Lia Wolf em letras

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01/06/2026

💙

Ontem foi um dia bom.Fui de Flixbus às 6h da manhã para Lisboa e dormi mais de metade da viagem.Estive com a minha famíl...
01/06/2026

Ontem foi um dia bom.

Fui de Flixbus às 6h da manhã para Lisboa e dormi mais de metade da viagem.

Estive com a minha família o dia todo, algo que já não fazia há muito tempo e soube mesmo muito bem.
Almocei com eles, passeamos, conversamos e ainda deu para comermos um gelado, à tarde. 😋

Tive também a visita de uma pessoa a quem eu tive o prazer de poder ajudar com o pouco que sei e que fez questão de me vir agradecer pessoalmente. Não precisava. O bem que se espalha de uma maneira ou de outra regressa a nós. O mundo é "redondo", todos estamos interligados e as nossas acções para com os outros têm mais impacto na nossa vida do que as pessoas se apercebem.

Vi a apresentação de um livro (o motivo que me levou lá) de alguém muito estimo e com grande significado para mim.

Passeei na feira do livro de Lisboa, onde ainda encontrei um livro, que comprei para oferecer à minha filha, e um gato azul com quem não resisti a tirar uma foto.

Ao fim do dia regressei ao Porto, novamente numa camioneta da FlixBus, mas aí já não correu tão bem, pois atrasou-se mais de 1h, estive quase a provocar um motim e a fazer a requisição civil de um dos autocarros lá parados, e vir eu a conduzi-lo para o Porto. Acabei por chegar ao Porto com mais de 1h de atraso: já passava da 1h da manhã de hoje.

Mas valeu tudo a pena pois são memórias doces que guardarei no meu coração: especialmente o tempo passado com a minha família.

Hoje acordei mais tarde, cansada e com dor de cabeça.

Mas nada que, um pequeno almoço, a medicação (!) e um dia em que tentarei descansar o máximo que puder, para recuperar, não se consiga ultrapassar.

A vida é feita destas grandes alegrias. 🩵

Lia Wolf
Minimalista

31/05/2026

Música linda.

Duas gatas azuis. À solta em Lisboa.
31/05/2026

Duas gatas azuis. À solta em Lisboa.

A maior roda gigante da América Latina.Foto de Leandro Costa.
27/05/2026

A maior roda gigante da América Latina.
Foto de Leandro Costa.

Working on my Danish learning.
27/05/2026

Working on my Danish learning.

22/05/2026

A depressão é real. E a dor é, muitas vezes, fatal.
E as mais danosas são as que não fazem alarde,
As que olham o abismo a dançar, com estoicismo
Mas sentem o ostracismo, o silêncio, bem calcadas
Cobertas por caras sorridentes, piadas e gargalhadas.
E escapam a todos em redor, até ser demasiado tarde.
Revelam-se de surpresa, quando a alma se cansa

Olá. Eu sei que é tarde, mas, a mim, parece-me que o dia está a começar. Mas sem noite de intervalo. Eu passo a explicar...
19/05/2026

Olá. Eu sei que é tarde, mas, a mim, parece-me que o dia está a começar. Mas sem noite de intervalo. Eu passo a explicar.

Preciso de uma ajudinha. Coisa pouca. Apenas alguns palpites totalmente desprovidos de conhecimento, enquadramento e razão: tudo o que o típico português mais gosta. Questionar um médico sobre assuntos de saúde?! Para quê?! Quando se pode vir colocar as perguntas mais idiotas numa plataforma como está e ser brindado com todo o tipo de respostas descabidas e potencialmente perigosas. Afinal de contas, que seria da vida sem um pouco (ou muito, no caso da minha) de animação?

Digamos que, hipoteticamente, eu poderia ter tomado os comprimidos da manhã em vez dos da noite, ao deitar-me.

Imaginemos, em ringue: de um lado, um psicoestimulante e um antidepressivo, ambos de luvas de boxe calçadas; e, do outro lado, à procura das luvas, um anti-histamínico de 1a geração, uma benzodiazepina e um sedativo.

Hipoteticamente poderia ter-me o ocorrido vomitar, pois tinha acabado de os engolir e não poderiam estar assim tão longe do buraco de entrada.

Alegadamente se eu tivesse feito um bypass gástrico, seria extremamente difícil conseguir vomitar fosse o que fosse, pois quem os faz sabe que é muito improvável conseguir tal feito, tomando em consideração que, simplificando, não temos estômago. O máximo que se consegue é regurgitar e isso é quando se enche demasiado (em quantidade e ou velocidade) o depósito e ele expulsa tudo (ou parte) novamente cá para fora.

Vai daí, hipoteticamente claro!, restam-me poucas alternativas. Digam-me, vocês, qual vos parece melhor:

Opção A - aceito Cristo redentor no meu coração e preparo-me para o ir conhecer, ainda esta noite;

Opção B - deito-me na cama e finjo que nada aconteceu, até milagrosamente adormecer (sem saber se acordo outra vez) ou, mais provavelmente, se tornar impossível continuar a fingir e permanecer deitada, sem fazer nada;

Opção C - pego no meu computador portátil, vou para a poltrona que tenho (para trabalhar confortável) ao fundo da cama e aproveito para reduzir, de 500 para 495, os assuntos em atraso.

Opção D - fico no telemóvel a fazer scrolling e escrever parvoíces na minha página, até a manhã chegar e eu ter de sair de casa com cara de panda mal humorado (se é que tal ser existe) e deixo fritar os poucos neurónios que me restam;

Opção E - perco de vez o amor à vida e, numa atitude claramente suicida, vou ao hospital de São João e interrompo a passagem de turno das enfermeiras.

Os meu caros leitores (amigos, assim-assim ou antes-pelo-contrário), façam o obséquio de me dar a vossa opinião, escrevendo nos comentários qual é a vossa escolha entre as 5 opções apresentadas.

Hipoteticamente, claro!

Lia Wolf

Repescado sentimentos alheios e poemas (im)próprios...AUSÊNCIASPegou na caneta, numa folha em branco, sentou-se à secret...
14/05/2026

Repescado sentimentos alheios e poemas (im)próprios...

AUSÊNCIAS

Pegou na caneta, numa folha em branco, sentou-se à secretária e repetiu o gesto: o mesmo gesto de todos os dias.

«Olá, meu amor!
Escrevo para te dizer que estou triste. Esta noite não dormi quase nada. Esta, como todas as outras.
Nos poucos momentos que dormitei, sonhei contigo. Connosco. Com um tempo feliz que se extinguiu: fora da minha memória. Com a curva do teu pescoço; o sorriso, aquoso, nos teus olhos; o mel, escorrendo, no arfar do teu desejo.
Acordei com uma erecção inútil: tão inútil como todas as outras, desde que partiste.
Recordas aquela foto, em que estamos num abraço gargalhante, como se o amor fosse invencível: como se nós fôssemos invencíveis? Queimei-a. Perdeu a cor com o sal das minhas lágrimas. Ou talvez a tenha sonhado, tudo seja um borrão de memórias inventadas. Desapareceste tu. Desapareci eu. Desapareceu tudo. Só restam sombras negras: na tua ausência, na minha vida.
Lembro esse dia fatídico como se fosse hoje. Agora. O som do baloiço, musicando a tua gargalhada. O sabor a maresia a emanar do teu corpo. A areia que parecia fazer parte de todos os recantos. Lembro-me que cantarolavas uma canção, depois, enquanto descansávamos o amor, lado a lado, a namorar as estrelas do céu.
Lembro o vento a despentear o teu cabelo. Ou talvez fosse eu, no auge da paixão. Às vezes, a memória atraiçoa-me. Esqueço que já não estás aqui. Dou comigo a perguntar o que queres para o pequeno-almoço e vejo-te lamber os lábios famintos, enquanto respondes: tu!
Ontem fiz torradas com compota de mirtilo. A tua preferida, lembras-te? E eu nem gosto de compota de mirtilo! Sobraram imensas, claro, porque as fiz a contar com o teu apetite; e com o meu; mas nenhum compareceu.
Enfim. Não te maço mais.
Hoje comprei um ramo de açucenas. Sei que as adoras e que te dão alergia - e alegria. Talvez te arranquem um sorriso. Ou, quem sabe, te tragam num espirro.
Até amanhã. Não me esqueças. O baloiço continua aqui: vazio, à tua espera – tal como eu.

Teu
Eu.

Meu
Tu.»

Levantou-se, dobrou a carta e meteu-a no bolso da lapela. Olhou pela janela, pegou no ramo de flores e saiu.
Dizem, as vozes do povo, que as cartas deixadas, todas as noites, no túmulo da mulher, aparecem abertas e molhadas, no amanhecer do dia seguinte. Se é chuva ou lágrimas, ninguém sabe esclarecer.

Lia Wolf

AUSÊNCIAS

Pegou na caneta, numa folha em branco, sentou-se à secretária e repetiu o gesto: o mesmo gesto de todos os dias.

«Olá, meu amor!
Escrevo para te dizer que estou triste. Esta noite não dormi quase nada. Esta, como todas as outras.
Nos poucos momentos que dormitei, sonhei contigo. Connosco. Com um tempo feliz que se extinguiu: fora da minha memória. Com a curva do teu pescoço; o sorriso, aquoso, nos teus olhos; o mel, escorrendo, no arfar do teu desejo.
Acordei com uma erecção inútil: tão inútil como todas as outras, desde que partiste.
Recordas aquela foto, em que estamos num abraço gargalhante, como se o amor fosse invencível: como se nós fôssemos invencíveis? Queimei-a. Perdeu a cor com o sal das minhas lágrimas. Ou talvez a tenha sonhado, tudo seja um borrão de memórias inventadas. Desapareceste tu. Desapareci eu. Desapareceu tudo. Só restam sombras negras: na tua ausência, na minha vida.
Lembro esse dia fatídico como se fosse hoje. Agora. O som do baloiço, musicando a tua gargalhada. O sabor a maresia a emanar do teu corpo. A areia que parecia fazer parte de todos os recantos. Lembro-me que cantarolavas uma canção, depois, enquanto descansávamos o amor, lado a lado, a namorar as estrelas do céu.
Lembro o vento a despentear o teu cabelo. Ou talvez fosse eu, no auge da paixão. Às vezes, a memória atraiçoa-me. Esqueço que já não estás aqui. Dou comigo a perguntar o que queres para o pequeno-almoço e vejo-te lamber os lábios famintos, enquanto respondes: tu!
Ontem fiz torradas com compota de mirtilo. A tua preferida, lembras-te? E eu nem gosto de compota de mirtilo! Sobraram imensas, claro, porque as fiz a contar com o teu apetite; e com o meu; mas nenhum compareceu.
Enfim. Não te maço mais.
Hoje comprei um ramo de açucenas. Sei que as adoras e que te dão alergia - e alegria. Talvez te arranquem um sorriso. Ou, quem sabe, te tragam num espirro.
Até amanhã. Não me esqueças. O baloiço continua aqui: vazio, à tua espera – tal como eu.

Teu
Eu.

Meu
Tu.»

Levantou-se, dobrou a carta e meteu-a no bolso da lapela. Olhou pela janela, pegou no ramo de flores e saiu.
Dizem, as vozes do povo, que as cartas deixadas, todas as noites, no túmulo da mulher, aparecem abertas e molhadas, no amanhecer do dia seguinte. Se é chuva ou lágrimas, ninguém sabe esclarecer.

LIA WOLF

(Texto escrito, há uns anos, para uma outra página, para a rúbrica "Autor residente")

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