Tainah Photography

Tainah Photography Brazilian photographer living in Madrid �

só pra manter o feed funcionando durante as férias 🫰😬
05/01/2026

só pra manter o feed funcionando durante as férias 🫰😬

04/22/2026

O caso da Amazon não foi um bug. Foi um reflexo.

A Reuters revelou em 2018 que a ferramenta havia sido treinada com dez anos de dados internos de contratação, num período em que a maioria dos contratados para cargos técnicos era homem. A IA aprendeu o padrão. Penalizou currículos com a palavra "mulheres". Desvalorizou formandas de faculdades femininas. Favoreceu verbos associados a perfis masculinos, como "executou" e "capturou".

O relatório "Women for Ethical AI" da UNESCO (2024) mostra o contexto mais amplo: apenas 30% dos profissionais do setor de IA são mulheres. Entre pesquisadores de IA, esse número cai para 12%. Quando a maioria das pessoas construindo essas ferramentas tem o mesmo perfil, os pontos cegos ficam invisíveis para quem está na sala.

Há um recorte dentro disso que precisa ser nomeado.

Em 2018, Joy Buolamwini e Timnit Gebru, pesquisadoras do MIT Media Lab, publicaram o estudo "Gender Shades" analisando algoritmos de reconhecimento facial de três grandes empresas de tecnologia. A taxa de erro para homens de pele clara era de 0,8%. Para mulheres negras, chegava a 34,7%.

O Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos EUA (NIST) analisou 189 algoritmos e confirmou: a maioria apresentava desempenho consistentemente inferior para mulheres negras em comparação a qualquer outro grupo demográfico testado.

Uma ferramenta construída sem a perspectiva de quem ela vai afetar não é neutra. É incompleta.

E por isso meu convite para que mulheres se integrem nessa conversa.

No workshop de 5 de maio em Fortaleza, a gente parte daqui. Link na bio.

Fontes: Reuters / Jeffrey Dastin, 2018. UNESCO, "Women for Ethical AI", 2024. Buolamwini & Gebru, "Gender Shades", MIT Media Lab, 2018. NIST, 2019.

fotógrafa brasileira | IA para mulheres | fotografia para mulheres

04/21/2026

Eu costumava acreditar que minha carreira não linear era um problema.
Mudar de direção tem um custo real, no mercado, na narrativa, na forma como os outros te leem.
Mas depois de ter trabalhado muito e vivido coisas muito distintas, cheguei em outro ponto: o maior problema de uma carreira não linear quase nunca é a carreira em si.
É não ter ao seu redor pessoas que te enxerguem integralmente. Que consigam mapear o que você sabe fazer sem precisar encaixar tudo numa caixinha. Que sejam abertas ao múltiplo.
Talento plural existe. O que falta, em muitos casos, é ter mulheres ao teu redor que saibam reconhecer e valorizar isso.
📍 Madrid

04/16/2026

O estudo citado no vídeo é: UNESCO, “Cracking the Code: Girls’ and Women’s Education in Science, Technology, Engineering and Mathematics”, atualizado com dados de 2024 sobre viés em modelos de linguagem. Disponível em unesco.org.
Um segundo dado que confirma o argumento: um estudo da Berkeley Haas Center for Equity, Gender and Leadership analisou 133 sistemas de IA em diferentes setores e encontrou que 44% deles apresentavam viés de gênero, e 25% apresentavam viés de gênero e racial ao mesmo tempo.
E um terceiro, da Deloitte em 2024: a maioria dos profissionais que trabalham com IA acredita que a tecnologia continuará produzindo resultados enviesados enquanto o campo seguir sendo majoritariamente masculino.
O viés não é um bug. É uma consequência direta de quem está na sala quando as decisões são tomadas. De quem escolhe quais dados importam. De quem define o que é “normal” o suficiente para virar referência.
Menos de 30% das pessoas que desenvolvem IA no mundo são mulheres. Isso significa que a tecnologia que está sendo construída para todo mundo está sendo construída com a perspectiva de uma minoria.
E essa tecnologia já está decidindo currículo aprovado ou não. Crédito concedido ou não. Diagnóstico médico considerado ou não.
Por isso estar dentro dessa conversa não é opcional. É entender o suficiente para legislar, para se orientar no mercado de trabalho e para orientar nossos filhos no mundo que está sendo construído agora.
Se você quer começar por aqui, no dia 05 de maio eu faço um workshop presencial de IA para mulheres em Fortaleza. Prático, direto, para quem quer usar e entender essas ferramentas de dentro. Link na bio.
📍 Fortaleza

04/07/2026

ela descobriu do que o universo é feito. e foi convencida a escrever que estava errada.

Cecilia Payne. Inglaterra, 1900. Criada pela mãe depois de perder o pai aos quatro anos. Em Cambridge, única mulher em física, sem direito a diploma. Foi para Harvard e, com 25 anos, descobriu que o universo é feito quase completamente de hidrogênio e hélio. Por um breve momento, ela foi a única pessoa no mundo a saber disso.

O astrônomo mais influente da América leu sua tese e disse que era "claramente impossível." Cecilia sabia o que estava em jogo. Então escreveu, na própria tese, que seus dados eram "quase certamente não reais."

Quatro anos depois, esse mesmo homem chegou à mesma conclusão. Publicou. Recebeu o crédito por décadas. Cecilia continuou: livros, centenas de artigos, mais de um milhão de observações. Sem cargo formal. Com salário abaixo dos colegas. Por anos assim.

Em 1954, um novo diretor chegou e dobrou o salário dela. Foi ele quem a nomeou professora titular, a primeira mulher nesse cargo em Harvard. Não foi o sistema que se corrigiu. Foi um homem que quis agir.

Em 2022, um estudo publicado na Nature mostrou que mulheres são 13% menos propensas a receber crédito em artigos científicos e 58% menos em patentes. O padrão que silenciou Cecilia ainda tem dados, cem anos depois.

https://doi.org/10.1038/s41586-022-04966-w

O reconhecimento dela dependeu da bondade de um homem, não de uma estrutura que funcionou. Você está esperando permissão de alguém para ocupar o espaço que já é seu?

Me conta nos comentários.

Segue para não perder o último episódio. ↓

04/01/2026

Roteiro pronto, luz boa, ângulo certo. E a foto saiu sem graça mesmo assim.
Porque faltou uma coisa antes de tudo isso: intenção no set.
Conteúdo real funciona. Mas “real” não é sinônimo de improvisado. É saber o que você quer transmitir e montar o ambiente para isso antes de apertar o botão.
O que está no fundo fala. O que você veste fala. O que está na mesa fala. Tudo na imagem comunica, mesmo que você não tenha planejado.
A diferença entre uma foto profissional e uma foto de celular qualquer raramente está no equipamento. Está em quem pensou antes de fotografar.

Salva esse vídeo se você tá tentando melhorar suas fotos com o celular.
📍 Madrid

03/26/2026

Ela pintou por 10 anos enquanto o marido assinava as telas. E o mundo inteiro aplaudia ele.

Margaret Keane nasceu em Nashville em 1927 e pintava desde criança. Tinha um estilo completamente único, crianças com olhos enormes cheios de emoção que pareciam te puxar pra dentro da tela. Quando se casou com Walter Keane nos anos 50, ele começou a vender as obras dela como se fossem suas. As pinturas foram parar na ONU, na Feira Mundial de Nova York, nas casas de celebridades. Andy Warhol elogiava publicamente. Joan Crawford colecionava. Walter virou milionário e famoso. Margaret ficava em casa pintando mais, em silêncio, com medo dele.

Só em 1970, já divorciada, ela revelou a verdade numa rádio ao vivo. Walter continuou negando. Durante 16 anos o caso se arrastou nos tribunais.

Então veio 1986.

O juiz teve uma ideia: ordenou que os dois pintassem ao vivo na sala do tribunal. Quem fosse o verdadeiro artista provaria na hora. Walter alegou dor no ombro. Não pintou nada. Margaret pegou o pincel e em 53 minutos entregou uma tela completa. A pintura virou o Exhibit 224, prova número 224 do processo. O júri concedeu 4 milhões de dólares a ela.

Mas isso não é só história antiga.

Um estudo publicado em 2024 no Journal of Applied Psychology analisou 753 amostras independentes com mais de 265 mil pessoas e chegou a uma conclusão que dói: quando avaliadores sabem o gênero de quem criou algo, homens são sistematicamente considerados mais criativos que mulheres, mesmo com trabalhos idênticos. Quando o gênero é ocultado, a diferença desaparece completamente. O problema nunca foi o talento. Foi sempre quem recebe o crédito.

O link do estudo está nos comentários: https://doi.org/10.1037/apl0001205

Margaret não esperou o mundo acreditar nela. Ela provou com um pincel na mão, ao vivo, num tribunal. E você? Ainda está esperando permissão pra mostrar o que cria?

Me conta nos comentários.

Segue pra não perder o próximo episódio, semana que vem tem mais uma arquivada que você precisa conhecer.

03/25/2026

Na segunda a gente fez um Workshop com sala lotada num dos espaços mais bonitos de Madrid, a Galería Canalejas, e saí de lá com o coração cheio.
IA Aplicada: Estratégia e Ação para Mulheres nasceu de uma vontade real, trazer inteligência artificial para mulheres de um jeito que faça sentido pra nossa vida. Não o hype, não o medo. Ferramentas práticas pra quem tem negócio, tem pouco tempo e precisa de resultado.
Mas não foi só isso. A gente também parou pra conversar sobre o que muita gente evita: como a IA afeta nosso trabalho, nossa autonomia, nossos direitos. Como se proteger. Como usar com consciência. Porque empoderamento digital de verdade passa por entender a tecnologia, não só usá-la.
As trocas foram reais. E saímos de lá com mais clareza e mais ferramentas do que chegamos.
Nada disso teria acontecido sem a Aline, do grupo Aliadas, que organizou tudo com cuidado e dedicação. Obrigada, luhringg , por acreditar nesse projeto e fazer acontecer.
E claro, esse trabalho só existe porque eu e encontramos uma sintonia rara. Parceria que vira amizade, amizade que vira trabalho, trabalho que vira impacto. Obrigada, Myrtna.
Um agradecimento especial à pelas imagens lindas que registraram cada momento desse dia.
A próxima edição presencial tá chegando. E a versão online também vai ter lista de espera em breve.
Se você quer entender como a inteligência artificial pode trabalhar a seu favor, comenta aqui ou me manda mensagem. 👇

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