19/04/2026
Proposta a enviar à Câmara Municipal do Porto no quadro do programa
“aru da foz velha - área de reabilitação urbana”
Quem quiser subscrever pode fazê-lo mediante informação pessoal aos subscritores, ou assinando este folheto e devolvendo a quem lho entregou ou ainda pelos mails dos mesmos (ver abaixo)
Ou ainda, escrevendo-o em comentário nos diversas páginas e meios em que está a ser publicado.
Escola Primária nº 85, do Passeio Alegre, Foz do Douro, Porto
Proposta de Valorização
Comunidade, Memória, Natureza
Enquadramento
Tendo conhecimento da louvável inclusão desta antiga escola no Plano Estratégico de Reabilitação Urbana (PERU), consideramos existir uma oportunidade particularmente feliz para definir uma vocação funcional qualif**ada, que valorize o investimento público e maximize o seu impacto no bem-comum.
Um grupo de nascidos, habitantes passados e presentes e entusiastas da Foz do Douro, entre os quais muitos dos seus antigos alunos, vêm dar o seu contributo para a Criação do polo cultural da Foz Velha naquela antiga escola.
Notamos que esta proposta valoriza não apenas o lado ocidental, mas o conjunto da cidade do Porto, abarcando e alargando a sua História e a sua atractividade cultural e social.
Fundamentação
A presente proposta assenta na constatação que a Foz (considerando no sentido lato englobando a Foz do Douro, Nevogilde e mesmo as raias de Lordelo do Ouro e Aldoar) tem uma história própria muito importante, quer antes da integração na cidade quer posteriormente, que merece um específico relevo.
Realçamos, sem ser exaustivos: o pioneirismo da arquitectura renascentista em Portugal, a trágica história da sua barra, a marca que a pesca (e os seus pescadores) e os marítimos (os Pilotos, por exemplo) nela tiveram, a madrugadora utilização das suas praias, os seus inúmeros literatos e artistas nascidos e visitantes (com obra datada e localizada), as suas tradicionais festividades (S. Bartolomeu à cabeça), os seus outros monumentos (Forte de S. João Baptista, Igreja Matriz, os Passos, o aqueduto, etc.), a obra artística pública, as moradias com porte, desde as do séc. XVII, às de vilegiatura e às contemporâneas, as especificidades da sua geografia (seus fios de água), das suas flora e fauna, o seu cosmopolitismo habitacional, as muitas e antigas associações desportivas e culturais, a sua relevância nalguns acontecimentos da História contemporânea do nosso país (levantamento contra as invasões francesas em 1808, o Sinédrio, que originou, 1820, o Cerco do Porto, onde as suas posições foram primordiais para a vitória liberal) etc.
Portanto, no sentido de preservação da memória local e da sua utilidade actual, da conservação do património para fruição pública, da sua sustentabilidade e racionalidade económica, e do serviço ao bem-comum, propomos:
Proposta
Que a Escola 85 se transforme num espaço multifuncional, de proximidade, que articule três dimensões complementares:
Núcleo de Memória da Foz do Douro (no sentido abrangente atrás exposto) – expositivo-museológico; arquivo e biblioteca de conteúdo local; actuante, com estudo e divulgação permanente;
Espaço de encontro, conhecimento e coesão social; promotor da participação cívica:
Núcleo de Natureza e Ambiente (enfoque no estuário do Douro e na orla marítima e nos vários cursos de água).
Não queremos aqui expor a multifacetada actividade que o espaço poderia albergar (exposições (permanente e temporárias), conferências e encontros culturais, actividades educativas com a população em geral, a escolar e a universitária, iniciativas de associações locais e das autarquias, etc.), pois isso será tarefa posterior.
Apenas umas notas finais:
Não excluímos alguma utilização comercial em parte do edifício, até para a própria sustentabilidade do espaço cultural.
O grupo signatário não se limita apenas a propor, mas também se oferece para trabalhar com a autarquia tanto na prossecução deste objectivo como na manutenção e enriquecimento futuro do espaço.
Apostamos numa originalidade de “público-privado”, em que o privado aqui tenha um interesse simples e único: o bem comum (até na angariação de património de valor histórico, documental e artístico).
Foz, 16 de Abril de 2026
Heitor Areosa Cleto ([email protected])
Inácio Sousa ([email protected])
Joaquim Pinto da Silva ([email protected])
José António Veiga ([email protected])
Manuel Picarote ([email protected])