de neutralizar dissidências.
O discurso revolucionário por um "mundo mais justo", fundamentado nas teorias do materialismo oculta a questão real dos jogos de poder. Os únicos beneficiados pela ampliação do poder politico sobre o poder econômico são os aspirantes ao despotismo.
Neste cenário, quem adota o discurso "coitadista" e revolucionário, ou é um populista mal intencionado, ou é um inocente útil sem visão prática de como contribuir positivamente para com a sociedade.