04/08/2026
Há seis meses, a terra que me viu nascer acordou debaixo de água.
Seis meses se passaram... mas há marcas que o tempo não apaga.
Estas fotografias contam uma história que muitos já esqueceram, mas que alguns continuam a viver todos os dias. O Cantinho da Ribeira Velha é apenas um exemplo de tantos estabelecimentos
que viram anos de trabalho serem destruídos em poucas horas.
Quando as águas baixaram, ficaram a lama, os prejuízos, as dívidas e a incerteza. Para muitos, a porta continua fechada, sem saber quando, ou se, voltará a abrir.
Mas o mais difícil não foi apenas enfrentar a força da natureza. Foi sentir o silêncio que veio depois. As promessas perderam-se, as ajudas do Estado nunca chegaram, e quem quis reerguer-se teve de o fazer praticamente sozinho.
Seis meses depois, importa não esquecer. Porque por detrás de cada porta encerrada há uma família, uma história, uma vida inteira de trabalho.
Que esta memória nos faça valorizar quem resistiu, apoiar quem ainda luta e lembrar que uma comunidade só é verdadeiramente forte quando ninguém é deixado para trás.
Não é porque deixou de ser notícia que ficou tudo bem. As gentes da minha terra continuam a precisar da tua ajuda.
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