07/04/2026
A escultura La Mujer Que Nunca Hizo Nada, criada por José Luis Fernández em 2001, está localizada em Zaragoza e se tornou um dos símbolos mais impactantes da discussão sobre o trabalho doméstico não remunerado. A obra retrata uma mulher sobrecarregada, carregando objetos como vassouras, baldes e uma máquina de lavar, enquanto cuida de duas crianças, representando de forma visual a rotina invisibilizada de milhões de mulheres ao redor do mundo.
O título provocativo da escultura ironiza uma ideia profundamente enraizada na sociedade: a de que quem cuida da casa “não faz nada”. Esse conceito vem sendo amplamente questionado por instituições como a Organização Internacional do Trabalho e a ONU Mulheres, que apontam que o trabalho doméstico e de cuidado representa bilhões de horas diárias globalmente. Apesar disso, esse esforço não entra nas contas do PIB e raramente é reconhecido como atividade econômica formal.
Diversos estudos nas áreas de economia, sociologia e estudos de gênero reforçam que essa invisibilidade tem impactos diretos na desigualdade de gênero, limitando oportunidades profissionais, renda e autonomia financeira para mulheres. A chamada “dupla jornada” é uma realidade em muitos países, onde mulheres acumulam trabalho remunerado e não remunerado sem o devido reconhecimento.
Desde sua instalação, a escultura se consolidou como um convite à reflexão. Mais do que uma obra artística, ela funciona como um alerta social poderoso, questionando o que a sociedade considera como “trabalho de verdade” e incentivando mudanças na divisão de responsabilidades dentro dos lares.