Um jeito de dizer

Um jeito de dizer Escrita que pode ser poética

A vida corre num lençol de água Onde as palavras limpas cintilam Ao som das cordas bambas dum volino Orquetra-se cada pa...
01/12/2024

A vida corre num lençol de água
Onde as palavras limpas cintilam
Ao som das cordas bambas dum volino
Orquetra-se cada passo no vento que passa veloz
Baila-se em sonhos rodopiados de saia de balão
Abraços de risos inventando uma noite de verão
Sussurradas palavras na brisa morena
do sol que tarda
Apanha-se boleia da lua que se julga luz
Joga-se o corpo em chão de roseiras bravas
Espinhos que madrugam a pele
Despertam sentires agridoces
Licores que escorrem na garganta como em desfiladeiro
Escrevem-se poemas sofridos de amor
Gritam-se palavras sem escolha porque o peito se abre
Nem primavera
Nem estio
Já caducam as folhas da árvore outonada
Com réstia de cores quentes em fim de esperança
E a terra firme envolve os corpos num abraço final
mca

A noite no correr dos diasImensamente noiteNada de novo no rio da memória O rio O marO campoSe desvelam no silêncio Do t...
01/12/2024

A noite no correr dos dias
Imensamente noite
Nada de novo no rio da memória
O rio
O mar
O campo
Se desvelam no silêncio
Do teu corpo imaginado
Nas aguas perfumadas do meu mar
Enleados num abraço de algas salgadas
Pelo rio dos meus olhos
Pousados em ti
Imensamente noite
Nada de novo no rio da memória
Tu não estás aqui
mca

Vou à bolina nos ventos que me antecedemNão vislumbro porto ou caisNavego nas águas que correm em mimNesse mundo incompr...
01/12/2024

Vou à bolina nos ventos que me antecedem
Não vislumbro porto ou cais
Navego nas águas que correm em mim
Nesse mundo incompreensível que não decifro
Vagueio em mares distantes
No agasalho da lua em noite densa
Procuro-me na solidão das palavras
E não me decifro
Dentro de mim um outro mundo
De caminhos e caminhadas impossiveis
Que desbrava-lo não é seguro
Mas sigo ao leme desta barca perdida
Na bruma deste mar veloz onde sou espuma
Sem palavras na loucura do tempo em mim
Um mundo outro que não descubro
Morre devagar num rio de esperança
Desenhado nuns lábios de carmim
mca

Hoje simHoje as nuvens choram num Abril de esperançaHoje o vento sopra e dançam as árvoresHoje a maré vai alta abraçando...
21/04/2023

Hoje sim

Hoje as nuvens choram num Abril de esperança
Hoje o vento sopra e dançam as árvores
Hoje a maré vai alta abraçando a areia branca
Hoje o rio reflete a lua que beijará a noite
E há vontades a querer satisfazer
A espera numa ânsia sem limite
Sabendo-te nas sombras lavradas do luar
A noite será revolta até ao amanhecer
E eu despida de lágrimas
Renascerei em cada onda do mar
Serei a seda o veludo o bago doce duma amora negra

mca
reservados direitos de autor

02/09/2022

Autora: Maria do Céu Alves
de Portugal

O mundo parou assim...

Adormece a noite antes de mim
A lua ilumina o silêncio
A calçada sem passos
Nada se vislumbra
Das janelas já cerradas
O mundo parou assim...do nada
O sono perdeu-se
Pensamentos em devaneio
Tanta lonjura
Quase madrugada
E a noite repousada
Nos braços da lua e proteção das estrelas
Que me fazem acordada
Viajando à procura
Daquela constelação
Abrigo onde me escuto
Me prescruto
Enquanto a noite dorme
Languidamente estendida
Na calçada
mca
02/09/2022
@
pintura de Dimitra Milan

Sei do outono pelas folhas maduras que cobrem o chãoSei do outono pelas árvores despidas esqueléticas onde morou o verão...
31/08/2022

Sei do outono
pelas folhas maduras que cobrem o chão
Sei do outono
pelas árvores despidas esqueléticas onde morou o verão
Sei do outono
pelo vento que sopra do norte
tombando galhos sem força na calçada da vida
Não se ouviu um gemido ou lástima
Só o vento soprando no tempo
E o tempo passando...
Mostrando os outonos vividos sem mágoa
Sem dor, abandono ou deserção
O cair da folha se faz em tempo certo
E os campos maduros se renovam na sua emulação
mca
28/08/2022

31/08/2022

Na rua da tormenta
Os gritos são bater de asas
Nas madrugadas fugidias
Onde corta o vento gélido
Que vem donde se perde o norte
Lastimam-se as janelas
Das fachadas gastas
Pelas noites mal dormidas
Sofridas no peito
gemidas sem pranto
Nem espanto
Nem amor
Nem canto
E o corpo cansado
Clama uma benção
Em lençóis suados
Duma vida perdida
Olhando a cidade em lento despertar
Acarinha a esperança
De numa outra rua poder acordar
mca
31/08/2022

28/07/2022

Poema: Sem pré aviso

Sem aviso prévio
Vens atormentar a vida
Fazer dela um nada
Uma ilusão que foi vivida
E surges
Como lobo na floresta
Passos leves
Falas mansas
Ofereces as manhãs
E o feitiço que encanta
Mas trazes contigo as trevas
Nos momentos vazios
Em dias em que brilha o sol
Mas não há vida!
mca
28/07/2022
direitos de autor

23/07/2022

Não sei do cheiro da montanha
Nem do sal que tem o mar
Não sei do azul do céu
Nem se há pássaros a cantar
Tapam-se os ouvidos
Cerram-se os olhos
Fecho-me a todos os sentidos
Sei da Janela aberta ao luar
A brisa que passa e se entranha.. a vontade é de ficar
Sentir de forma estranha

mca
23/07/2022
@

Endereço

Viana Do Castelo
Vila Praia De Âncora

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