01/12/2024
A vida corre num lençol de água
Onde as palavras limpas cintilam
Ao som das cordas bambas dum volino
Orquetra-se cada passo no vento que passa veloz
Baila-se em sonhos rodopiados de saia de balão
Abraços de risos inventando uma noite de verão
Sussurradas palavras na brisa morena
do sol que tarda
Apanha-se boleia da lua que se julga luz
Joga-se o corpo em chão de roseiras bravas
Espinhos que madrugam a pele
Despertam sentires agridoces
Licores que escorrem na garganta como em desfiladeiro
Escrevem-se poemas sofridos de amor
Gritam-se palavras sem escolha porque o peito se abre
Nem primavera
Nem estio
Já caducam as folhas da árvore outonada
Com réstia de cores quentes em fim de esperança
E a terra firme envolve os corpos num abraço final
mca