João Formigo - Arca dos Poemas

João Formigo - Arca dos Poemas A minha Página Pessoal, para divulgação dos meus Poemas. Agradeço a divulgação e partilha. Acervo.

Amar e Os Silêncios Anunciados A MARÉ vaza na areia fina os dias de antes.A Âncora presa ao corpoatraca na Praia das Man...
03/06/2024

Amar e Os Silêncios Anunciados

A MARÉ vaza na areia fina os dias de antes.
A Âncora presa ao corpo
atraca na Praia das Manhãs frias,
ONDE os silêncios são anunciados. Lentos.
Mar Negro.

Árvores Negras.
Silhuetas na paisagem, recortam a Luz sombria
vinda do Luar. AUSÊNCIA.
Naufrágio e Abandono à vista.

Somos SOBREVIVENTES.
Neste traço recortado à Luz agora nítida,
no dia claro ainda novo. És sombra a CRESCER.
Somos SOBREVIVENTES.
Vamos andando, pegadas recortadas na areia,
as Almas outrora perdidas na Ilusão da SAUDADE.
Ilusões no Navio do Tempo.

Antepassados da MEMÓRIA, história comum
do tempo a dois, vamos ressurgindo.
Emergindo de mão dada.
Desde o Tempo da nossa história,
Beijos calados SELAM,
Antepassados de Nós, NOVA história.

Aos nossos Olhos cansados,
nunca faltará TRISTEZA nem focos de Luz.
Foco-te na Eternidade que já somos.
O Navio já NÃO é Saudade.

AMAR é anunciar nas manhãs,
desprender as ALMAS,
desafiar o Frio e a Claridade,
soltar o Vento
que mareou o Amor
vindo COM a força do Oceano.

Lábios salgados Resgatam do Céu da noite,
o Luar que Incendeia TODAS as manhãs.

É esta a Força do Amor.
É esta a Força da Poesia.

João Formigo

29 - XII - 2021

Por Ti Não Mais Acordarei Morto Por ti, não mais acordarei Mortoe farei a Vida ACONTECER. Simples e afoita, há-de parir ...
03/06/2024

Por Ti Não Mais Acordarei Morto

Por ti, não mais acordarei Morto
e farei a Vida ACONTECER. Simples e afoita,
há-de parir a graça no dia, TODOS os dias
e o pranto desterrado longe. Terei forças para tal?
Haverás de me conquistar, conquistando-te?

Alma presente, graça dos meus dias,
corres sem esforço ao meu pensar. Presente.
Presente ÉS e Vida INTENSA. Deste-me de Presente,
ó dádiva perene, feixes de Luz à Minha vida.
Alma Bondade e verdadeira vieste a mim
sem licença ou desculpa. Aceitei ó se queria...
Não o sabendo possuo agora a TUA Caridade,
ó Alma.

Ao Ritmo de Acordes jamais tocados, eis-nos plenos
no Olhar e no Silêncio, o Beijo ao Outro
é a NOSSA Morada. Ressuscitei-me em ti,
resgatado dos Mortos, Alma etérea.
Queres-me para sempre? Que VONTADE.
Alma Intensa, Sangue Bravo, pertenço ao teu
ser, que NÃO é mais teu.

Cheguei-te ao Céu da Boca e
o teu ÍNTIMO conquistei até ao Amanhecer.
As Almas renasceram quando as Asas se tocaram
e os olhos numa velocidade épica
cruzaram TODO o nosso futuro.
Nascentes cristalinas caídas em Cascatas
sobre a Paisagem vindoura, SELARAM o Destino.

PLENOS serão os anos de dias e noites,
loucos e Intensos serão TODOS os dia**oites.
Assim fará o DESEJO cúmplice
concretizado pelos Amantes
e todo o Horizonte será conquistado.

Aí, todos os POEMAS Impossíveis serão escritos.

João Formigo

21 - XII - 2021

O Beijo Chegou Antes Dos Lábios A Alma (e o corpo) estão (de novo)prestes a Voar, as Asas (já estão coladas)ao Corpo e o...
03/06/2024

O Beijo Chegou Antes Dos Lábios

A Alma (e o corpo) estão (de novo)
prestes a Voar, as Asas (já estão coladas)
ao Corpo e o Regresso (anunciado)
será em BREVE (Liberdade).

A (re)Volta do Caminho (de quem NUNCA)
abalou (em Pensamento),
produz um Fascínio (e Alegria Saudável).

Contemplava o novo estágio (fascinado)
da Liberdade (prestes a conquistar)
e a Alma parecia (voar) por dentro,
como se (por dentro) VOASSE (de Verdade).

Está tão real (e próximo)
que sinto Pássaros (a tocarem-me)
com as suas Asas (acesas).
Labaredas desgovernadas (aquecem-me)
e as bolas de LUME (vivo) ateiam-me (vontades).

Quero tudo rápido (Urgência) e a chegar.
Quero TUDO (contrário de nada)
o que é Meu de (direito) e merecido.
Mereces-me (na chegada), a tua (espera)
é digna e PURA (adivinho).

Há Esperança e Virtude (em ti), relembro (a tua)
dignidade e tão bem (me aprumo).
Permaneces (Alma pura) à espera (anunciada)
e os Pássaros (prenunciam) na NOITE (suave)
(eis) o que se aproxima.

A Noite (escura) tornou visível (logo ao longe)
o cruzamento de OLHARES (a olho nu),
tendo o Luar (incindindo), tornando
(explícitos) os (teus) Olhos Verdes.

Estava (prestes) a (longa) espera a findar,
Passado com ela (com certeza). Quero
(dar-te) as Mãos (urgentemente). QUEREMOS.
Ei-las dadas e carícias (ternas e suaves)
a aflorar (um sorriso) de parte a parte.
Saudades (MUITAS) Saudades.

O Beijo chegou (ainda antes)
dos LÁBIOS (tocarem-se).

João Formigo

18 - XI - 2021

É Em Ti Que Penso É em ti que Pensoe não Importa quando Penso,se te vejo Nua ou Pássaro. Tampouco Flor ou Olhos.A Lembra...
03/06/2024

É Em Ti Que Penso

É em ti que Penso
e não Importa quando Penso,
se te vejo Nua ou Pássaro.
Tampouco Flor ou Olhos.
A Lembrança quando te Penso,
traz-me os Momentos vividos
e tudo me lembra a ti.

É em ti que Penso,
e Penso por vezes Lua e Madrugada,
Noites Intensas
e restos de Vinho nos Cálices.
Também Penso em Línguas roxas...

Por vezes também escrevo,
quando em ti Penso
e não consigo escrever tudo o que Penso.
Saudades e desespero
quando conto os dias sem conta,
que faltam até
ao último momento que em ti Penso,
àquele segundo que te passo a olhar.
Toco-te e vivo esses momentos,
para depois voltar a pensar
Quando em ti penso
e a Saudade voltar a roer a pele.
DOER.

Quando em ti Penso,
Importa a Memória e o Sonho.
Que Loucura esta Amargura,
MOER a Solidão
quando em ti Penso.

Quando em ti Penso
e não Importa se Penso
Rosto, Mãos ou Navio.
O Tempo do Cais chegará
e com ele tu.
À distância,
levaram os Pássaros embora,
de volta e distantes,
quando pensava na distância
que faltava Aportar,
nos momentos constantes de
Quando em ti penso.

Quando Tudo for Sonho consumado,
tornado real e
real for a constância dos dias,
Sonho Maior,
nos alicerces profundos do Pensamento,
Raízes Intemporais,
continuo num contínuo pensar em ti.
Não haverá Tempestade que derrube,
nem distância que sobrevenha.
Seremos Coragem vencedora,
Determinada.
Para sempre, NUNCA terminada.

João Formigo

07 - XI - 2021

As Memórias e Seus Contornos Vagos Silêncios VAGOS,Memórias e seus contornos vagos,no entanto presentes, bem presentes.À...
03/06/2024

As Memórias e Seus Contornos Vagos

Silêncios VAGOS,
Memórias e seus contornos vagos,
no entanto presentes, bem presentes.
À distância nocturna,
o Espaço e Tempo
confunde o Real,
querendo-se CERTEZA.
No entanto, cede-se aos contornos vagos,
flashes memoriais e,
Angústia e MEDO.
Muito MEDO faz o Tempo,
e a distância.

"Há um Mar Inteiro que nos separa."

E nos aproxima,
na Noite escura dos SONHOS.
Na escalada do Pensamento,
há uma escada de Estrelas e
um corrimão de Vento
diz-te onde ESTOU.
Estou Sempre presente,
CONTIGO.
A minha Seiva é o teu Sangue
Oculto,
SEGREDO subliminar.
Não me canso da Espera,
a Esperança dum Sonho
é sirene e Lanterna.
Foco que trespassa a Noite
e o Tempo,
até ao NOVO tocar
das tuas Mãos.

João Formigo

27 - X - 2021

"Mulheres de Atenas"Nomeio-te a ti ó de Olhos claros,Verdes Água marejados de Céu.Ténues brisas, verdes rarosFogos de Nu...
03/06/2024

"Mulheres de Atenas"

Nomeio-te a ti ó de Olhos claros,
Verdes Água marejados de Céu.
Ténues brisas, verdes raros
Fogos de Nuvens, frágil véu.

Opaco e Transparente, eis-te nua
E despida de sonhos, queres-te minha.
Voltas de ti e nada Insinua,
De onde o teu Sonho caminha?

Percorres o que é teu e escorreita
Nada te atrasa; doença ou desfeita.
Aos horrores da vida és estreita
E fina, sabe-lo: És carrasco; Perfeita.

Ágil e lesta, também és, como Pássaros
Que esvoaçam em Asas delta e seguras.
Nunca tiveste colo, mimos e amparos,
Por Estranho destino ou desditas Obscuras.

Ultrapassaste. A vida continua, dizem:
Frases feitas, irreais, realidades Apenas.
Flexão de sobreviver, NÃO te cortem
O Sonho. Queres do Chico, as "obscenas":

"Todas sigam Exemplo, das Mulheres de Atenas",
Amantes audazes e suaves, Doces e Serenas.
Cabelos pretos e caprichos fortes, as ditas Helenas
Quando Amadas, de tão Amadas, Amantes Eternas.

João Formigo
Inspirado (sei lá porquê)
em "Mulheres de Atenas",
Chico Buarque

05 - IX - 2021

Quem Dera Ser Mulher Quem me dera SER Mulher e Voar!Mulher Saudável e de faces rosadasOnde, nem o mais leve destoarDe id...
02/06/2024

Quem Dera Ser Mulher

Quem me dera SER Mulher e Voar!
Mulher Saudável e de faces rosadas
Onde, nem o mais leve destoar
De ideias, daria ideias Impensadas.

(Que NÃO me dera SER Mulher-Homem,
De Olhos claros, RosaBranca, Loira Perfeita.
Aquilo que os Olhos salivados comem,
Chupando dedos, por Bisturi contrafeita.)

MULHER
E talhar em Tábuas a MINHA morada
E, num momento de Inspiração,
Qual aspiração a SER?
Ser de um SONHO superior.
(Suspiro...)

MULHER,
Incerto Ser e SER de Todos. Alvorada,
Estímulo e OUTRA vez superação.
Por REvolta e tornar a TER
Por dever, o Sonho MAIOR.
(Sim, aspiro...)

Ser ALMA pura e Voar,
Alar além e, ao Infinito
Ir mais além, Ultrapassar.
Ser para Lá, para Lá do Mito.

Ver o caminho e o Passo curto,
Medido e ASSIM calcular
O pavio curto, MORTO.
Desde sempre SECULAR.

Sentir a Vida e ser MÃE
E (oh incalculável) Tristeza,
PULSAR o que a vida TEM.
Ter a demão e precisa CERTEZA.

Usar o Punhal na HORA certa,
Ser testemunho e CUNHO.
Hora dextra, Ferida aberta,
ORIGEM ou fundo, firme Punho.

Quem me dera SER quem sou, sempre Fêmea.
E, (oh Incalculável) por Indelével SURPRESA,
SER para sempre Árvore, Pensamento e Raíz... No MESMO tempo, SER Pai e Semente:

Tronco e carreiro como ALMA gémea
Dupla e Intransponível Fortaleza.
Refúgio e GUERREIRA. Pedra e Assim quis
SER Fermento, Óvulo e forja QUENTE.

Conseguiria contar-vos o Ser MULHER
E o que Humanamente valho?
Na noite de Trovoadas e difíceis alvoradas,
Auroras e Maternidade?

No MADRUGAR de cada dia, Evanescer.
Mulher, flexão de Renascer, Agasalho,
Aurora e LUZ a todos dada. CONSAGRADAS.
Ser Mulher! Que VONTADE.

João Formigo

19 - VIII - 2021

Já... Tudo Fizemos Já pisámos o risco, na vertical de Precipícios,Já calcorreámos as remanescentes FOLHAS.Já vivemos Fra...
02/06/2024

Já... Tudo Fizemos

Já pisámos o risco, na vertical de Precipícios,
Já calcorreámos as remanescentes FOLHAS.
Já vivemos Fracções de segundo e Solstícios,
Já sentimos o Céu e Mar, quando me OLHAS.

Já PERCORREMOS Caminhos, dobrámos Muros,
Já descobrimos esses TAMANHOS em pormenor.
Já acendemos Faróis, iluminando os veios Escuros,
Já fomos Sentinelas premonitoras do bem MAIOR.

Já saboreámos Solidão, Caos, Partitura e Folguedo,
Já descobrimos a Felicidade num alisar de cabelo.
Já envelhecemos, continuando a BUSCA Imprevisível,
Já chegaremos em BREVE, à Soma do Advir Invisível.

Já descobrimos dos Simples o SEGREDO,
já demos finalmente cor ao (nosso) Pesadelo.
Já bebemos dos gestos o TOQUE Sensível,
Já protagonizámos JUNTOS, o cenário Impossível.

João Formigo

10 - VIII - 2021

Em Cada Nascer Há Um Morrer No dia HÁ todos os dias de alguém e todos os dias, Morre ALGUÉM.É difícil dizer: "O Sol NASC...
02/06/2024

Em Cada Nascer Há Um Morrer

No dia HÁ todos os dias de alguém e
todos os dias, Morre ALGUÉM.
É difícil dizer: "O Sol NASCEU" e
declarar uma MORTE Anunciada.

Aquela de todos os dias,
a mesma de Todos os dias.

No nascer DA Humanidade
há um morrer DE Humanidade.
No Intervalo, momentos e espaços valiosos:
Uma Amizade valiosa,
um Nascer de Sol em companhia,
um Amor saudável e comum.

Nas Águas correntes do Rio,
revejo e enceno o MEU percurso.
As águas NUNCA são as mesmas e JAMAIS paradas:
Um dia solarengo e quente,
outro dobrado pelo vento.
(quase caio)

Há dias que à Noite,
de tão escura,
não vejo ténue luz.

João Formigo

02 - VIII - 2021

Fosses Tu Luar de Outono Fosses tu um esfumado Luar, Luar de Outonoou Crepúsculo visível, num pilar de uma Catedral?Piná...
02/06/2024

Fosses Tu Luar de Outono

Fosses tu um esfumado Luar, Luar de Outono
ou Crepúsculo visível, num pilar de uma Catedral?
Pináculo altivo, obstáculo em desabono
ou vácuo perfume embalado, suspiro Vitral.

Fosses tu, uma chama viva, Labareda viral
quiçá fumaça, insonso Diácono?
Outrora Incenso, cheiro Fátuo, Espiral;
Intenso e fugaz, Tóxico de Carbono.

Celeste e alva, usado e mordaz alvo Letal,
nitidez assaz , Incapaz de Ousar tal Trono?
Quero aliás, aliás testemunhar que em tal Roseiral
espinhoso e MORTAL, foste votada ao Abandono.

Visível no Funesto Luar, Luar de Outono.

João Formigo

27 - VII - 2021

Poeta & Gil Vicente O Milhafre continuana sua dança de Ozono,pairando nas Asas Abertas &no sono morto daí emanado.Há BAR...
01/06/2024

Poeta & Gil Vicente

O Milhafre continua
na sua dança de Ozono,
pairando nas Asas Abertas &
no sono morto daí emanado.
Há BARCOS reluzentes e limpos
na esfera fria do Azoto quente.

"Foges-me, sabendo certo
que passo perigo marinho,
e sem ti vou tão deserto
que, quando cuido que acerto,
vou mais fora de caminho."

Violinos & Orquestras
de músicos conscientes
& náufragos dum futuro próximo.
Doente ou de
certo modo presente. Próximo
& abstrato. Ausente.

"Sempre é morto quem do arado há-de viver."

Viajo & Viajo por serranias
& quintais. Alicerces de Água
fúteis, naturais, abarcam
a minha Alma, AGORA pesada.

"Ele não vai à lavrada,
ele todo o dia come,
ele toda a noite dorme,
ele não faz nunca nada,
e sempre me diz que há fome!"

Num estrondo caio num socalco.
Aos trambolhões desaguo
no Rio Douro. VinDouro...

"A serra é alta, fria e nevosa,
vi venir serrana gentil, graciosa.
Cheguei-me per'ela com grã cortesia.
Cheguei-me per'ela de grã cortesia,
disse-lhe: senhora, quereis companhia?
Disse-me: escudeiro, segui vossa via."

Tenha futuro e demais vida
para advir o futuro Ingrato. Adivinhar
lento e soturno do Futuro
(já aqui) Imediato.

"Nós somos vida das gentes,
e morte de nossas vidas;
a tiranos pacientes
que a unhas e a dentes
nos têm as almas roídas."

Fosse Toupeira ou Rato &
refugiava-me num arrastar perpétuo.
Ao Invés, num desiderato,
arranjar coragem e, (sei lá)
Sei lá por onde sair, ou fugir?

"Não cureis de vos matar,
que ainda estais em idade
de crecer.
Tempo há i pera folgar
e caminhar...
Vivei à vossa vontade,
e havei prazer."

Lá no Alto, Fernão Capelo!
Gaivotas & tantos demais
Pássaros de longas Asas voadoras.
Libertas de Presságios &
demais desgaste terreno,
rasteiro. Cegonhas Brancas
pintadas de cal & lume brando,
apagado na ESPUMA das Nuvens.
Altas.

"Pois amor me quer matar
com dor, tristura e cuidado,
eu me conto por finado,
e quero-me soterrar."

Num rastejar lento, DEMAIS
natureza, que não Milhafres &
demais espécies voadoras.
NAVEGADORAS também não.
Excluam os Homens que Navegam,
mesmo que a Espaços.

"Ficai, adeus, minhas flores,
em que glória ver soía.
Vou-me a terras estrangeiras,
a que ventura me guia."

As Torneiras das Águas Eternas,
por eles anseiam,
aos Marinheiros das Barcas
Eternas.
Gil & Vicentes
de Autos de Fé, de Almas &
demais Infernos:
Mais os seus Barqueiros,
motoristas de Almas
trôpegas & FOLEIRAS,
poucachinhas; jamais
entusiasmantes.
Nem Amantes rascos
foram, quanto mais
deixaram Saudades.

"Não se embarca tirania neste batel divinal."

Há todo um Caminho que
deixa marcas & passado.
Há quem deixe História,
até estória Interessante.
No entanto, os demais são
DesInteressantes. TODOS os demais,
QUASE todos os demais.

"Não choreis, minha alegria,
que nos reinos de Inglaterra
mais claras águas havia,
e mais formosos jardins,
e vossos, senhora, um dia:
tereis trezentas donzelas
de alta genealogia,
de prata são os palácios
para vossa senhoria."

A maioria dos tais, não merece
a Viagem de borla dos Barqueiros.
A passagem é DesNecessária.
Perda de Tempo e quem acredita
num DesNecessário, terá a sua paga.

"Mais vale um a**o que me carregue
do que um cavalo que me derrube."

Voluntário Marinheiro, por seres o
mais dos Homens, nem todos
serão da tua laia & credores
de tal Feito. O teu Feito & Caminho
superlativo poderá toldar o TEU
Involuntário destino. Na crença.

"Vossa pátria verdadeira
é ser herdeira
da glória que conseguis:
andai prestes.
Alma bem-aventurada,
dos anjos tanto querida,
não durmais."

Jamais serás avaliado por DesCreres
do Homem comum. Por mais evidente,
tal leitura.
A tua passagem É segura:
Garantida & Eterna.

"Alma humana, formada
de nenhüa cousa, feita
mui preciosa,
de corrupção separada,
e esmaltada
naquela frágoa perfeita,
gloriosa."

Quem és tu, que lugar tens?
Na desdita desta VIDA?

"Adianta-se o Anjo, e vem o Diabo a ela, à Alma."

João Formigo
"entre aspas" - originais de Gil Vicente

28 - VI - 2021

Anjos Caídos Já é dia e ainda não saí da Noite.Será esta a desdita da Minha Vida?A Noite acompanha os Passos,colados com...
01/06/2024

Anjos Caídos

Já é dia e ainda não saí da Noite.
Será esta a desdita da Minha Vida?
A Noite acompanha os Passos,
colados como Sombra,
Lúgubre Sombra,
ao meu Corpo.
Vestígios da Noite na Memória:
Sádicos Cirurgiões
& Corpos Empalhados, Empalados, Enjaulados...

Os Seres Mortos-Vivos que
me acompanham no dia,
(que Não os vejo) (que Não me vêem)
na superfície dos Nossos passeios, nas ruas,
nas janelas escancaradas,
Ei-los Ascensos.
(Eiaaa!... )

Subiram desde as Grades do Inferno,
ao Inferno das Nossas Ruas
& Estradas & Passeios.
Neste Mundo (I)Mundo (In)perfeito,
Ei-los
Suspensos.
Vidas Conspurcadas.
Expurgadas,
Expulsas do Inferno,
para a Nossa Superfície:
Ei-los...
Nas Esquinas dobradas, nas Janelas partidas,
nos Passeios esburacados,
nos Empregos Sem-Vida.

Noctívagos e soturnos,
sem-vida vindos,
das Trevas Submersas
& ofuscas num Passado Opaco
& desdito Presente.
Nada Transparente,
Sem Futuro.

Anjos caídos (que os há)
das Profundezas (mais uma vez).
Anjos Luz?
Naaa...
Não há Anjos
& Vislumbre de Bondade
(que É Amor)
nesta Superfície terrena.
Nos Passeios e Estradas
por Onde Caminho o meu Caminho Inevitável
& Interminável,
não Vislumbro Paz,
nem outra rima.

Não Há Céu (nem Inferno),
Mas Que OS Há, Há:
Ao Céu (e ao Inferno).
Caídos & Ascendidos sem distinção.
Não os Distingo:
Os que Ascenderam, os que Caíram,
Vindos dos Infernos do Baixo & do Alto.

Os de Cima Assim, os de Baixo Assado,
apenas e Planeado
tornar a Vida
um Verdadeiro,
assaz Verdadeiro,
palco do mais sá**co
& púbico Inferno.

A Área urbana & betuminosa
de Passeios calcários,
de Prédios Incolores nas ruas sem nome,
tornou-se o mais hediondo
Bosque de Medos e Impossíveis Segredos,
onde caminho entre buracos
& rostos sem rostos
embrulhados em Gabardines
protectoras de Chuvas ácidas.

No Bosque dos Segredos
HÁ Muitos Medos
& demais questões Inseguras
& Metafísicas acerca da Nossa
(In)existência.

Onde buscarei a Verdade
desde SEMPRE escondida?
Oculta e Camuflada
por seres Ascendidos & Caídos,
EU SEI.
Seres das Alturas & Profundezas criados
& virtualmente
paridos.
Como lutar?
Viver?

Terei um dia tal desdita na minha Vida?

O Suicídio diário é alimentado como natural
até ao Fim final,
Desiderato natural...
O Vento silva por entre as Folhas
& Sombras do Bosque,
Violento e Cru.
Paus & vergastas rasgam as costas,
(agora)
(des)feitas em Carne Viva.
O Sangue & as suas marcas gordurosas,
abundam
à sua Passagem,
lenta e marcada. Marcante.

Por entre o Silvado
há restos de pele, cabelos &
demais cartilagens dos Corpos em Fuga.
Destino sem Fé, fuga apenas.
Não há SAÍDA.
Não há Esperança.
No Bosque do Tempo
silvam MEDOS.

A Noite dura o dia, todo o dia e não
distingue da Madrugada. A LUZ
é passado só vivo na Memória.
Só que NÃO.
Já não há Memória, PORQUE
Já Não há vida. A limitação
(In)existente & (In)humana,
nessa ilimitação patente,
é assaz perturbadora
& latente.

NÃO há Vida Humana.

A LIBERDADE é uma Ilusão
& a desdita, uma CERTEZA.
Não há Fim.
SÓ HÁ FIM.

João Formigo

02 - VI - 2021

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