21/06/2026
Observo a vida dos que obtêm o que precisam,
desde as formas mais usuais
até às mais invulgares.
Como, talvez,
cavalgando uma bicicleta que não sai do lugar,
forçando o corpo a suar até a alma:
sabendo de antemão que
nada lhe será exigido,
nem nunca a ouvirá protestar...
Para seguirem com calma,
Sem precisarem de se abrirem
(nem de amarem) a ninguém.
Quanto a mim, tento ver o positivo
em todas as recusas e situações,
por muito que se encontre escondido...
Afirmam que um escritor atinge um pedestal
em que se torna mais hábil, assim:
quanto acumula as emoções borbulhantes,
como vulcão prestes a explodir,
para sentir uma ânsia incontornável
de verter tudo no papel (agora mais digital)...
Tal como o rio não consegue lutar,
(por muito teimosos que sejam os tripulantes)
com a necessidade fiel de correr para o mar,
sigo sendo água: gelada, límpida e revolta,
buscando porto de abrigo sólido e capaz
da força necessária para querer e saber aceitar
que ela é furacão mortal tal como fonte de vida e paz:
acolhendo-a, sem medo, entre robustos braços de rochas
para que esta possa, finalmente, descansar.
Texto de Lia Wolf
Quadro: "O navegador"
óleo sobre tela assinado,
GERALDO COM MOLDURA 45x34.