A Feira da Alegria — mercado de edição, transumância gráfica e escatologia comercial — está de volta a convite da Feira do Livro do Porto.
26/08/2022
A Feira da Alegria — mercado de edição, transumância gráfica e escatologia comercial — reúne colectivos que se expressam através do múltiplo gráfico: serigrafia, gravura, tipografia, ilustração, fotocópia e artefactos com inscrição incerta. A Alegria distingue-se por privilegiar fenómenos de comunicação lenta, opaca e texturada, numa combinação heurística entre artes visuais, som e literatura. A amálgama gráfica de objectos com um tempo de publicação definido pelo acidente e pela ocasião é um desafio criativo para quem publica e para quem vê. Este ano a Feira da Alegria combina a edição com um conjunto de pequenos eventos sonoros e performativos que dará outra cor à sua participação na Feira do Livro.
Artistas e Projetos Participantes:
AEFBPAUP
ALBERT TANNAT
ANA REUSS
ANA SEIXAS
ANA TORRIE
ANDRÉ CAETANO
ANTUMBRA PUBLISHING HOUSE
BEATRIZ TEIXEIRA
BIAKOSTA
BÁRBARA R.
CAROLINA CELAS
CAROLINA GARFO
CONXITA HERRERO
D.VANDERH
DAVID PENELA
DIANA AMARELO
DIOVO
DOUTOR URÂNIO
EDICIONES HUMILLADAS
EDICIONES VALIENTES
EDIÇÕES AMATEUR
EDIÇÕES DA RUÍNA
EIXA & VENDO ORO
ELIAS TAÑO
EMECERAMICS
ERVA DANINHA
FANZINEOLOGÍA
FOJO
GABINETE PARATEXTUAL
ISADORA MACHADO
JOANA LOURENCINHO CARNEIRO
JOAQUIM PIRES
JORGE MARGARIDO
KEVIN
LA OLIWA
LAURA P PRIVADO
LOUCOS POR REGRESSAR (AO PARAÍSO)
LOVERS & LOLLYPOPS
LUCIANA BASTOS - ART ON WHEELS
MARCA BRANCA
MARCELO CLAPP
MARGARIDA ALMEIDA
MARGOO
MARIA CORVACHO
MARIA INÊS GOMES
MARIANA MALHÃO
MARIANA, A MISERÁVEL
MASSACRE
MATILDE RIBEIRO
MISS ANGA
NADA POUCO QUASE MUITO
NICOLAU
OFI ATALAIA
OFICINA ARARA
OFICINA MESCLA
ORINOCO
ORO ÍRIS
PALPABLE PRESS
PARALAXE
PATRICIA SHIM
PILAR DEL RÍO
RATAS GRÁFIKAS
REUNIÃO APÓCRIFOS FORAGIDOS
REVISTA DOSE
REVISTA PREGO
RITARDO
RUI MOURA
SISMÓGRAFO
SOA COLLECTIVE
STOLEN BOOKS
STRANE EDIZIONE
SUBSERI LA STAMPERIA SOTTERRANEA
TALMUD EDITIONS
TAMIRES MAZZO
TERESA REGO
TILO
TINA SIUDA & NOT SO FAST PRESS
TOMÁS QUALQUERCOISA
TOMÉ TOMÉ
TURBINA ASSOCIAÇÃO CULTURAL
UMA JOANA
VIVAS, VIVAS, MUITO VIVAS
Z B I R I
28/08/2020
A convite da Feira do Livro do Porto estamos de volta no fim-de-semana de 5 e 6 de Setembro. Um chorrilho de novidades vos esperam nos Jardins do Palácio de Cristal. Inté
Cartaz da Mariana Malhão
21/07/2020
Olá a todos! Afinal estamos de volta. A convite da Feira do Livro do Porto irá acontecer uma edição extraordinária da Feira da Alegria nos dias 5 e 6 de Setembro. Devido às limitações de espaço iremos ter um número reduzido de participantes e não vamos poder organizar um open call. Vamos lançar convites que dão prioridade aos participantes que colaboram regularmente com a organização da feira, aos sócios do P.A.F.C. e a alunos da F.B.A.U.P. Agradecemos todo o vosso apoio e interesse, e esperamos voltar para o ano nas condições habituais.
21/05/2020
Como todos já podíamos imaginar, a feira terá de ser adiada — esperemos conseguir voltar este ano, quem sabe… daremos notícias em breve.
16/03/2020
Respondendo a algumas mensagem que nos foram enviadas, o Open Call para a feira será feito a partir de maio.
Percebemos que é provável e bastante possível que esta tenha de ser adiada, mas não perdemos nada em continuar a sonhar e programar alguma coisa para depois deste vírus. 🤞
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Se ficarmos em casa talvez consigamos ir à feira.
Se ficarmos em casa podemos já pensar no que levar à feira.
11/02/2020
As fotografias do Dinis Santos da feira do ano passado. Neste ano a feira será nos dias 20 e 21 de Junho, vão já apontando nos vossos calendários! Mais novidades para breve.
11/02/2020
14/06/2019
A Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto abre portas à Feira da Alegria. Entre os dias 13 e 16 de Junho, mais de 120 artistas nacionais e internacionais vão expôr e vender trabalhos.
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Manifesto Antropófago, Oswald de Andrade, 1928
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O artista é um vanguardista/visionário da precariedade que antecipa a iminente obsolescência do emprego perpetrada pela tecnologia e se especializa como um prestador de serviços ocasional. Da sua incapacidade de distinguir e separar o ócio do trabalho, o artista emerge como o verso absurdo do empreendedor que dispõe, com total subserviência e altivez moral, da totalidade do seu tempo em troca de nada, ou por muito pouco. Nunca o campo da arte teve tantos artistas ao seu serviço, uma força de trabalho submersa e dormente composta por centenas que diariamente se consignam pelos serviços educativos, em apoio terapêutico, no atendimento, na vigilância de galerias, na decoração, em montagem, etc.; e nunca foi tão ínfima a probabilidade de estes se fazerem representar para além da assistência que fornecem.
Desta impossibilidade crítica, e à sua revelia, surge a necessidade de criar estruturas e formas de sobrevivência criativas, que são genericamente categorizadas como alternativas ou independentes, e que, por norma, estão resignadas a se constituir como movimentos individualizados, difusos e dispersos. É, portanto, imperativo que ciclicamente se tente agregar em eventos estes esforços improváveis de subsistência artística, de modo a tornar efectiva a comunidade que se intui existir. É neste cenário contraditório e entrópico que interessa que surja a Feira da Alegria e que, de acordo com o Manifesto Antropófago, se proceda à «absorção do inimigo sacro para o transformar em totem».
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Happiness is the real proof
Manifesto Antropófago (Cannibal Manifesto),Oswald de Andrade, 1928
The artist is a visionary of precarity that anticipates the imminent obsolescence of jobs perpetrated by technology and specializes as an occasional service provider. From the inability to distinguish and separate leisure from work, the artist emerges as the absurd opposite of the entrepreneur that offers, with total subservience and moral grandeur, the totality of his time in exchange of nothing, or very little. Never the art field had so many artists at its service, a dormant and sunken labor force composed of hundreds that daily occupy themselves of the educational services, therapeutically support, desk attendance, galleries surveillance, decoration, assemble of exhibitions…; and never there was a smaller probability of being represented in another capacity than in the role of service provider.
From this impossibility, and especially despite it, it is vital to enable structures and modes of artistical survival, generically categorized as alternative or independent, that unfortunately tend to be individualized efforts, scattered and blurry. It is imperative to regularly aggregate these improbable efforts of artistical survival so that the community we believe to exist becomes real. It is in this chaotic and entropic scenario that Feira da Alegria comes to be and wishes to follow the Manifesto Antropófago by “absorbing the sacred enemy and transforming him into a totem.”
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La alegría es la prueba del nueve
Manifesto Antropófago, Oswald de Andrade, 1928
El artista es un vanguardista/visionario de la precariedad que anticipa la eminente obsolescencia del empleo perpetrada por la tecnología y se especializa en ejercer como prestador de servicios ocasional. De su incapacidad de distinguir y separar el ocio del trabajo, el artista emerge como el verso absurdo del emprendedor que dispone, con total subordinación y altivez moral, de la totalidad de su tiempo a cambio de nada, o a cambio de muy poco. Nunca el campo del arte tuvo tantos artistas a su servicio, una fuerza de trabajo sumergida y adormecida compuesta por centenares de personas que diariamente se encomiendan al servicio educativo, al apoyo terapéutico, a la atención al público, a la vigilancia de las galerías de arte, a la decoración, al montaje de exposiciones…; y nunca fue tan ínfima la probabilidad de que todas ellas puedan ser representadas mas allá de la asistencia que proporcionan.
De esta imposibilidad crítica, e incluso a pesar de ella, surge la necesidad de crear estructuras y formas de supervivencia creativas, que son genéricamente categorizadas como alternativas o independientes, y que, por norma, están resignadas a constituirse como movimientos individualizados, difusos y dispersos. Es, por tanto, imperativo que cíclicamente se intente convocar y reunir todos estos esfuerzos improbables de subsistencia artística, con la intención de convertir en efectiva esta susodicha comunidad que parece existir. Es en este escenario contradictorio y entrópico que interesa que surja la Feira da Alegria y que, de acuerdo con el Manifesto Antropófago, se proceda a la «absorción de enemigo sacro para transformarlo en tótem».