02/02/2026
30 de Janeiro ficará para sempre na memória.
Fez-se história na nossa cidade.
A estreia de Até Acabar com o Diabo não foi apenas o nascimento de um novo projeto — foi o culminar de um movimento sinérgico que envolveu pessoas de todos os tipos, vindas de vários pontos do concelho, do país e até do mundo. Uma verdadeira prova de fé. A prova de que este projeto tem força para andar, correr e até voar.
Foram imensos atores e não-atores, imensas mãos e vontades:
o Gonçalo Gouveia, a Mariana Magalhães, a Cristina Pereira, o Carlos Centeio, o Sandro Ferreira; a participação generosa do José Carlos Pereira; o extraordinário Luís Ismael, que veio de Valongo para estar presente; o querido António Manuel Venda, que não só confiou a adaptação do seu livro como veio de Monchique para assistir;
a banda sonora do Simão; o trabalho de som do Paiva; a entrega incansável do Diogo Pereirinha durante 12 meses; a ajuda do Guedelha e o equipamento do Cineclube; o material do Romão Fotografia; o espaço e apoio do Hotel dos Cavaleiros, do Dr. Jitendra e do incansável Antero; do Hotel Aires da Serra e do restaurante O Rossio; a ajuda do Pedro Gameiro e do Seven In; da Fótica; do Entre & Corte; da Santa casa de Torres novas, do sr. Zé e da dona Ana, a Central Comics, o Cinema em Portugal, o Júlio Clérigo e a União de juntas de são pedro, lapas e ribeira branca, do Eduardo Farinha, do b***o fofinho, ao Luminos pelas fotos;
a música do Bumblefoot nos créditos finais e o tema principal interpretado por Aléxys.
Tudo isto sem qualquer orçamento.
Com muito suor, cansaço, frustração — e uma entrega absoluta.
Fazer cinema não é fácil. É a junção de todas as artes partilhadas numa tela. Sempre foi entrega, risco e expressão. Mas Até Acabar com o Diabo transcendeu isso: tornou-se um movimento. Uma prova viva de que ainda é possível unir pessoas diferentes e criar algo bonito em conjunto — algo que nos mova e nos concretize.
Ver a sala cheia.
Ver o palco cheio de pessoas.
Ver gente que trabalhou sem receber, que gastou do próprio bolso, do próprio combustível, do próprio tempo — que se cansou, que entrou em stress — apenas por acreditar em mim e nesta obra.
Isso encheu-me o coração de orgulho.
Mas a mesma noite trouxe também tristeza. Porque é impossível ignorar que a arte e a cultura em Portugal estão ao abandono. Nenhum ator, nenhum técnico, deveria ser obrigado a trabalhar de borla ou a viver na precariedade para fazer aquilo que ama. Uma sociedade só pode ser saudável com uma cultura rica, viva e diversa. A cultura é essencial para combater a fragmentação social.
Ainda assim, a noite de 30 de janeiro ficará para sempre nos anais de Torres Novas — como a noite em que pessoas de todas as raças, cores, feitios e origens se juntaram para partilhar emoção, presença e humanidade. Uma noite de vitória. Uma noite que prova que é possível unir Portugal e o mundo.
Obrigado a todos — pela presença, pelo trabalho, pelo apoio.
Esta série É NOSSA.
Mas a luta só agora começou.
O próximo passo é continuar a adaptar o guião até ao fim. Precisamos de concretizar o orçamento e para isso estamos a concorrer a todos os apoios possíveis e a aceitar donativos.
Juntem-se a nós nesta aventura, participem como actores, figurantes, apoiantes, produtores.
Juntos, até acabar com o Diabo.