Fotopoemas

Fotopoemas Caminhar e olhar. Registar o olhar .A imagem. A palavra escrita a palavra dita.

Leituras  e exercícios de escrita em confinamentoà volta da poesia de Herberto Helder "A morte sem mestre"Nunca estive  ...
12/02/2024

Leituras e exercícios de escrita em confinamento

à volta da poesia de Herberto Helder "A morte sem mestre"

Nunca estive a tão vertiginosa altura de dizer o teu nome. Comecei a tirá- lo com pinças como se fosse um nó de sangue na garganta
Eram tão fortes as suas letras que sobreviveram à língua morta dos que nunca foram carne da tua carne mas têm o teu apelido menos usado, o mais interno e mais intenso.
Penso nisso sem saber muito bem porque o faço tal como um leão atrás da porta do jardim ninguém sabe porque lá está. Alguém sabe?
Pois está lá em porcelana rasca pintado de verde comme il faut. E lá vai sobrevivendo como a tal língua já morta contrariando todas as evidências matemáticas escritas por extenso. Grandes putas soberbas que atazanam quem, como eu , é só sensível ao papel e esferográfica.
Se um dia páro, morro ou fecho -me inteiro num poema como o maluco do poeta que acabou morrendo sufocado de letras. Mas eu sinto que morro muito pouco por dia contrariando a chatice das horas lentas. Acontece que, por vezes, me apetece ser aquele rei sempre metido no quarto. Até se esqueceu de cultivar a família, a inocência sem nada lhe doer__nem mesmo a imagem do velho pai para lá escondido no deserto a tentar fintar a eternidade. Pudera, talvez um pouco de palha nova lhe fizesse bem .
Assim não vai longe, ainda por cima sem água para se lavar, botou- se à água num rio seco e apareceu num canavial, há não sei quantos anos, com folhas soltas, cadernos, livros, lápis, montões de rimas imperfeitas à espera da inspiração a gás . A última bilha do produto durou dois meses e três dias. Para mim isto não é nada. Dá perfeitamente para eu esperar a morte sem mestre enquanto escrevo teu nome com mestria dentro de um poema com a métrica desalinhada do Herberto Helder.

Ana margarida Borges
Junho 2020

Reveillon em forma de assim e assado É tempo de apagar o número findo Espreitar  o amanhã  e a vida airadaTapar frinchas...
02/01/2024

Reveillon em forma de assim e assado

É tempo de apagar o número findo
Espreitar o amanhã e a vida airada
Tapar frinchas de frio e de silêncio
E em forma d'assim (ou assado )abrir
Outra alvorada.

Deixo sobre a mesa uma fatia
de luar de janeiro bem talhada
com quem quer talhar outro destino.
E o sabor e o calor de um copo
Coração sempre sossega e divaga.

Plantam -se janeiras nas janelas
Abrem-se portas ,boas vindas e manjares.
E eu cheia de tudo e de todos
perco -me
entre sonhos ilusões e
(De novo) as velhas rabanadas
Que vou fazendo contrariada.

A verdade é que olhando a noite
e seus rituais
Eu grito a pés juntos que nao quero saber
Que tudo é uma aldrabice
Uma sandice a valer
Uma bola de sabão
Que rapidamente se apaga
Na minha boca na minha mão.
Na minha estoria
No meu coração

Mas ....há sempre um mas
A lucidez do tinto diz me
Que desta vez não tenho razão
Que o reveillon e le champagne
E uma forma solidária de estar mal acompanhada
De aparecer sorridente nos "bideos "facebooks
E outras redes sociais
Tudo o resto o que eu digo são maldades, lugares comuns
dor de cotovelo dos demais
Inteligência artificial
Com que me leio
A mim
E aos outros
Cada vez mais.

31 janeiro 2023

Gaza Nada sei de Natal nem de lareiras acesasem  frios dezembros . Aqui há janelas rasgadas para as cinzascom os meus ol...
18/12/2023

Gaza
Nada sei de Natal nem de lareiras acesas
em frios dezembros .
Aqui há janelas rasgadas para as cinzas
com os meus olhos incendiados de incertezas.
Acho que perdi as silabas
dos sonhos
Das rimas
dos toques solares da vida
nos estilhaços do medo.
A verdade é que ainda é cedo __
nao tenho idade
Para subir sozinho a escada
Que me levará ao cimo das montanhas azuis
com outros anjos
Em coros uníssonos de desespero.

Salva-me mãe, abre me a porta da nossa
Casa sempre cercada dos teus braços abertos à ternura.
Nunca gostei de longas viagens sem o teu colo a segurar os meus medos
Mãe, onde estás que não ouço
A tua voz?
Talvez aguardes ainda que alguém te bata
à porta em ruínas
Para te dizer que
o meu silêncio
te espera no lado longinquo
dos astros.
Vem mãe
prende- te à minha estrela
Para onde voei
Sem querer o
Meu cansaço
E a saudade
Que já tenho
De ti.

Amgborges, dez 2023

Gaza. Mural de banksy

Natal primeiroPassa agora a tua mãoNa minha face cruelNo frio na minha almaNo frio da minha pele. Talvez  ouse nestes di...
15/12/2023

Natal primeiro

Passa agora a tua mão
Na minha face cruel
No frio na minha alma
No frio da minha pele.
Talvez ouse nestes dias
Partir à descoberta
dos tesouros escondidos
Nas chaminés do presente(s)
seguir o mapa esquecido
Em labirintos de esperança
E com sapatos carmim
de lava lume e de luz
Achar um leve caminho
despojado já de tudo
Que dentro de mim pesou.

Salva -me Jesus só por hoje
do vazio do não crer
De não ter sabido abrir
Janelas p'rò teu jardim.

E respirar
neste frio desigual
A pureza já perdida
de um primeiro Natal.

natal 2023

Idade da inocênciaE contudo os teus passos Procuram a  distânciaDo  dia claro sem vestígiosDa noite.Podes até não  saber...
10/02/2023

Idade da inocência

E contudo os teus passos
Procuram a distância

Do dia claro sem vestígios
Da noite.

Podes até não saber dos
Astros

Nem dos anjos que voam
Entre nuvens

Mas nos teus olhos
Leio a leveza
Duma reza universal.
,__'''''______''

Ilha de Moçambique

Fototexto

UCRÂNIA É  uma ilusao de óptica  para os cegos .Ninguém  viu Deus  a segurar as pontas dainfinita maldade  dos homensNas...
14/04/2022

UCRÂNIA
É uma ilusao de óptica para os cegos .
Ninguém viu Deus
a segurar as pontas da
infinita maldade dos homens
Nas azuis planícies de silêncio,
com sua Zenit comprada em Moscovo,
foi fotografando
o dia que demorava a acontecer.
A revelação ficou a cargo do
Diabo.
Apenas os negativos saíram ilesos.

Ana *Fortes.(pseudónimo de ana margarida borges)

Azul felizBastava -me sentir que o amorEra a festa Num país abertoÀ luz daVerdadeCom brevesBrisas levesA tentar namorarp...
05/04/2022

Azul feliz

Bastava -me sentir que o amor
Era a festa
Num país aberto
À luz da
Verdade
Com breves
Brisas leves
A tentar namorar
poentes de
Liberdade.
Em
Em barcos
Acesos
No tempo
que resta.

Bastava-me entender que a dor
Era só a véspera
De um inverno findo
Abrindo abril
Claro e
Limpo
Num altar etéreo
De esponjas e
Búzios
De rezas
De sinos
Acordando os poetas
Para um novo
Começo.

Basta -me saber que a voz
É só esta
Despertando enfim
Sonhos e promessas
Do azul sem
Fim
Do azul do sim
Do azul feliz
Do azul que há
Em mim

E

Uma mão voadora
Achando um jardim
Com a esperança
Esquecida
Na caixa de Pandora

Fotos e texto

TambémÉ bonita  a minha cidadeCom chuva . Da cor do granitoHá tristeza sim mas também verdadeDo tempo .Das estações  que...
05/10/2021

Também

É bonita a minha cidade
Com chuva . Da cor do granito
Há tristeza sim mas também verdade
Do tempo .
Das estações que chegam
Que partem sem dizer nada.
E esta saudade lavada
Molhando meus olhos
à janela de um comboio
Que lentamente se despede
Do Porto.
Em S. Bento.


.Equinócio de outono.Elas aí estão,  as castanhasColhendo a última luz dos diasE vestem-de de outonoFora e dentro de mim...
21/09/2021

.

Equinócio de outono.

Elas aí estão, as castanhas
Colhendo a última luz dos dias
E vestem-de de outono
Fora e dentro de mim. Os sonhos
E os sois imergem.
no seu lento sono
Que a mãe terra anuncia.


Endereço

Centro
Porto
4050/57

Website

Notificações

Seja o primeiro a receber as novidades e deixe-nos enviar-lhe um email quando Fotopoemas publica notícias e promoções. O seu endereço de email não será utilizado para qualquer outro propósito, e pode cancelar a subscrição a qualquer momento.

Compartilhar

Categoria