08/04/2025
O fim dos “sonhos dos corvos”
A história começou com um livro. “Maqāmāt al-Ṭuyūr” de Attar de Nishapur—um livro milenar que conta a história de pássaros que partem numa jornada espiritual em busca da mítica Simorgh, apenas para descobrirem, no final, que a Simorgh estava dentro deles o tempo todo. Quando “Maqāmāt al-Ṭuyūr” me chamou, foi o corvo que se revelou antes de qualquer outra ave. No texto de “A Conferência dos Pássaros” (Manṭiq-uṭ-Ṭayr), não havia menção ao corvo, mas ele estava lá. Talvez me chamasse por saudade de Teerão, a cidade cujo som, para mim, é o som dos corvos.
Os corvos não me largaram. Durante uma semana inteira, desenhei-os sem cessar. Com grafite, carvão, tinta-da-china, acrílico. O meu caderno encheu-se de corvos. Os peregrinos do vento revelaram-me, pouco a pouco, os seus contrastes: sabedoria e travessura, silêncio e murmúrios incessantes, voo e quietude, escuridão e luz. Os corvos sempre foram mensageiros.
Estas pequenas aves negras, que viveram durante séculos nas sombras das superstições, Guardam consigo verdades ocultas. Mas aqui, em “O Sonho dos Corvos”, o corvo não é apenas um mensageiro, mas um viajante. Se, em “A Conferência dos Pássaros”, as aves cruzam sete vales para encontrar Simorgh, os meus corvos também iniciaram a sua jornada—através da tinta e do carvão, das linhas e das sombras—para descobrir uma verdade ainda desconhecida.