Enquadro do dia

Enquadro do dia uma página despretensiosa, de uma apaixonada por pintura, com o objetivo de contar algumas históri Espero que vocês curtam

Oi, eu sou a Amanda, (quase) administradora, mas também aquela pessoa (chata?) que sempre que viaja, procura os museus da cidade pra conhecer, e, vai em exposição de arte mesmo quando é na capela da faculdade. O propósito dessa página é compartilhar um quadro com vocês por dia (ou quando eu lembrar ou quando eu me inspirar) e contar um pouco da história dele e/ou do contexto em que foi realizado.

Ophelia - John Everett Millais 1851-2 (óleo sobre tela, 76,2 x 111,8 cm)Millais fazia parte da Irmandade Pré-Rafaelita, ...
09/24/2017

Ophelia - John Everett Millais
1851-2 (óleo sobre tela, 76,2 x 111,8 cm)

Millais fazia parte da Irmandade Pré-Rafaelita, grupo artístico que buscava, devolver à arte, a pureza e virtude que considerava existir antes de Rafael, um artista que influenciou fortemente o neoclassicismo (arte acadêmica). Para eles, a arte não devia seguir regras, mas a beleza poética, a alma e espiritualidade.
Esse quadro retrata uma cena muito famosa de Shakespeare: a morte de Ofélia, que enlouqueceu após descobrir que Hamlet, havia matado seu pai. Vamos ler o trecho?

"Há um salgueiro que cresce inclinado no riacho
Refletindo suas folhas de prata no espelho das águas
Ela foi até lá com estranhas grinaldas
De botões-de-ouro, urtigas, margaridas
E compridas orquídeas encarnadas
Que nossas castas donzelas chamam dedos de defuntos
E que os pastores, vulgares, dão nome mais grosseiro.
Quando ela tentava subir nos galhos inclinados,
Para aí pendurar as coroas de flores,
Um ramo invejoso se quebrou;
Ela e seus troféus floridos, ambos,
Despencaram juntos no arroio soluçante
Suas roupas inflaram e, como sereia,
A mantiveram boiando um certo tempo;
Enquanto isso ela cantava fragmentos de velhas canções,
Inconsciente da própria desgraça
Como criatura nativa desse meio,
Criada para viver nesse elemento.
Mas não demoraria para que suas roupas,
Pesadas pela água que a encharcava
Arrastassem a infortunada do seu canto suave
À morte lamacenta."

Nighthawks (Gaviões da noite) - Edward Hopper1942 (óleo sobre tela, 84,1 x 152,4 cm)Existe um café aberto durante a noit...
09/22/2017

Nighthawks (Gaviões da noite) - Edward Hopper
1942 (óleo sobre tela, 84,1 x 152,4 cm)

Existe um café aberto durante a noite. Pessoas dentro desse café. Uma rua deserta do lado de fora. Hopper foi um pintor americano que costumava pintar a solidão nos novos espaços urbanos. Esse quadro começou a ser pintado após o episódio no Pearl Harbor, durante a 2ª Guerra Mundial, quando o sentimento era de incerteza e tristeza nos Estados Unidos.

Podemos notar a contradição existente e demonstrada entre o lado de dentro e de fora do café, retratando um senso de isolamento, alienação. Dentro do café, a vida continua; as pessoas, mesmo que inertes, estão sob uma luz forte, as roupas são de tons intensos, em contraste com a escuridão e ausência de vida na rua. Também podemos reparar que o café não tem portas! Mais uma vez, a noção de isolamento, alienação se demonstra.
E as pessoas? Vemos uma mulher ao lado de um homem e os dois de frente para outro cliente. Ao mesmo tempo, um garçom que pode estar olhando para qualquer um deles. Porém, não há nenhuma indicação de contato ou relacionamento entre ninguém.
Hopper quis demonstrar a alienação, não só de uma pessoa em relação à outra, mas de todos em relação ao mundo exterior, evocando a solidão, inerente a todo o ser humano.
Mas no fim das contas, não estamos todos sozinhos?

Sugestão do Marcelo =)
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O Talismã - Paul Sérusier1888 (óleo sobre madeira, 27 x 21 cm)Esse quadro, à primeira vista, é apenas um monte de pincel...
09/06/2017

O Talismã - Paul Sérusier
1888 (óleo sobre madeira, 27 x 21 cm)

Esse quadro, à primeira vista, é apenas um monte de pincelada de cor chapada e difusa. Mas e se eu te disser que há aí: um rio, cujas águas refletem uma floresta de faias amarelas e uma casa de moinho azul, você vê?
Paul Sérusier pintou esse quadro sob a supervisão de Paul Gauguin, muito conhecido pelo uso da cor, e foi esse quadro que inspirou o surgimento do grupo Les Nabis, "Os profetas", formado por Sérusier, Vuillard, Denis, Bonnard e outros artistas, pois procuravam ser "profetas" de uma nova arte, com uso de cor, de sentimentos e em uma concepção decorativa, contrapondo-se em tudo que a arte clássica e acadêmica trazia.
Esse quadro surgiu de um diálogo, em que Gauguin disse a Sérusier: "Como você vê essas árvores? Elas são amarelas. Então, coloque-as em amarelo!"
O grupo Les Nabis foi um dos precursores do fauvismo, aquele movimento do qual Matisse fez parte e nos brindou com seu quadro "A dança ", já enquadrado aqui.

A persistência da memória - Salvador Dalí1931 (óleo sobre bronze, 24 x 33 cm)Você já viu esse quadro! Mas o que VÊ nele?...
09/05/2017

A persistência da memória - Salvador Dalí
1931 (óleo sobre bronze, 24 x 33 cm)

Você já viu esse quadro! Mas o que VÊ nele? Três relógios, que marcam horários diferentes, derretendo. Um sobre uma árvore seca, outro sobre uma superfície plana e o último, sobre uma figura humana retorcida com os olhos fechados, representação do sonho ou persistência do tempo aos olhos de quem dorme - e também um auto-retrato de Dalí. Ao fundo da imagem, sem nenhuma distorção, uma paisagem de Barcelona, lugar onde ele viveu. As únicas formas de vida nesse quadro são a mosca, em cima do primeiro relógio à esquerda, e as formigas, em cima do relógio laranja, no primeiro plano, canto esquerdo. Dalí odiava formigas e as representava como símbolo da putrefação, a que a mosca é comumente relacionada.
Pensando nos elementos principais desse quadro: relógios que derretem, um homem que dorme, insetos que representam a putrefação, decadência; que conclusões podemos tirar dos desejos de interpretação de Dalí a respeito de "A persistência da memória"?

O que o tempo, a decadência, o sono e a memória têm em comum, para você?

Como a esposa de Dalí disse: "ninguém pode esquecer dessa obra, uma vez vista".

Por indicação da Rafaela Bail. Quer ver um quadro aqui? Comente ;)

O divã - Toulouse Lautrec1893 (Óleo com essência sobre cartão, 54 x 69 cm)Cortesãs sentadas na antesala de um bo**el em ...
08/26/2017

O divã - Toulouse Lautrec
1893 (Óleo com essência sobre cartão, 54 x 69 cm)

Cortesãs sentadas na antesala de um bo**el em Rue des Moulins, com olhar entediado, esperando clientes. Suas expressões não causam qualquer glamour e desejo, mas são a sensação de cansaço diante da vida de luxúria e das noites parisienses.
A cor vermelha, do quadro, retratava, de acordo com Toulouse, "paixão, desespero, s**o e sangue". Lautrec retratou inúmeras cenas da noite parisiense, trazendo um olhar diferente em relação à vida dessas mulheres, considerando-as seres completos, não apenas objetos de desejo.

Essa e outras obras de Toulouse estão expostas no MASP até 01/10, na exposição Em vermelho.

Dança da vida - Edvard Munch1899 (óleo sobre tela, 125 x 191 cm)Uma dança tem início, movimento e fim. Quando Munch pint...
08/25/2017

Dança da vida - Edvard Munch
1899 (óleo sobre tela, 125 x 191 cm)

Uma dança tem início, movimento e fim. Quando Munch pintou a Dança da vida, ele queria representar exatamente esse desenrolar, usando no quadro, a mulher. No canto esquerdo, temos uma mulher com feição feliz, vestida de branco - o início. Ela representa a inocência e a esperança. Sua postura, mãos abertas mostram uma abertura ao que a vida pode trazer. No meio, um casal dançando abraçado. A mulher de vermelho, cor que, na arte, representa a sexualidade, a paixão e a culpa. Aqui, a vida em seu auge: depois do conhecimento e da experiência. Mas, repare nos rostos do casal. Meio cadavérico, né? Munch, sempre muito lúcido quanto à natureza humana, quis retratar a contradição entre a vida e a morte. Uma lembrança constante do fim que nos aguarda. No canto, como a derradeira face da vida, a mulher de preto. A morte. Semblante fechado. Já não é aberta ao novo, viveu demais e sabe que tudo é v***r. Fim da música.

Trem blindado em ação - Gino Severini1915 (óleo sobre tela, 115,8 x 88,5 cm)Com formas geométricas, cores vivas e a impr...
08/24/2017

Trem blindado em ação - Gino Severini
1915 (óleo sobre tela, 115,8 x 88,5 cm)

Com formas geométricas, cores vivas e a impressão de movimento, esse quadro, pintado no ano em que a Itália entrou na 1ª Guerra, retrata cinco pessoas, sem rosto, ameaçadoras, agachadas em uma locomotiva, atirando juntas. O quadro foi pintado de um ponto de vista aéreo, o que fortalece a ideia de Severino como observador. Severini não lutou na guerra, porém, como os outros futuristas, acreditava que "a guerra é um motor para a arte" e se deslumbrava com a mecanização presente nela. Nota-se o movimento do trem na divisão dos planos de cor (azul, verde e vermelho) que exemplifica o estilo cubista da obra, retratando várias perspectivas ao mesmo tempo.

Mulata - Alfredo Volpi1927 (óleo sobre tela, 59,6 x 50 cm)Alfredo Volpi nasceu na Itália, mas se considerava um pintor b...
08/24/2017

Mulata - Alfredo Volpi
1927 (óleo sobre tela, 59,6 x 50 cm)

Alfredo Volpi nasceu na Itália, mas se considerava um pintor brasileiro, pois chegou ao Brasil com um ano de idade.
O quadro é um dos primeiros a possuir referências modernistas. A impressão é de que Volpi retratou a mulher enquanto ela se virava, bruscamente. Dizem que a mulher que posa para esse quadro é Judite, o grande amor de sua vida, com quem foi casado por quase 30 anos, quando ela morreu, em 1972.
Foi um homem bem simples, mas provavelmente você já viu um quadro dele por aí. Não se lembra? Nem de um quadro de bandeirinhas? :) Volpi pintou vários, mas dizia que quem pintava bandeirinhas era seu amigo Fulvio Penacchi. Ele pintava apenas formas e cores.

"Sempre pintei o que senti, a minha pintura aos poucos foi se transformando, começa com a natureza, depois aos poucos vai saindo fora, às vezes continua, eu nunca penso no que estou fazendo. Penso só no problema da linha, da forma, da cor. Nada mais..." Alfredo Volpi

O grito - Edvard Munch 1893 (óleo sobre cartão, 93 x 75,5 cm)Um homem, atormentado, desesperado, que não vê na paisagem,...
08/22/2017

O grito - Edvard Munch
1893 (óleo sobre cartão, 93 x 75,5 cm)

Um homem, atormentado, desesperado, que não vê na paisagem, nada além de sua dor. Em contrapartida, dois amigos, com sentimentos sólidos, como a ponte em que todos estão. Esse é o grande contraste de O grito. Há outros: as linhas curvas do art noveau representando a ansiedade versus as linhas retas representando a lucidez; as cores quentes do exterior versus as cores frias no personagem central.
Esse quadro tornou Munch um dos precursores do expressionismo e faz parte de uma série chamada O friso da vida, que possui quadros que retratam o amor, a ansiedade, o pânico. Munch foi marcado pela perturbação mental durante sua vida e suas telas são um reflexo disso.
O poema abaixo foi escrito por Munch e retrata a experiência que o inspirou a pintar O grito.

"Passeava com dois amigos ao pôr do sol quando
o céu ficou de súbito vermelho-sangue.
Eu parei, exausto, e inclinei-me sobre a vedação.
Havia sangue e línguas de fogo
sobre o azul-escuro do fiorde e sobre a cidade.
Os meus amigos continuaram,
mas eu fiquei ali a tremer de ansiedade
e senti o grito infinito da Natureza."
Edvard Munch

Chá da tarde (Afternoon tea) - Marie Bracquemond1880 (óleo sobre tela, 81,5 x 61,5 cm)Essa obra retrata a irmã da artist...
08/19/2017

Chá da tarde (Afternoon tea) - Marie Bracquemond
1880 (óleo sobre tela, 81,5 x 61,5 cm)

Essa obra retrata a irmã da artista, Louise, lendo um livro com uma xícara e uvas na mesa, num chá da tarde. Marie começava, nessa época, a utilizar a pincelada mais solta e cores mais melancólicas, características do impressionismo, estilo pelo qual ficou conhecida, após conhecer Degas e Monet.
Chá da tarde é um exemplo das pinturas que Marie costumava pintar: cenas domésticas, paisagens, retratos e naturezas-mortas. Não por gosto pessoal, mas porque as mulheres tinham pouquíssimo espaço na arte nesse período (foi no Impressionismo que os primeiros nomes femininos surgem na arte - Mary Cassatt, Berthe Morisot, Eva Gonzalès; não sem resistência).
Marie foi aluna de Ingres, o pintor do "enquadro" de ontem, e falou que "ele duvida da coragem e perseverança de uma mulher na pintura. Ele nos dá apenas pinturas de flores, de frutas, de natureza morta, retratos e generalidades". Além disso, foi casada com um pintor que não gostava do Impressionismo e criticava constantemente seus quadros, o que a levou a desistir de pintar 26 anos antes de morrer.
Conheça e valorize mulheres na arte!

Cristo abençoador - Jean Auguste Dominique Ingres1834 (óleo sobre tela, 80 x 66 cm)Cristo Abençoador, além de remontar à...
08/19/2017

Cristo abençoador - Jean Auguste Dominique Ingres
1834 (óleo sobre tela, 80 x 66 cm)

Cristo Abençoador, além de remontar à uma narrativa bíblica, muito comum nas obras neoclássicas francesas, traz o Cristo com as mãos abertas e voltadas para cima, da mesma maneira como era retratado nos primórdios do cristianismo, no momento em que ensinava a orar o Pai Nosso.
Ingres foi aluno de Jacques Louis David e desde o início foi um artista muito requisitado, principalmente para fazer retratos. Passou 14 anos na Itália e quando retornou à França, consagrou-se como o maior artista francês. É um dos maiores nomes do neoclassicismo e se considerava um dos guardiões da arte acadêmica, um conservador da boa doutrina.

Essa quadro está no MASP, em São Paulo, junto com o quadro "A virgem do véu azul", também do Ingres (disponível em: http://masp.art.br/masp2010/acervo_detalheobra.php?id=218). Vale uma visita!

A dança - Henri Matisse1909 (óleo sobre tela, 260 x 389 cm) Fauve! Selvagem! Esse foi um dos nomes usados para referir-s...
08/17/2017

A dança - Henri Matisse
1909 (óleo sobre tela, 260 x 389 cm)

Fauve! Selvagem! Esse foi um dos nomes usados para referir-se à obra de Matisse. Apesar do tom pejorativo, ele e outros artistas logo se nomearam fauvistas, pois buscavam "uma arte do equilíbrio, da pureza e da serenidade, destituída de temas perturbadores ou deprimentes". Seus quadros são alegres, de formas simples, cores fortes e chapadas, pinceladas largas e contornos grotescos, buscando traduzir sensações elementares, inocentes e selvagens.
Esse quadro expressa isso. Expressa a alegria: por meio de cinco dançarinos que não se importam com a sua presença, tão próxima deles; a despreocupação: não é possível saber o que o fundo representa, o quadro demonstra profundidade mas parece plano ao mesmo tempo; e movimento: por meio das mãos separadas dos dois dançarinos que estão mais próximos de nós, porém não quebram a continuidade da cor, e, além disso... você consegue imaginá-los dançando na sua frente?
Uma noite "fauve" pra vocês.

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