01/06/2024
Poeta & Gil Vicente
O Milhafre continua
na sua dança de Ozono,
pairando nas Asas Abertas &
no sono morto daí emanado.
Há BARCOS reluzentes e limpos
na esfera fria do Azoto quente.
"Foges-me, sabendo certo
que passo perigo marinho,
e sem ti vou tão deserto
que, quando cuido que acerto,
vou mais fora de caminho."
Violinos & Orquestras
de músicos conscientes
& náufragos dum futuro próximo.
Doente ou de
certo modo presente. Próximo
& abstrato. Ausente.
"Sempre é morto quem do arado há-de viver."
Viajo & Viajo por serranias
& quintais. Alicerces de Água
fúteis, naturais, abarcam
a minha Alma, AGORA pesada.
"Ele não vai à lavrada,
ele todo o dia come,
ele toda a noite dorme,
ele não faz nunca nada,
e sempre me diz que há fome!"
Num estrondo caio num socalco.
Aos trambolhões desaguo
no Rio Douro. VinDouro...
"A serra é alta, fria e nevosa,
vi venir serrana gentil, graciosa.
Cheguei-me per'ela com grã cortesia.
Cheguei-me per'ela de grã cortesia,
disse-lhe: senhora, quereis companhia?
Disse-me: escudeiro, segui vossa via."
Tenha futuro e demais vida
para advir o futuro Ingrato. Adivinhar
lento e soturno do Futuro
(já aqui) Imediato.
"Nós somos vida das gentes,
e morte de nossas vidas;
a tiranos pacientes
que a unhas e a dentes
nos têm as almas roídas."
Fosse Toupeira ou Rato &
refugiava-me num arrastar perpétuo.
Ao Invés, num desiderato,
arranjar coragem e, (sei lá)
Sei lá por onde sair, ou fugir?
"Não cureis de vos matar,
que ainda estais em idade
de crecer.
Tempo há i pera folgar
e caminhar...
Vivei à vossa vontade,
e havei prazer."
Lá no Alto, Fernão Capelo!
Gaivotas & tantos demais
Pássaros de longas Asas voadoras.
Libertas de Presságios &
demais desgaste terreno,
rasteiro. Cegonhas Brancas
pintadas de cal & lume brando,
apagado na ESPUMA das Nuvens.
Altas.
"Pois amor me quer matar
com dor, tristura e cuidado,
eu me conto por finado,
e quero-me soterrar."
Num rastejar lento, DEMAIS
natureza, que não Milhafres &
demais espécies voadoras.
NAVEGADORAS também não.
Excluam os Homens que Navegam,
mesmo que a Espaços.
"Ficai, adeus, minhas flores,
em que glória ver soía.
Vou-me a terras estrangeiras,
a que ventura me guia."
As Torneiras das Águas Eternas,
por eles anseiam,
aos Marinheiros das Barcas
Eternas.
Gil & Vicentes
de Autos de Fé, de Almas &
demais Infernos:
Mais os seus Barqueiros,
motoristas de Almas
trôpegas & FOLEIRAS,
poucachinhas; jamais
entusiasmantes.
Nem Amantes rascos
foram, quanto mais
deixaram Saudades.
"Não se embarca tirania neste batel divinal."
Há todo um Caminho que
deixa marcas & passado.
Há quem deixe História,
até estória Interessante.
No entanto, os demais são
DesInteressantes. TODOS os demais,
QUASE todos os demais.
"Não choreis, minha alegria,
que nos reinos de Inglaterra
mais claras águas havia,
e mais formosos jardins,
e vossos, senhora, um dia:
tereis trezentas donzelas
de alta genealogia,
de prata são os palácios
para vossa senhoria."
A maioria dos tais, não merece
a Viagem de borla dos Barqueiros.
A passagem é DesNecessária.
Perda de Tempo e quem acredita
num DesNecessário, terá a sua paga.
"Mais vale um a**o que me carregue
do que um cavalo que me derrube."
Voluntário Marinheiro, por seres o
mais dos Homens, nem todos
serão da tua laia & credores
de tal Feito. O teu Feito & Caminho
superlativo poderá toldar o TEU
Involuntário destino. Na crença.
"Vossa pátria verdadeira
é ser herdeira
da glória que conseguis:
andai prestes.
Alma bem-aventurada,
dos anjos tanto querida,
não durmais."
Jamais serás avaliado por DesCreres
do Homem comum. Por mais evidente,
tal leitura.
A tua passagem É segura:
Garantida & Eterna.
"Alma humana, formada
de nenhüa cousa, feita
mui preciosa,
de corrupção separada,
e esmaltada
naquela frágoa perfeita,
gloriosa."
Quem és tu, que lugar tens?
Na desdita desta VIDA?
"Adianta-se o Anjo, e vem o Diabo a ela, à Alma."
João Formigo
"entre aspas" - originais de Gil Vicente
28 - VI - 2021