29/07/2020
Fiquei tão feliz com a crítica do Henrique Alvim às Cápsulas de Luz, que tenho de partilhar:
"Estive a ver o teu trabalho artístico e quero dar-te os parabéns pois está bem interessante e pertinente, para os tempos de louco movimento sem sentido a que o mundo dos homens "científicos" nos quer levar. A imagem do belo, cristalizado e eternizado na memória de quem o sente, está bem presente nas tuas peças. Assim como o abismo humano, onde não descortinamos sentidos e verdades absolutas após a morte da moral e de Deus. Contemplar as tuas peças é confrontarmo-nos com a nossa insignificância, e com o único refúgio que nos resta - o viver perigosamente com os nossos instintos mais animais e cruéis (pré-morais) no meio de uma natureza (e das construções humanas que a glorificam) que se quer misteriosa, terrível, enigmática, longe de racionalizações e perto dos nossos sentidos (já não mortificados pelas grandes religiões). Há algo de Bergman, no teu jogo de luzes e sombras, e também de Grego pelo rigor austero e verdadeiro, onde a luz tem o centro, e as sombras um papel paradoxal do seu realce. Gostei imenso da peça Serralves onde ouvimos uma brisa no murmúrio da folhagem, refletindo vozes primordiais e primitivas".
Uau. Obrigada João.