27/08/2026
O Anzol (2009), de Gemma Rodríguez, tradução e encenação de Ana Vitorino, Carlos Costa, Catarina Martins: “A mim o que me mete medo é que haja uma explosão e ai eu nao asfixiava mas íamos todos pelos ares e o prédio ficava feito em pedaços. E toda a história terminava com uma enorme cratera cheia de escombros e carne humana esturricada. Os tipos de gás acham que eu tenho de ser mais positiva.”
Fotografia: Paulo Pimenta [Ana Vitorino, Carlos Costa, Catarina Martins, Pedro Carreira]
Em agosto, estamos perdidos no arquivo, entre 1996 e 2012.
No ano passado, na primeira edição deste (a)gosto no arquivo, todas as imagens publicadas eram fotografias de fotografias, portanto o mais básico do básico: fotografar com o telefone uma imagem analógica impressa em papel fotográfico. E é neste estado - entre improviso e falta de recursos - que se encontra o arquivo das artes performativas em Portugal; e sem arquivos não há memória, sem memória não há identidade, sem identidade não há inscrição social, sem inscrição social não há reconhecimento, ou pelo menos o devido reconhecimento.
Mas em 2026 estão a ser dados passos decisivos: por um lado, o governo acaba de consagrar as práticas de arquivo como um domínio elegível para atividades financiadas no âmbito do apoio às artes; e no VU já investimos num disco de 4TB dedicado exclusivamente ao arquivo e estamos a evoluir na qualidade das digitalizações, sempre com a generosa orientação do Arquivo Histórico Municipal do Porto.
Todas as imagens partilhadas neste verão estão creditadas, indicando os nomes das pessoas fotografadas; são ainda acompanhadas de um pequeno excerto do texto do espetáculo em causa.