05/10/2025
Uma dedicação especial aos pequenos que gostam de contos!
Obs: Aceito sugestões de melhorias ❤️
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Petusco e a Tartaruga Mágica.
Todos nós sabemos que a educação e a gentileza são a chave que abre todas as portas...
Era uma vez um menino chamado Rodrigo, mas que o pai chamava carinhosamente de petusco, que sendo uma criança comum, igual a todas as outras, estava sempre a questionar os pais sobre o mundo e as coisas que nele existiam.
Num certo dia, decidiu ir à praia enterrar os pés na areia, sem que a sua mãe Nina e o seu pai João soubessem — embora já tivesse sido avisado sobre os perigos do mar.
Viviam numa pequena aldeia, onde todos sobreviviam como podiam. Uns vendiam pastéis, peixes, frutas e legumes; outros vendiam pães e prestavam serviços. Embora com poucos recursos, era uma aldeia feliz. Todos os dias, ao final da tarde, os mais pequenos sentavam-se ao redor do ancião Zé, que tinha mil e uma histórias para contar.
Petusco, de tanto ouvir histórias, começou a sonhar em ir além dos oceanos para conhecer o mundo.
Já era quase ao entardecer quando, sentado na areia, ouvindo o bater das ondas, viu uma grande tartaruga que, cansada, vinha à praia para desovar.
Petusco aproximou-se e disse:
– Quem me dera que pudesses me ouvir. Sei que conheces todos os cantos do mundo e eu também queria conhecer.
A tartaruga, em silêncio e com um pouco de medo, continuou a cavar o buraco onde iria pôr os seus ovos.
Petusco insistiu:
– E se eu te ajudar? A minha mãe disse que consegues viver mais de cem anos. É verdade que os teus filhos voltam depois? Ah, como queria que pudesses falar, ó Sra. Tartaruga… – suspirou.
A tartaruga, vendo que o menino era bom e não fazia mal, respondeu calmamente:
– Eu consigo te ouvir.
Petusco ficou espantado e, sem acreditar no que ouvia, perguntou:
– A Sra. Tartaruga é mágica? Podemos ser amigos? Sabes, eu queria tanto conhecer o mundo. A minha mãe disse que além das ondas existem meninos de outras cores, com cabelos lisos e olhos grandes e azuis, e que não somos iguais! Devem ter cabeças grandes… se calhar nem comem cachupa nem pastéis de milho como nós. Coitados, talvez nem pés e mãos tenham para brincar!
A tartaruga sorriu e respondeu:
– Já estou a f**ar velha, e amigos não tenho. Se queres ser meu amigo, amigo seremos. 🙂
Dito isto, a tartaruga mágica transformou as pernas de Petusco em nadadeiras e deu-lhe pulmões especiais para que pudesse respirar debaixo de água!
Assim começou uma amizade e uma grande aventura pelo mundo.
Petusco ficou encantado ao perceber como a tartaruga nadava depressa. Juntos, saíram da costa e chegaram a uma pequena baía cheia de coqueiros.
– Aqui, nestas bandas, ouvi que chamam de Ásia – disse a tartaruga.
Curioso, Petusco saiu da água e aproximou-se da costa. Viu uma pequena vila onde havia muitas crianças a correr, cantar e nadar. Observou-as e pensou:
– Têm pés e mãos! E afinal, os olhos nem são grandes, são até pequenos!
Conheceu um menino chamado Waun, que o levou à sua aldeia, onde foi muito bem recebido.
Naquela noite, Petusco dançou outras músicas, provou novas comidas e aprendeu coisas diferentes. No dia seguinte, despediu-se:
– Agora vamos para um lugar que ouvi chamar de Oceânia!
E assim foi. Passaram pelas Américas, e enfim, depois de tanto viajar, decidiram descansar num lugar chamado Europa, antes de regressarem a casa.
Naquela tarde fria, nas águas da costa, Petusco viu uma cidade cheia de luzes, casas e crianças a correr. Tinham peles claras, olhos de várias cores e cabelos compridos e lisos.
Petusco aproximou-se educadamente e disse:
– Sou de um canto chamado Cabo Verde, f**a em África. Viajo com a minha amiga tartaruga mágica que me mostra o mundo. E, graças a ela, entendo o mundo… e o mundo me entende!
Embora os outros meninos estranhassem, não se assustaram. Aproximaram-se e disseram:
– Junta-te a nós para brincar! Conta-nos as histórias da tua aldeia e nós contaremos as nossas!
Assim fizeram. Riram, dançaram e aprenderam uns com os outros. Petusco descobriu que, apesar das diferenças, todos tinham braços, pernas, barriga e coração. Comiam, bebiam, cantavam e dançavam — como ele!
Quando voltou para casa, ao entardecer, agradeceu à Sra. Tartaruga e correu para os braços dos pais, que estavam preocupados com a sua ausência.
Contou-lhes tudo o que vivera e ensinou aos amigos que, afinal, existem muitos lugares no mundo, com nomes diferentes e pessoas de todas as cores — Xi, Huam, Hamar, Mustafa, Ariel, Maria, Luna, Bruna…
E ficou a saber que a diferença na cor não nos torna diferentes no coração.
E assim, todos f**aram felizes ao descobrir que, além das ondas, existem vidas, culturas e povos que podem viver em harmonia, se aprenderem a viver uns com os outros.
"DEIXAN SUNHA"
JPC: Alcaçovas,05/10/25