25/01/2025
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"𝐍𝐀 𝐈𝐋𝐇𝐀 𝐃𝐀 𝐏𝐄𝐍𝐂𝐀 𝐇𝐀́ 𝐌𝐔𝐋𝐇𝐄𝐑𝐄𝐒 𝐃𝐄 𝐔𝐌𝐀 𝐂𝐀𝐍𝐀" de 𝑨𝙣𝒕𝙤́𝒏𝙞𝒂 𝑳𝙖𝒃𝙖𝒓𝙚𝒅𝙖𝒔
Inauguração da Exposição
𝗦𝗮́𝗯𝗮𝗱𝗼, 𝟮𝟱 𝗱𝗲 𝗷𝗮𝗻𝗲𝗶𝗿𝗼 𝗮́𝘀 𝟮𝟭:𝟯𝟬H
na casa d'artes e ofícios.
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Sobre o projeto:
A Terra acolhe e apaga as marcas que fazemos, dedica-se infatigavelmente a criar floresta, território onde só os índios sabiam habitar. Para as mulheres de uma cana a Terra nunca é um recurso, nunca está disponível para uma apropriação. Exige ser outra, não se dá a quem a espreme como um limão. São cada vez menos os lugares bravios onde se esconde o selvagem. A cultura não começou por se arrancar tão ferozmente do mundo natural, crescia na confiança, num jogo de saberes e esperanças, de pactos subtis, numa harmonia que rompia apenas onde frutificava.
Mulheres de uma cana, são mulheres que carregam a marca dos ciclos, que se movem, que acompanham a mutação telúrica, a sua violência deslumbrante, a energia que atravessa os diferentes reinos. Mulheres que no seu ventre recriam a aventura da vida, como escreveu Ushio Amagatsu, na sua fundação o indivíduo repete a evolução de toda a espécie, passando em semanas de um peixe a um réptil, até sair das águas como a vida fez em milhões de anos.
Submetida a uma violação constante, a Terra guarda ainda refúgios onde se reconhece a casa dos mistérios, a existência que nos ultrapassa e se compõe num mundo por decifrar. Um lameiro de javalis é um lugar fora dos caminhos batidos, para o encontrar é preciso gostar de se perder, de se arriscar pelos trilhos que escapam à cartografia. Por vezes, nos arredores das povoações conseguimos ler as linhas da mão da Terra. O barro calcado, remexido, fossado pelos javalis entra no atelier como uma dádiva de um desejo silvestre.
Texto de Ricardo Norte
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Sobre a artista:
Antónia Labaredas, Évora 1979, licenciada em Design Industrial pela Escola Superior de Arte e Design das Caldas da Rainha (ESAD), curso que frequentou entre 1997 e 2004. Na primeira década de 2000 fez parte do coletivo Motor, onde apresentou performances musicais das quais se destaca a peça “Bacanízio”, assim como do coletivo MIO- movimento independente do oeste, “Celebração das Caldas às Caldas”. A partir de 2010 encontra na Cerâmica o meio de eleição no seu trabalho, onde explora várias dimensões, usando a observação para traduzir reverberações do real ora mais próximas ou afastadas, em que a busca do saber fazer está sempre aliada ao perigo/experiência logo erro. Neste caminho de experimentação inclui a ancestralidade da olaria no seu trabalho, assim como as cozeduras experimentais em que o fogo é o protagonista. Desde 2002 colabora com a Origami Produções lda., no campo da cenografia. Vive em Caldas da Rainha. As suas obras foram apresentadas em 2024 na Bienal de Coruche com o projecto “ a rota anti fascista” resultado da residência artística, no Museu aberto em Monsaraz “eu sou devedor à terra”. Em 2023 na casa das Artes de Miranda do Corvo, “Experiri”, exposição individual; no Centro de Artes das Caldas da Rainha, Museu António Duarte, “O Verdadeiro lado da manta, debaixo da nespereira”, 2º momento da exposição “O verdadeiro lado da manta” em 2022 no Centro Cultural Vila Flor em Guimarães, exposição de Sara&André que convidaram Antónia Labaredas e Filipe Feijão a pensar a ideia de partilha a partir de um interesse actividade ou mesmo profissão comum. Em 2020 participa no Festival paragem, práticas artísticas contemporâneas em época balnear, em Lagoa, “em verso”, ritual-es-cultura com Filipe Feijão. Em 2018 “Ó ar**ha! Grande ar**ha! Trazes a cura, ar**ha?” com Hugo Canoilas na galeria Quadrado Azul em Lisboa. Em 2017, nas exposições “Incerta Desambiguação”, Zaratan , Lisboa; Guimarães Noc, Noc 7; “Factor cavalo-emergências artísticas e fulgurações vernaculares na prática artística contemporânea”, bienal de Vila Nova de Cerveira; Art+feminism Edit-a-thon, colectivo MIO, Espaço Concas, Centro de Artes de Caldas da Rainha. Em 2014 “Cuidado com o Cão”, ciclo de exposições da Electricidade Estética no Centro de Artes de Caldas da Rainha. Em 2008, “na senda da raposa”, projecto coletivo para Radio Bandolim de Pizz Buin, XV bienal Internacional de Vila Nova de Cerveira e “celebração das Caldas às Caldas”, colectivo MIO, colectivo Motor, “Bacanizio”, Inferno da Azenha, Caldas da Rainha.
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𝘌𝘴𝘵𝘦 𝘱𝘳𝘰𝘫𝘦𝘵𝘰 𝘦́ 𝘧𝘪𝘯𝘢𝘯𝘤𝘪𝘢𝘥𝘰 𝘱𝘦𝘭𝘰 𝘔𝘶𝘯𝘪𝘤𝘪́𝘱𝘪𝘰 𝘥𝘦 𝘝𝘪𝘴𝘦𝘶, 𝘯𝘰 𝘢̂𝘮𝘣𝘪𝘵𝘰 𝘥𝘰 𝘌𝘪𝘹𝘰 𝘊𝘶𝘭𝘵𝘶𝘳𝘢.
𝘈𝘱𝘰𝘪𝘰𝘴: 𝘖 𝘎𝘳𝘪𝘵𝘰 𝘦 𝘰 𝘊𝘰𝘤𝘩𝘪𝘤𝘩𝘰, 𝘖𝘣𝘷𝘪𝘢𝘮𝘦𝘯𝘵𝘦.
𝘋𝘦𝘴𝘪𝘨𝘯 𝘨𝘳𝘢́𝘧𝘪𝘤𝘰: 𝘕𝘢𝘺𝘢𝘳𝘢 𝘚𝘪𝘭𝘦𝘳
Casa d'artes e ofícios
Largo de S. Teotónio, n.º 30 | 3500-194 Viseu, PT
+351 966367022
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