25/02/2024
As pessoas namoram de menos. E isso é mau. Mas, muito pior, o namoro está em vias de extinção! Porque, para muitos, o namoro será uma espécie de romagem de eterna saudade. A única oportunidade anual para um jantar de namorados. É claro que, quando é assim, o namoro parece ter sido engolido por uma burocracia inconsolável. Como se no lugar do coração existisse um relógio de ponto. E estivessem (só podem estar!) tomados por uma vertigem abolicionista contra o namoro muito difícil de compreender.
Mas à parte de quem, assustadoramente, o burocratiza, há uma imensa maioria silenciosa que, por mais que ache que não há nada de mais importante que o amor, coloca o trabalho sempre à frente do namoro. Serão, digamos assim, os abstencionistas. Vivem com horários alargados de trabalho sob o pretexto de que, com isso, estarão a "vestir a camisola". Afiançam, repetitivamente, que têm férias dos anos anteriores, ainda por g***r. E são os maiores especialistas em aforro nos bancos de horas que nunca são dados à troca pelo namoro.
E há, finalmente, os sufragistas. Seremos nós... Reclamam que o namoro devia estar sempre antes do casamento. Têm a convicção que só quem namora, todos os dias, se casa mais um bocadinho. E que ninguém casa para sempre se não namorar eternamente. São, escuso de dizer, a favor que se dispa a camisola. Não que com isso tenham uma qualquer intenção latente (com o seu quê de subliminar) amiga do erotismo, mas baseia-se, na profunda convicção que, à luz do bem comum, as únicas e as verdadeiras horas extraordinárias são aquelas que (mesmo que se roubem ao trabalho) se dedicam ao namoro.
Por tudo isto, é importante que o Dia dos Namorados seja reabilitado e que, em vez de existir uma vez por ano, exista todos os meses, primeiro, e todas as semanas, depois. Aliás, para o mundo ser justo, namorar devia ter uma entrada de agenda, todos os dias. E, para que não dê origem a mais abstenções, devíamos assumir, para sempre, como palavra de ordem: Dia dos namorados, sempre!