03/06/2026
No passado dia 30 de maio, a Igreja da Lapa acolheu um magnífico Recital de Órgão, proporcionando ao público uma viagem pelas diferentes linguagens e estéticas da literatura organística europeia.
O programa uniu o esplendor do barroco alemão à riqueza tímbrica e poética da escola sinfónica francesa, com especial destaque para a obra de Louis Vierne (1870–1937), uma das figuras mais marcantes do órgão francês do século XX. As suas composições revelam uma extraordinária capacidade de evocação sonora e imagética, transportando o ouvinte para universos de grande expressividade.
Em contraste, escutaram-se as impressionantes arquiteturas contrapontísticas de Johann Sebastian Bach (1685–1750) e a liberdade estilística de Dieterich Buxtehude (1637–1707), referências incontornáveis da tradição organística germânica.
Um dos momentos mais singulares do recital foi a improvisação sobre o tema gregoriano Salve Regina, evocando uma das mais antigas tradições do organista litúrgico: a criação espontânea de música inspirada pelo canto gregoriano e pela oração.
A interpretação esteve a cargo de Beatriz David, organista da Igreja da Lapa desde 2019. Iniciou os seus estudos musicais aos oito anos no Conservatório de Música do Porto e, posteriormente, especializou-se em órgão, tendo estudado com Filipe Veríssimo e António Mota. Atualmente frequenta o Mestrado em Órgão (Performance) na Escola Superior de Música de Lisboa, sob orientação dos professores João Vaz e António Esteireiro.
Ao longo do seu percurso, participou em diversas masterclasses e colabora regularmente com várias instituições religiosas e musicais da região do Porto. Paralelamente à sua atividade artística e pedagógica, é Mestre em Psicologia pela Universidade do Porto.
𝐅𝐨𝐢 𝐮𝐦𝐚 𝐧𝐨𝐢𝐭𝐞 𝐝𝐞 𝐠𝐫𝐚𝐧𝐝𝐞 𝐛𝐞𝐥𝐞𝐳𝐚 𝐦𝐮𝐬𝐢𝐜𝐚𝐥 𝐞 𝐞𝐬𝐩𝐢𝐫𝐢𝐭𝐮𝐚𝐥𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞, 𝐜𝐞𝐥𝐞𝐛𝐫𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐚 𝐫𝐢𝐪𝐮𝐞𝐳𝐚 𝐝𝐨 𝐩𝐚𝐭𝐫𝐢𝐦𝐨́𝐧𝐢𝐨 𝐨𝐫𝐠𝐚𝐧𝐢́𝐬𝐭𝐢𝐜𝐨 𝐞𝐮𝐫𝐨𝐩𝐞𝐮 𝐞 𝐨 𝐭𝐚𝐥𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐝𝐞 𝐮𝐦𝐚 𝐣𝐨𝐯𝐞𝐦 𝐢𝐧𝐭𝐞́𝐫𝐩𝐫𝐞𝐭𝐞 𝐝𝐞 𝐞𝐱𝐜𝐞𝐥𝐞̂𝐧𝐜𝐢𝐚.