Copos, Festas&Arte

Copos, Festas&Arte Copos, Festa&Arte onde encontras propostas de arte, eventos e algo com festa e alegria. Bem vindos ๐Ÿ˜ƒ

Um olhar e a divulgaรงรฃo do que se passa entre nรณs...Copos, Luz e Som sรฃo o pontapรฉ de saรญda para Copos, Festas&Arte onde vamos partilhar e divulgar as festas, os festivais, a gastronomia, os talentos entre outras sugestรตes que vรฃo fluir naturalmente....

16/08/2026

๐—˜๐—ก๐—ง๐—ฅ๐—˜๐—ฉ๐—œ๐—ฆ๐—ง๐—” โ€“ ๐—”๐—ก๐—” ๐—•๐—ฅ๐—จ๐— 
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Natural de Angra do Heroรญsmo, a aspirante a arqueรณloga descobriu por pรณs mรกgicos que era nas artes performativas que conseguiria criar e expandir a sua prรณpria histรณria, sem โ€œsujarโ€ as mรฃos. Foi para Lisboa, formou-se pela Escola Superior de Teatro e Cinema, e pela capital ficou durante 20 anos que lhe moldaram a visรฃo profissional, humana e artรญstica. Voltou aos Aรงores com a missรฃo de provar โ€“ sem pedantismos โ€“ que รฉ possรญvel profissionalizar a actividade e, mais importante, honrar e valorizar as tradiรงรตes de um povo tantas vezes descrente de si prรณprio. Faz isto em conjunto com um grupo de intrรฉpidos e apaixonados artistas, enquanto nos relembra, de forma sublime, como as artes impulsionam e fazem transcender o ser humano. Bem-vinda, Ana Brum. Bem hajam Cรฃes do Mar.

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Eu nasci em Angra, como na altura quase toda a gente nascia aqui na ilha, e cresci na costa norte, nos Biscoitos, atรฉ mais ou menos ร  minha adolescรชncia. Depois, vivi mais uns anos em Angra. Queria ser arqueรณloga desde os meus 7 ou 8 anos, mas cheguei ร  conclusรฃo, aos 17 anos, de que, afinal, o que eu queria fazer mesmo era teatro.

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O que eu descobri foi que conseguia fazer quase tudo aquilo de que gostava no teatro, ou seja, desenhar, pintar, imaginar coisas, usar a histรณria - tudo e mais alguma coisa.

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ร‰ outra forma. Acabei por desistir da ideia de ser arqueรณloga e decidi que a melhor maneira era mesmo ser cenรณgrafa. Fui para Lisboa, para o curso da Escola Superior de Teatro e Cinema, que, na altura, jรก tinha esse nome, embora ainda fosse conhecida como o conservatรณrio de teatro. Fiz o curso de Teatro - variante em Design de Cena hรก 30 anos, precisamente. Vivi quase 20 anos em Lisboa, mas com passagens por outros sรญtios, pois eu saรญa muito de Lisboa para trabalhar noutras regiรตes, sobretudo nas Beiras. Hรก cerca de dez anos, voltei para os Aรงores por uma mistura de razรตes pessoais e profissionais. Acabei por f**ar por cรก, m***ar a companhia Cรฃes do Mar, inicialmente com mais duas pessoas que sรฃo fundadoras โ€“ o Ricardo รvila e o Hรฉlder Xavier. A Cรฃes do Mar estรก prestes a fazer dez anos.

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Informalmente, faz dez anos em Janeiro, na apresentaรงรฃo do primeiro espectรกculo, ยซOs Amores Encardidos de Padi e Balbinaยป -, e, depois, formalmente, em Setembro, com a criaรงรฃo da associaรงรฃo, em 2017.

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Sim, comeรงรกmos a ensaiar em 2016. Por exemplo, a primeira proposta que fizemos para o projecto Rua Direita โ€“ na altura, ร  Cรขmara Municipal de Angra do Heroรญsmo โ€“ foi em 2016, quando eu e o Peter Cann comeรงรกmos a escrever o projecto. Portanto, sim, 2016 รฉ mesmo os primรณrdios.

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Sim, e tambรฉm dentro do que nรฃo gostava. Quando temos de pagar as contas, temos de aceitar, por vezes, fazer coisas de que nรฃo gostamos tanto. Algo que acho que aprendi a valorizar foi que, mesmo quando fazemos trabalhos de que nรฃo gostamos โ€“ nรฃo digo por serem maus ou menos bons โ€“, aprende-se sempre, quando mais nรฃo seja o que nรฃo se deve fazer. O erro รฉ importantรญssimo para a aprendizagem. Eu nรฃo trocava aqueles 20 anos em Lisboa por nada. Fiz muitos e bons amigos, trabalhos de que gostei muito e trabalhos de que nรฃo gostei absolutamente nada. Passei por situaรงรตes que me sรฃo memรณrias muito gratas. Gostei muito de trabalhar, por exemplo, com a Companhia Teatral do Chiado, que jรก nรฃo existe, cuja estรฉtica nรฃo รฉ propriamente aquela com que mais me identifico, mas foi um projecto muito divertido.

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ร‰ muito importante quando as pessoas tรชm uma alegria sincera no trabalho. Por exemplo, colaborei com a Propositรกrio Azul numa altura em que tinha acabado de sair de uma companhia e estava sem trabalho. Entretanto, um grande amigo meu chega ao pรฉ de mim e diz-me: โ€œTu alinhavas em fazer um projecto com a Propositรกrio, porque nรณs nรฃo temos dinheiro; temos 50 euros (isto em 2006) de fundo de produรงรฃo.โ€ Era todo o dinheiro que havia, mas tinham uma co-produรงรฃo com o Teatro da Trindade que lhes permitia acesso ao espaรงo, ao palco e ร  sala grande da Trindade durante dois meses. Eu pensei: โ€œO que รฉ que tenho a perder? Nada assim de especial.โ€ Alinhei, preparei os materiais โ€“ o pessoal da Trindade foi incrรญvel, arranjaram-nos materiais que nรณs nรฃo tรญnhamos. Um dia vou dar uma volta pelo Bairro Alto, que era ali ao lado, e encontro imensa tinta e materiais de pintura no lixo โ€“ eram de um atelier que tinha sido despejado. Portanto, pintรกmos imensa coisa com isso, arranjรกmos roupas, sabe-se lรก onde; o designer era meu namorado, logo, trabalhou de graรงa, e a grรกf**a ofereceu os cartazes e os postais. No final, depois de vendermos o espectรกculo, de fazermos a bilheteira e de vendermos nรฃo sei quantos outros espectรกculos โ€“ foram muitos, sobretudo no Alentejo โ€“ revelou-se o trabalho que mais dinheiro me deu naquele ano. Alรฉm disso, fartรกmo-nos de divertir.

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Sim, correu muito bem. Foi um trabalho que gostei muito de fazer e que partilhei com pessoas fantรกsticas.

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ยซSalรฃo de Baileยป. Era um projecto criado a partir da observaรงรฃo e pesquisa em salรตes de baile em Lisboa, daqueles tradicionais que as pessoas frequentavam, sobretudo as mais velhas, para passar tempo e encontrar quem fizesse companhia. Havia um caso ou outro de pessoas que se conheciam e que seriam futuros companheiros. Uma amiga contava-me, por exemplo, a histรณria de uma avรณ, muito activa e dinรขmica, que frequentava os bailes no Seixal. Como era muito divertida tornava-se muito atraente. Desse modo, os senhores, a maioria deles viรบvos, andavam sempre ali a โ€œborboletearโ€ ร  volta delaโ€ฆ

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Pois! Volta e meia, a senhora aparecia em casa com umas joias, uns anรฉis, e os filhos entravam em desespero, dizendo: โ€œMรฃe, qualquer dia aparecem os filhos deles a perguntar pelas joias!โ€ Ela respondia: โ€œPorque nรฃo hei-de aceitar?โ€

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Nรฃo, de todo. Eu acho que a maioria das pessoas nos Aรงores โ€“ talvez um pouco menos na Terceira por causa de alguns grupos de teatro amador - nรฃo tinha acesso ร  ideia de teatro e, sobretudo, de fazer teatro profissionalmente. Primeiro, porque para a maioria esmagadora das pessoas, sair daqui e nรฃo voltar era quase um tabu. Havia, inclusive, uma espรฉcie de forte reacรงรฃo ร  possibilidade de se criarem estruturas profissionais de teatro aqui nos Aรงores โ€“ lembro-me de isso acontecer hรก 20 ou 30 anos, ou atรฉ hรก bem pouco tempo, se calhar ontem. A profissionalizaรงรฃo nรฃo era uma coisa muito desejada, ou vista com muito bons olhos em termos de criaรงรฃo artรญstica. Ser-se amador รฉ muito fixe, muito giro, mas โ€œolhem, arranjem um emprego a sรฉrio que nรณs nรฃo vamos estar aqui a investir nissoโ€. Durante vรกrias dรฉcadas, qualquer artista aรงoriano que quisesse realmente ter um percurso na รกrea da criaรงรฃo, tinha de fazer as malas e nรฃo voltar. Nรฃo me esqueรงo de uma conversa com o Josรฉ Nuno da Cรขmara Pereira - com quem tive aulas de desenho e a quem estou muito agradecida. Eu explicava-lhe a situaรงรฃo, ao que ele respondeu, segurando a minha mรฃo com aquele ar muito gentleman: โ€œMinha querida, vai. Fico muito feliz. Vai e nรฃo voltes.โ€ Ele sabia o que era voltar.

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Acabei por voltar, um bocadinho contra as minhas expectativas, pelo menos as iniciais, mas ainda bem que voltei. Confesso que sinto saudades do acesso - sobretudo disso - a bens culturais que aqui nรฃo hรก, de todo. Sinto falta de ver determinado tipo de peรงas de teatro, coisas que sรฃo eventualmente mais desafiadoras do ponto de vista intelectual e que na maioria esmagadora das vezes nรฃo consigo aceder aqui. Nรฃo temos esse substrato, pelo menos ainda, e sinto falta disso. Sinto tambรฉm falta dos amigos e de um certo anonimato que sempre adorei em Lisboa. ร‰ uma liberdade imensa nรฃo estar presa ร s expectativas sociais de uma terra pequena. Acho que isso permitiu-me g***r Lisboa de uma forma incrรญvel durante 20 anos. Claro que ao fim desse tempo, jรก corria o risco de sair ร  rua e ser reconhecida por alguรฉm - Lisboa nรฃo รฉ assim tรฃo grande.

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ร‰ uma das coisas boas. No entanto, Lisboa hรก 30, 20 ou atรฉ 15 anos, era um conjunto de โ€œaldeiasโ€. Tratava-se de uma cidade com uma dimensรฃo jรก muito razoรกvel, mas ao mesmo tempo havia uma familiaridade muito grande por zonas, por bairros. As pessoas viviam muito o bairro. Havia a mercearia do bairro, as lojinhas do bairro, o cabeleireiro do bairro, o barbeiro do bairroโ€ฆ Tudo funcionava muito por โ€œbairrosโ€ โ€“ o talho, o cafรฉ, onde jรก toda a gente sabia que eu tomava o cafรฉ sem aรงรบcar e perguntavam: โ€œVai ser o habitual?โ€, que era um cafรฉ com uma sandes jรก nรฃo sei de quรช, ou um abatanado. E as pessoas conhecem-se, de facto, e havia uma relaรงรฃo entre elas. Nรฃo era uma cidade estรฉril, como algumas pessoas gostam de dizer.

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Sim, e tambรฉm tinha aquele comรฉrcio tradicional, na Baixa, e nรฃo sรณ, que era muito acolhedor. ร€s vezes, os comerciantes estavam de mau humor, mas fazia parte, sรฃo seres humanos. Ao ir a alguns cafรฉs jรก sabรญamos que o dono era uma pessoa muito mal-humorada, mas se precisรกssemos de alguma coisa, ele estava lรก. Entretanto, no meu entender, esta relaรงรฃo foi substituรญda em larga medida por uma Lisboa sem alma e sem pessoas, ou seja, รฉ uma Lisboa de funcionรกrios, muito โ€œdisneyf**adaโ€. Dei por mim a lembrar-me das leituras do Baudrillard sobre simulacros e simulaรงรตes. Lisboa tornou-se um simulacro de ela mesma. Jรก nรฃo รฉ Lisboa, รฉ uma versรฃo Disney da cidade que existia hรก 20 ou 30 anos - uma versรฃo para turista. As lojas jรก nรฃo sรฃo lojas antigas, mas fazem de conta que sรฃo.

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Nem isso, รฉ mais grave. Na Rua Augusta โ€“ nรฃo sei se essa loja ainda existe, porque agora estรฃo sempre a mudar -, lembro-me perfeitamente de uma camisaria muito antiga que, entretanto, fechou e foi substituรญda por outra loja que diz: โ€œDesde 1942โ€. Eu penso assim: โ€œDesde 1942? O quรช? Nรฃo estavam lรก na altura, de certeza.โ€ Evocando novamente o Baudrillard e a sua escrita sobre o que รฉ uma simulaรงรฃo e um simulacro, รฉ precisamente isto: uma versรฃo da cidade que jรก nรฃo รฉ a cidade; รฉ sรณ uma versรฃo alterada, ajustada a uma visรฃo capitalista, vendรกvel, mas que deixou de ser a cidade. A cidade jรก estรก morta. ร‰ sรณ capa.

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Sim, mas ainda hรก uma loja ou outra que subsiste. Por exemplo, a mรฃe de uma amiga minha tinha uma ourivesaria lindรญssima, muito pequenina, na Rua do Ouro - a Ourivesaria Araรบjos. Era quase um vรฃo de escada, uma coisa mesmo muito pequenina, linda! Tinha uma tela pintada no tecto, uma atmosfera, um cรฉu com umas nuvens e havia umas flores no canto, com uns roda-tectos muito trabalhados, mรณveis antigos, de 1878, data da fundaรงรฃo da loja. De um momento para o outro, a dona do prรฉdio faleceu e os herdeiros nรฃo sei o que resolveram fazer com o espaรงo. A verdade รฉ que a renda subiu de forma incomportรกvel para a ourivesaria, que teve de deixar o sรญtio. Quando lรก passei pela รบltima vez, verifiquei que agora รฉ uma loja de chapรฉus horrรญveis, โ€œmade in Chinaโ€, sem piada nenhuma, completamente descontextualizada. A tela do tecto foi retirada. A famรญlia vendou os mรณveis a uma outra ourivesaria qualquer, e tudo aquilo desapareceu. Era uma loja lindรญssima, com uma famosa fachada de ferro trabalhado. Portanto, aquela memรณria histรณrica, aquela memรณria da cidade, desapareceu, para dar lugar a uma loja de chapรฉus que me pergunto se realmente vende muitos chapรฉus, pois vejo-a sempre vazia. Serรก lavagem de dinheiro? Porque para pagar uma renda daquelas รฉ preciso vender muitos chapรฉus.

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A Cรฃes do Mar รฉ uma equipa de cinco pessoas em que hรก muitas responsabilidades partilhadas. Eu faรงo a direcรงรฃo artรญstica; a parte financeira รฉ com a minha colega Diana Rosa, que tambรฉm faz criaรงรฃo; temos a Vera Leal que faz produรงรฃo; a Bianca Mendes trabalha com a parte da mediaรงรฃo e de serviรงo educativo; o Peter Cann trabalha em termos de criaรงรฃo, mas tambรฉm muito na dramaturgia, e ajuda-me muito na direcรงรฃo artรญstica. Portanto, nรฃo consigo fazer nada disto sozinha, sobretudo nesta fase do campeonato, em que hรก cada vez mais trabalho.

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Sobretudo eu e o Peter temos uma experiรชncia profissional mais longa do que, se calhar, os nossos colegas. O Peter jรก tem uns 50 anos de carreira.

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O Peter estรก quase sempre cรก, vive cรก, atรฉ porque quando a companhia ganhou a estabilidade necessรกria para pagar ordenados, nรณs contratรกmo-lo. Nรฃo, nรฃo passa muito por aรญ, estou a ser irรณnica.

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Sim, e o clima รฉ um bocadinho melhor!

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E a รกgua do mar รฉ mais quentinha. Portanto, ele gosta do clima, gosta da comida...

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Acho que a maioria das pessoas nรฃo acreditava que isto fosse funcionar. Havia muitas dรบvidas. Diziam-se coisas como โ€œnรณs nรฃo precisamos aqui de profissionaisโ€ ou โ€œisto nรฃo pode resultar aqui nos Aรงoresโ€. Porรฉm, a verdade รฉ que jรก estava em curso todo um processo, nรฃo apenas na Cรฃes do Mar, mas em Sรฃo Miguel, com vรกrias estruturas โ€“ o Tremor, o Walk&Talk โ€“ que jรก procuravam a profissionalizaรงรฃo de outra forma e estavam realmente a conseguir ganhar um posicionamento interessante. Portanto, quando a DGArtes, em 2017, abre os concursos, houve logo duas ou trรชs estruturas que foram apoiadas. ร‰ tรฃo simples quanto isto. Portanto, quem achava que isto nรฃo tinha pernas para andar estava era distraรญdo. De facto, os Aรงores tรชm, neste momento, muitos artistas formados e preparados, embora uma boa parte deles ainda nรฃo viva cรก, uma vez que ainda nรฃo tรชm uma sedimentaรงรฃo, nรฃo hรก um movimento de criaรงรฃo assim tรฃo avultado, muito por falha de polรญticas culturais que, na verdade, nรฃo chegaram a falhar, porque nรฃo existiram โ€“ essa รฉ a grande falha. Entendo que a manter-se a relaรงรฃo que hรก com o governo central, f**a a faltar, acima de tudo, uma capacidade de visรฃo e compromisso por parte do governo regional na mesma medida, no mesmo tipo de compromisso. Nem vou dizer que รฉ na mesma medida financeira, porque nรฃo hรก comparaรงรฃo possรญvel, mas tem de haver, de facto, pessoas capacitadas na tutela da Cultura. Nรฃo hรก, de forma inequรญvoca, neste momento, pessoas capazes de ler o que se passa no sector cultural e de realmente tirar partido disso. A visรฃo รฉ mesmo muito estreita, isto quando hรก imenso a ganhar e a potenciar com o sector criativo e cultural nos Aรงores, inclusive, em termos das acessibilidades por parte das populaรงรตes. ร‰ algo que nรฃo estรก a ser realmente instrumentalizado, pensado, estudado, por pura incapacidade de quem estรก sentado atrรกs da secretรกria.

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Se calhar, hรก mรก-fรฉ, nรฃo sei, mas a incapacidade estรก lรก. Nรฃo direi que hรก mรก-fรฉ, mas, por vezes, parece.

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Sim, mas o turismo รฉ um sector altamente volรกtil e instรกvel. Como se vรช, vamos ter um Verรฃo absolutamente horrรญvel para o turismo nos Aรงores โ€“ porque houve uma guerra, porque as pessoas tรชm menos dinheiro no bolso, porque a Ryanair nรฃo estรก a voar a preรงo de amendoim, porque, de repente, hรก mais pessoas a ter uma consciรชncia ecolรณgica que as faz evitar apanhar um aviรฃo, porque รฉ poluente. Isto a mรฉdio-longo prazo vai ser um problema para o turismo nos Aรงores. Estamos extremamente dependentes dos aviรตes e vamos ter de perceber que uma coisa รฉ a nossa necessidade imediata de voar - porque estamos em ilhas โ€“ e outra รฉ o luxo de viajar de fรฉrias num aviรฃo. Portanto, talvez as pessoas que podem ir para Espanha, Franรงa ou Itรกlia de comboio, ou de barco, ou seja em que for, vรฃo comeรงar a pensar duas vezes se vรชm para os Aรงores de aviรฃo, porque, ainda por cima, รฉ caro. Estamos a ser, como dizem em inglรชs, โ€œoutpricedโ€ dos nossos restaurantes, dos nossos cafรฉs, dos nossos pousos habituais. Ainda hoje, fui a um cafรฉ onde costumava ir e paguei um euro por um cafezito normal. Os pratos do dia estรฃo cada vez mais caros, enquanto os ordenados nรฃo sobem. O preรงo do arrendamento de uma casa รฉ absurdo, sobretudo se tivermos em conta aquilo que รฉ o ordenado mediano nos Aรงores. Portanto, eu diria sobre a aposta no turismo que, mais uma vez, os Aรงores cometem um erro histรณrico! Mais uma vez colocรกmos os ovos todos na mesma cesta e um dia a cesta cai.

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Pois, os Aรงores tรชm de ser capazes de produzir algo mais. Quase tudo o que consumimos vem de fora โ€“ de aviรฃo ou de barco โ€“ e esquecemo-nos de que esta รฉ uma regiรฃo extremamente vulnerรกvel a qualquer alteraรงรฃo climรกtica. Este ano, por acaso, choveu imenso durante o Verรฃo, mas em Inglaterra โ€“ e estรก lรก o Peter โ€“ a paisagem parece um deserto. Inglaterra estรก seca, castanha, e costuma ser verde no Verรฃo. Os rios estรฃo a secar โ€“ o Danรบbio estรก seco como ninguรฉm se lembra. O mesmo acontece com o Loire, em Franรงa. De facto, temos de comeรงar a pensar que o turismo nรฃo รฉ uma actividade sustentรกvel, de todo, e tem uma pegada ecolรณgica brutalรญssima. Os Aรงores, enquanto reserva da biosfera, enquanto regiรฃo ultravulnerรกvel a este tipo de alteraรงรตes, ou mesmo a tempestades, a secas prolongadas, nรฃo tem pura e simplesmente capacidade de armazenar รกgua. Os nossos reservatรณrios naturais sรฃo porosos, nรฃo conseguimos manter a รกgua durante muito tempo. Temos muita รกgua, porque chove muito, porque รฉ hรบmido. No momento em que nรฃo for hรบmido, f**amos ร  seca. E nรฃo podemos beber รกgua do mar, como sabemos. Preocupa-me esta falta de visรฃo e de perspectiva a mรฉdio prazo - nem vou dizer a longo prazo - para a regiรฃo.

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Para a atrair as pessoas para as nossas actividades รฉ preciso perseveranรงa, em primeiro lugar. Na Terceira temos, de facto, a vida um pouco facilitada, confesso. Tambรฉm criรกmos o festival Rua Direita, que รฉ um festival muito especial.

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Sim, รฉ o rosto mais visรญvel da Cรฃes do Mar, o mais mediรกtico. O Rua Direita รฉ um projecto em que criamos microespectรกculos, de 12 a 15 minutos, nas รกreas da mรบsica, teatro, danรงa, instalaรงรตes artรญsticas. O ano passado comeรงรกmos com um projecto de pintura em montras โ€“ desactivadas ou nรฃo, รฉ uma questรฃo de convite -, mas este ano tivemos o Pantรณnio (Antรณnio Correia) a trabalhar connosco, que fez um trabalho incrรญvel. Este ano jรก conseguimos que as montras nรฃo fossem logo limpas. Inclusive, tentaram perceber como รฉ que conseguiam manter os desenhos nos vidros durante mais tempo, ou seja, das cinco ou seis montras que foram pintadas, sรณ uma รฉ que foi limpa. Portanto, se chegarem a Angra, ainda รฉ possรญvel encontrar essas intervenรงรตes do Pantรณnio. Comeรงa a haver, a pouco e pouco, este tipo de intervenรงรตes. Isso no caso das artes visuais, mas, como dizia, volta e meia jรก recebemos convites. As pessoas jรก nos perguntam: โ€œEntรฃo, quando รฉ que vรชm para a nossa loja?โ€ Porque nรณs fazemos os espectรกculos dentro de espaรงos de comรฉrcio. ร‰ possรญvel ir comprar um quilo de favas secas ao Basรญlio Simรตes, na Rua Direita, e haver um espectรกculo de danรงa a decorrer. Esta รฉ uma forma de apresentar as pessoas a este tipo de linguagens e propostas. No primeiro ano, foi um pouco mais cรณmico, porque as pessoas nรฃo estavam nada ร  espera. Era uma coisa completamente inesperada, em 2021. Lembro-me de que estava a acompanhar um espectรกculo de danรงa na Caixa Econรณmica da Misericรณrdia de Angra โ€“ o que foi um passo enorme, fantรกstico โ€“, onde se encontravam desde o casal em que o marido se punha ostensivamente de costas, porque nรฃo queria olhar โ€“ sabe-se lรก, talvez pensasse que lhe iam pedir dinheiro -, e a senhora estava de lado a ver, muito espantada, com ar de โ€œo que รฉ isto, mas atรฉ รฉ giroโ€, ao senhor que entrou e pรดs-se de costas o tempo todo, a andar ร  caranguejo, a olhar para os painรฉis nas paredes para nรฃo olhar para nรณs. Depois, havia outros que quase se esqueciam de ir ao balcรฃo quando chegava a sua vez, porque estavam entretidos a ver o espectรกculo. Certas pessoas repetiam as suas presenรงas โ€“ houve uma senhora que se tornou nossa fรฃ; foi ao banco levantar a sua pensรฃo e acabou encantada, tendo ido buscar as suas amigas; agora vรช os nossos espectรกculos todos os anos. Estas sรฃo pequenas vitรณrias: conseguir ter o senhor que vende legumes e frutas na esquina da Praรงa Velha a espreitar dois espectรกculos, o senhor que ia tomar cafรฉ no sรญtio habitual, mas jรก agora vรช o espectรกculo, ou o senhor que estรก num estabelecimento mesmo ao lado de onde decorre um espectรกculo e vai espreitar um momento de danรงa nรฃo-verbal, com violinista. Esta รฉ uma maneira de tentarmos intervir de forma mais profunda e acessรญvel junto das pessoas. Vendo bem, as pessoas, muitas vezes, nรฃo vรฃo aos espectรกculos nรฃo รฉ porque nรฃo queremโ€ฆ

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Ou acham que nรฃo gostam. De qualquer forma, รฉ preciso dar a hipรณtese ร s pessoas de experimentarem. No fundo, o Rua Direita รฉ uma espรฉcie de festival de provas - ora, venha provar! Do que gostou mais?

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Sim, mas notรกmos uma diferenรงa interessante da primeira para a รบltima ediรงรฃo, este ano em Julho, curiosamente, o equivalente ร  quebra do turismo. Das 4300 pessoas que tivemos o ano passado, este ano tivemos 3000. Portanto, hรก uma quebra que vem do turismo, e nรณs percebemos isso, porque fazemos as nossas contagens. Este ano vimos muito menos turistas, nรฃo sรณ estrangeiros, mas sobretudo continentais. De qualquer forma, muitas das pessoas que vรฃo aos nossos espectรกculos sรฃo da Terceira. ร‰ para a populaรงรฃo local que criamos as nossas actividades, nรฃo para o turismo โ€“ o turismo apanha por arrasto. Os turistas gostam, acham piada, de facto, temos esse feedback, mas o Rua Direita รฉ feito para a populaรงรฃo que vai ร  loja, que vai comprar o quilo de batatas, que vai beber o cafรฉ da manhรฃ ou da tarde - รฉ essa a relaรงรฃo. Os outros espectรกculos sรฃo de sala, ou nรฃo, porque tambรฉm temos alguma tendรชncia para fazer espectรกculos nรฃo tรฃo focados na ideia de um teatro โ€“ aquele teatro com os veludos, etc. Tentamos fugir ร  ideia do teatro como um espaรงo ร  parte; o teatro tem de fazer parte do nosso quotidiano.

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Nรฃo, de todo. Por exemplo, temos um espectรกculo โ€“ que tambรฉm fizemos em Sรฃo Miguel, na cervejaria Vulcana, na Ribeira Grande -, intitulado ยซA Noite dos Justosยป, que era sobre a Justiรงa da Noite. Os nossos temas tentam espelhar aquilo que รฉ a histรณria do territรณrio, as memรณrias comuns, a relaรงรฃo das comunidades com a sua histรณria. O prรณximo espectรกculo a estrear รฉ sobre a histรณria da Violante do Canto e sobre um momento histรณrico, que muita gente desconhece โ€“ haverรก quem conheรงa, mas serรก uma minoria -, que รฉ o de Angra sรณ ter sido invadida, pilhada e destruรญda uma vez. Muitos sรญtios foram pilhados por piratas โ€“ hรก muitas histรณrias de ataques piratas -, mas Angra nunca foi atacada por piratas. Angra era uma fortaleza. Se olharmos para a cidade tal como ela รฉ e se cortarmos aquela pequena marginal que vem ali junto ร  baรญa, essa estrada nรฃo existia atรฉ ao sรฉculo XIX. Portanto, toda a cidade f**ava num alto, defendida. Havia umas entradas, mas eram extremamente bem defendidas. Havia uma entrada de uma baรญa que cruzava fogo de grande potรชncia, portanto, ninguรฉm entrava e ninguรฉm saรญa se eles nรฃo quisessem. Os piratas bem podiam tentar meter cรก o nariz, mas nรฃo conseguiam entrar. Atacaram a Horta, Ponta Delgada, Vila Franca do Campo, em que o acesso รฉ muito mais fรกcil, porque hรก uma relaรงรฃo de muito maior proximidade com o mar. Angra era uma fortaleza โ€“ a prรณpria forma como a cidade estava alcandorada nas suas arribas tornava-a quase inexpugnรกvel. No entanto, Angra foi invadida uma vez, depois da famosa Batalha da Salga, dos touros, em que os espanhรณis foram escorraรงados daqui para fora. Eles voltaram cheios de vontade de se vingar, com uma grande frota e 16 mil soldados - uma quantidade de gente muito considerรกvel, mais do que aquela que estava aquartelada na Terceira. Tambรฉm havia soldados franceses. Os espanhรณis conseguem entรฃo entrar na ilha graรงas a uns traidores - eles pagaram a espiรตes para conseguir obter informaรงรตes. Houve alguma desorganizaรงรฃo por parte das defesas da cidade e eles conseguiram tomar conta de Angra โ€“ pilharam, violaram, destruรญram, roubaram, durante nรฃo sei quantos dias. ร‰ sobre isso que nรณs tambรฉm queremos reflectir, ou seja, uma cidade, que รฉ a nossa cidade, pode ser bombardeada, destruรญda, pilhada, nรณs podermos ser mortos, violados, os nossos filhos poderem ser mortos por soldados, a qualquer momento. Todos nรณs estamos mais ou menos na mesma linha de uma Beirute, ou de uma cidade de Gaza. Basta alguรฉm decidir invadir-nos. Resumindo, a ideia รฉ lembrar, a quem vive na ilha, da nossa vulnerabilidade e de como a guerra nos pode destruir.

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Estreamos a 20 e 21 de Novembro no Museu de Angra. O espectรกculo intitula-se ยซร€ procura de Violanteยป.

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A primeira vez que estivemos em Sรฃo Miguel foi com ยซOs Amores Encardidos de Padi e Balbinaยป, a convite do Teatro Micaelense, atravรฉs do entรฃo director Alexandre Pascoal. Depois, fizemos um pequeno espectรกculo, ยซโ€ฆMas Muito Marquesaยป, sobre a Marquesa de Jรกcome Correia, a Margarida Vitรณria. Fizemos ainda em Sรฃo Miguel o ยซRubra Flor da Fajรฃยป, tambรฉm no mesmo segmento de espectรกculos sobre figuras femininas importantes dos Aรงores, desta feita sobre a Maria Machado, uma resistente antifascista nascida em Sรฃo Jorge. Por fim, estivemos com ยซA Noite dos Justosยป na Ribeira Grande. Entretanto, no inรญcio de Outubro vamos estar no Museu Carlos Machado com ยซร€ Bolina no Autonomiaยป. ร‰ um espectรกculo que revisita alguns momentos da histรณria dos Aรงores, uma visรฃo sobre o que os 50 anos de autonomia nos trouxeram, e a histรณria parte do barquinho de papel, o Autonomia, que estรก conservado e exposto no Museu de Angra. O Autonomia partiu da Terceira, em 1895, com o Barreto Moniz, que decidiu que, apesar de nรฃo ter havido convite e de nรฃo haver delegados da Terceira, ele haveria de ir ร  convenรงรฃo em Ponta Delgada sobre a autonomia. Meteu-se no barquinho e, com ele quase a afundar-se, lรก chegou a Sรฃo Miguel.

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Sim, tentamos evitar ao mรกximo usar mรบsica que jรก existe. Normalmente, o som รฉ sempre criado de raiz โ€“ este รฉ um dos pontos dos quais partimos, รฉ um princรญpio muito importante para nรณs. A dramaturgia รฉ tambรฉm original. Tentamos fazer algo que seja capaz de ressoar identidade aรงoriana - isto รฉ importante, caso contrรกrio, estarรญamos a fazer um Shakespeare ou um Afonso Cruz. Achamos que รฉ realmente essencial para a nossa identidade a capacidade de produzir novo, de criar novas dramaturgias, novas mรบsicas, novas propostas, em vez de estarmos agarrados a uma ideia de repetiรงรฃo. Hรก muito esta coisa no teatro: agora vamos fazer um Goldoni, agora vamos fazer um Shakespeare, agora vamos fazer um Brecht. O que รฉ que isso realmente nos traz de mais-valia? Pode trazer, mas รฉ algo que tem de ser muito bem pensado, sobretudo quando se trabalha com territรณrios ultraperifรฉricos e com uma identidade tรฃo vincada como a aรงoriana.

๐——๐—ถ๐˜‡๐—ฒ๐—บ ๐—ถ๐˜€๐˜๐—ผ ๐—ป๐—ฎฬƒ๐—ผ ๐—ฒฬ ๐˜€๐—ผฬ ๐—ฝ๐—ฎ๐—ฟ๐—ฎ ๐—ณ๐—ถ๐—ฐ๐—ฎ๐—ฟ ๐—ฏ๐—ฒ๐—บ ๐—ป๐—ฎ ๐—ณ๐—ผ๐˜๐—ผ๐—ด๐—ฟ๐—ฎ๐—ณ๐—ถ๐—ฎ, ๐˜๐—ฒฬ‚๐—บ ๐˜‚๐—บ๐—ฎ ๐—บ๐—ถ๐˜€๐˜€๐—ฎฬƒ๐—ผโ€ฆ
Eu queria ser arqueรณloga e sou aรงoriana โ€“ era tรฃo simples quanto isto. Quanto voltei, disse: โ€œEu quero contar as minhas histรณrias. Jรก estou farta das histรณrias dos outros.โ€

ร‰ ๐—ฝ๐—ฟ๐—ฒ๐—ฐ๐—ถ๐˜€๐—ผ ๐—ฒ๐—ป๐—ฐ๐—ผ๐—ฟ๐—ฎ๐—ท๐—ฎ๐—ฟ ๐—ผ ๐—ผ๐—ฟ๐—ด๐˜‚๐—น๐—ต๐—ผ ๐—ฎ๐—ฐฬง๐—ผ๐—ฟ๐—ถ๐—ฎ๐—ป๐—ผ, ๐—บ๐—ฎ๐˜€ ๐˜€๐—ฒ๐—บ ๐—ฟ๐—ฎ๐—ฑ๐—ถ๐—ฐ๐—ฎ๐—น๐—ถ๐˜€๐—บ๐—ผ๐˜€, ๐—ฒ ๐—ฐ๐—ผ๐—บ๐—ฏ๐—ฎ๐˜๐—ฒ๐—ฟ ๐—ผ ๐—พ๐˜‚๐—ฒ ๐—ฝ๐—ฎ๐—ฟ๐—ฒ๐—ฐ๐—ฒ ๐˜€๐—ฒ๐—ฟ ๐˜‚๐—บ ๐—ฐ๐—ฒ๐—ฟ๐˜๐—ผ ๐—ฐ๐—ผ๐—บ๐—ฝ๐—น๐—ฒ๐˜…๐—ผ ๐—ฑ๐—ฒ ๐—ถ๐—ป๐—ณ๐—ฒ๐—ฟ๐—ถ๐—ผ๐—ฟ๐—ถ๐—ฑ๐—ฎ๐—ฑ๐—ฒ?
Sim, acho que existe um certo complexo em ser aรงoriano. Acho que, por vezes, temos orgulho em coisas que nรฃo deverรญamos ter e esquecemos coisas essenciais e absolutamente deliciosas que nos identif**am de forma sublime. Acho que os aรงorianos, ร s vezes, andam distraรญdos. Senti grande impacto quando fizemos ยซOs Amores Encardidos de Padi e Balbinaยป, em que fomos beber um pouco ร s danรงas de Carnaval, sem papas na lรญngua, sem medo โ€“ eu costumava dizer, na altura, que nรฃo tinha medo de chamarritas. Foi um espectรกculo algo comprometido com uma identidade, mas sem estar subserviente a ela. Houve capacidade de integrar traรงos de identidade que nos sรฃo muito caros e olhados com muito amor e carinho, e sobre os quais as pessoas comeรงam a ter outro tipo de atitude - no caso das danรงas de Carnaval, houve uma mudanรงa notรณria nos รบltimos 30 anos. โ€œOs Amores Encardidos de Padi e Balbinaยป foi um espectรกculo particularmente feliz para nรณs, tendo decorrido nos Altares, no festival DarCena, organizado pelo grupo Pedra-Mรณ, que conta com 50 anos de existรชncia. ร‰ um festival que รฉ serviรงo pรบblico, porque leva o teatro a uma zona que nรฃo tem acesso, regra geral, a este tipo de actividades. Fazermos aquele espectรกculo para aquelas pessoas e ver a forma como foi recebido, foi absolutamente enternecedor. Sentimos que estรกvamos a devolver ร s pessoas aquilo que elas nos tinham dado, enquanto comunidade muito alargada. Fizeram-nos sentir que tinha havido uma troca; nรณs tรญnhamos recebido o lado criativo, divertido e atรฉ formal, em certos pontos, das danรงas de Carnaval e da criaรงรฃo popular, e estรกvamos a devolvรช-los numa outra interpretaรงรฃo, com outras tรฉcnicas, com outros recursos โ€“ recursos criativos, nรฃo propriamente financeiros ou humanos, porque nรฃo os tรญnhamos. A verdade รฉ que percebemos que havia ali, finalmente, um momento de devoluรงรฃo ร  comunidade, de algo que ela nos dรก e nรณs devolvemos, de forma revista. Acho que รฉ muito importante as pessoas sentirem que a sua cultura e a sua identidade sรฃo valorizadas atravรฉs da arte, da criaรงรฃo, da forma como nรณs a vivemos โ€“ nรฃo sรณ para ser um orgulho โ€œnacionalistaโ€. Essa, para mim, foi uma das grandes aprendizagens com ยซOs Amores Encardidos de Padi e Balbinaยป. ร‰ um espectรกculo que gostei muito de criar, estรก โ€œcรก dentroโ€, e que ainda estรก a rodar โ€“ vai ร s Flores em Novembro. Ao fim destes anos todos, ainda nos pedem Padi e Balbina.

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ร‰ difรญcil combater essa ideia. No entanto, acho que hรก aqui vรกrios problemas que se cruzam โ€“ como sempre, o problema nรฃo estรก radicado num sรญtio sรณ; as ervas daninhas sรฃo muitas. Hรก, de facto, incapacidade por parte de quem estรก nos governos - nรฃo รฉ no governo - de perceber o impacto real do investimento na cultura. Costumo dar o exemplo de vรกrios cรญrculos concรชntricos, onde no meio hรก um cรญrculo pequeno em que estรฃo umas pessoas a fazer umas coisas muito estranhas, uns sons bizarros e ninguรฉm entende nada. Toda a gente acha esquisito, mas as pessoas nesse pequeno cรญrculo estรฃo fazer experiรชncias, รฉ um laboratรณrio. Tal como na ciรชncia, hรก pessoas a estudar coisas que ninguรฉm compreende, mas que sรฃo essenciais para o desenvolvimento da ciรชncia, noutros cรญrculos mais alargados, que depois comeรงam a ser aplicados. Passa-se o mesmo na arte e na criaรงรฃo, em que tudo parece muito estranho e bizarro, mas jรก deixa de ser assim. Comeรงa a haver outro tipo de experiรชncias. Por exemplo, capacitar as pessoas para outro tipo de apreensรฃo do som. Sabe-se, hoje em dia, que quanto mais cedo as crianรงas experimentam o som, ainda na barriga da mรฃe, mais depressa conseguem desenvolver uma sรฉrie de capacidades cognitivas importantes para o nosso dia-a-dia. Mas refiro-me ao som alargado, nรฃo ao som da Anita. Estou a falar do som de uma orquestra completa, seja europeia, japonesa, africana, porque todos esses instrumentos, sobretudo os analรณgicos, produzem uma variedade de sons, infra-sons e ultra-sons que nรฃo ouvimos e nรฃo conseguimos ouvir nas gravaรงรตes, mas que afectam a forma como ouvimos o mundo. Aliรกs, quanto menos mรบsica ouvimos, mais estรบpidos f**amos, basicamente. E a mรบsica pop, que se vende actualmente, tem um intervalo de sons muito curto, nรฃo ajuda a esse desenvolvimento. Isto falando de mรบsica, mas podemos falar de teatro, danรงa, etc. ร‰ fundamental estimular a capacidade de criar, a motricidade fina nas crianรงas, tudo isso. O acesso precoce ร  arte, ร  criaรงรฃo e ร  fruiรงรฃo รฉ muito importante. ร‰ isto que estรก na nossa Constituiรงรฃo, que algumas pessoas detestam. A nossa Constituiรงรฃo รฉ linda, adoro-a, por vรกrias razรตes, e uma delas รฉ: consagra o direito a criar e a fruir da criaรงรฃo artรญstica, da cultura. O acesso ร  cultura faz parte daquilo que รฉ o desenvolvimento de uma sociedade sรฃ. Mas depois hรก as ervas daninhas - uma pessoa para poder usufruir da cultura 1) tem de ter tempo, e nรณs nรฃo temos tempo. A nossa sociedade estรก, neste momento, a ser levada e orientada para nรฃo termos tempo. No entanto, o tempo de รณcio รฉ essencial ร  criaรงรฃo, seja profissional ou amadora. Aliรกs, a criaรงรฃo amadora รฉ muito importante, pois permite que as pessoas tenham contacto com ferramentas criativas que permitem o seu desenvolvimento pessoal e profissional - nรฃo vamos escamotear: as ferramentas criativas reflectem-se nas vidas profissionais. No entanto, o รณcio, o tempo em famรญlia, o tempo para criar, jรก nรฃo existe quase. As pessoas estรฃo desesperadas, tรชm de ter dois empregos para pagar a renda da casa e pรดr comida na mesa. Neste momento, uma coisa que acho que comeรงa a ser muito grave, e esteve um pouco melhor hรก uns anos, sendo notรณria em paรญses como o Reino Unido, รฉ as pessoas com menos recursos financeiros nรฃo conseguirem seguir carreira nas artes. Estamos a deitar fora talentos, pessoas com capacidades imensas. Nรฃo estamos tambรฉm a desenvolver-nos nos nรญveis mais bรกsicos da Educaรงรฃo, ou seja, o facto de nem todas as crianรงas terem acesso a aulas de mรบsica, danรงa ou teatro, รฉ grave. Talvez essas pessoas se tornem advogados brilhantes, ou canalizadores incrรญveis, porque desenvolveram um โ€œmรบsculoโ€ importantรญssimo que se chama criatividade โ€“ a capacidade de criar e encontrar soluรงรตes para os problemas. Mas nรฃo se trata sรณ de encontrar soluรงรตes para problemas; trata-se tambรฉm de sonhar com um mundo melhor, mais bonito, mais ef**az, mais justo. Quando nรฃo nos permitem sonhar, quando nรฃo nos dรฃo as ferramentas do sonho โ€“ que รฉ a ferramenta da criaรงรฃo artรญstica, a ferramenta do tempo, do รณcio -, f**amos cada vez mais como ratinhos numa gaiola.

๐—˜๐˜€๐˜€๐—ฎ ๐˜‚๐—ฟ๐—ด๐—ฒฬ‚๐—ป๐—ฐ๐—ถ๐—ฎ ๐—ฑ๐—ฒ ๐—ฝ๐—ฟ๐—ผ๐—ฑ๐˜‚๐˜‡๐—ถ๐—ฟ ๐˜๐—ฎฬƒ๐—ผ ๐˜๐—ถฬ๐—ฝ๐—ถ๐—ฐ๐—ฎ ๐—ฑ๐—ผ ๐—ฐ๐—ฎ๐—ฝ๐—ถ๐˜๐—ฎ๐—น๐—ถ๐˜€๐—บ๐—ผ, ๐—ฒฬ ๐—ณ๐—ผ๐—บ๐—ฒ๐—ป๐˜๐—ฎ๐—ฑ๐—ฎ ๐—ฝ๐—ผ๐—ฟ ๐—ณ๐—ฒ๐—ฟ๐—ฟ๐—ฎ๐—บ๐—ฒ๐—ป๐˜๐—ฎ๐˜€ ๐—ฐ๐—ผ๐—บ๐—ผ ๐—ฎ ๐—œ๐—”, ๐—พ๐˜‚๐—ฒ, ๐—ฒ๐˜€๐—ฝ๐—ฒ๐—ฐ๐—ถ๐—ณ๐—ถ๐—ฐ๐—ฎ๐—บ๐—ฒ๐—ป๐˜๐—ฒ ๐—ป๐—ฎ๐˜€ ๐—ฎ๐—ฟ๐˜๐—ฒ๐˜€, ๐˜€๐—ผฬ ๐˜ƒ๐—ฒ๐—บ ๐—ฎ๐—ด๐˜‚๐—ฑ๐—ถ๐˜‡๐—ฎ๐—ฟ ๐˜‚๐—บ๐—ฎ ๐—ฐ๐—ผ๐—ฟ๐—ฟ๐—ฒ๐—ฟ๐—ถ๐—ฎ ๐—ฝ๐—ผ๐—ฟ ๐—ฎ๐—น๐—ด๐—ผ ๐—พ๐˜‚๐—ฒ ๐—ฎ๐˜€ ๐—ฝ๐—ฒ๐˜€๐˜€๐—ผ๐—ฎ๐˜€ ๐—ป๐—ฒ๐—บ ๐˜€๐—ฎ๐—ฏ๐—ฒ๐—บ ๐—ฏ๐—ฒ๐—บ ๐—ผ ๐—พ๐˜‚๐—ฒ ๐—ฒฬ. ๐—ค๐˜‚๐—ฎ๐—ป๐—ฑ๐—ผ ๐—ฝ๐—ฒ๐—ป๐˜€๐—ฎ๐—บ๐—ผ๐˜€ ๐—พ๐˜‚๐—ฒ ๐—ฒ๐˜€๐˜๐—ฎ๐—บ๐—ผ๐˜€ ๐—บ๐—ฎ๐—ถ๐˜€ ๐—น๐—ถ๐˜ƒ๐—ฟ๐—ฒ๐˜€, ๐—ฐ๐—ผ๐—บ ๐—ณ๐—ฒ๐—ฟ๐—ฟ๐—ฎ๐—บ๐—ฒ๐—ป๐˜๐—ฎ๐˜€ ๐—พ๐˜‚๐—ฒ ๐—ป๐—ผ๐˜€ ๐—ณ๐—ฎ๐—ฐ๐—ถ๐—น๐—ถ๐˜๐—ฎ๐—บ ๐˜๐—ผ๐—ฑ๐—ฎ๐˜€ ๐—ฎ๐˜€ ๐˜๐—ฎ๐—ฟ๐—ฒ๐—ณ๐—ฎ๐˜€ ๐—ฑ๐—ผ ๐—พ๐˜‚๐—ผ๐˜๐—ถ๐—ฑ๐—ถ๐—ฎ๐—ป๐—ผ, ๐—ฒ๐˜€๐˜๐—ฟ๐—ฎ๐—ป๐—ต๐—ฎ๐—บ๐—ฒ๐—ป๐˜๐—ฒ ๐—ผ ๐˜๐—ฒ๐—บ๐—ฝ๐—ผ ๐—ฒ๐˜€๐—ฐ๐—ฎ๐˜€๐˜€๐—ฒ๐—ถ๐—ฎ-๐—ป๐—ผ๐˜€ ๐—ฐ๐—ผ๐—บ๐—ผ ๐—ป๐˜‚๐—ป๐—ฐ๐—ฎ. ๐—›๐—ฎ๐˜ƒ๐—ฒ๐—ฟ๐—ฎฬ ๐—ฎ๐—พ๐˜‚๐—ถ ๐˜‚๐—บ๐—ฎ ๐—ถ๐—น๐˜‚๐˜€๐—ฎฬƒ๐—ผ ๐—ฑ๐—ฒ ๐—ฒ๐—ณ๐—ถ๐—ฐ๐—ฎฬ๐—ฐ๐—ถ๐—ฎ ๐—ถ๐—ป๐˜ƒ๐—ฒ๐—ป๐˜๐—ฎ๐—ฑ๐—ฎ ๐—ฝ๐—ผ๐—ฟ ๐˜‚๐—บ๐—ฎ ๐˜€๐—ผ๐—ฐ๐—ถ๐—ฒ๐—ฑ๐—ฎ๐—ฑ๐—ฒ ๐—ฑ๐—ฒ ๐—ฐ๐—ผ๐—ป๐˜€๐˜‚๐—บ๐—ผ. ๐—”๐—น๐—ฒฬ๐—บ ๐—ฑ๐—ฒ ๐—พ๐˜‚๐—ฒ ๐˜€๐—ฒ ๐—ฟ๐—ฒ๐—บ๐—ฒ๐˜๐—ฒ ๐—ฝ๐—ฎ๐—ฟ๐—ฎ ๐˜€๐—ฒ๐—ด๐˜‚๐—ป๐—ฑ๐—ผ ๐—ฝ๐—น๐—ฎ๐—ป๐—ผ ๐—ผ ๐—ฒ๐˜€๐˜€๐—ฒ๐—ป๐—ฐ๐—ถ๐—ฎ๐—น โ€“ ๐—ฎ ๐—ถ๐—บ๐—ฝ๐—ผ๐—ฟ๐˜๐—ฎฬ‚๐—ป๐—ฐ๐—ถ๐—ฎ ๐—ฑ๐—ฎ ๐˜€๐—ฒ๐—ป๐˜€๐—ถ๐—ฏ๐—ถ๐—น๐—ถ๐—ฑ๐—ฎ๐—ฑ๐—ฒ ๐—ต๐˜‚๐—บ๐—ฎ๐—ป๐—ฎ ๐—ป๐—ฎ๐˜€ ๐—ฎ๐—ฟ๐˜๐—ฒ๐˜€. ๐—ก๐—ฎฬƒ๐—ผ ๐—ต๐—ฎฬ ๐˜๐—ฒ๐—บ๐—ฝ๐—ผ ๐—ฝ๐—ฎ๐—ฟ๐—ฎ ๐—ณ๐—ฟ๐˜‚๐—ถ๐—ฟ ๐—ฑ๐—ผ ๐—ฝ๐—ฟ๐—ผ๐—ฐ๐—ฒ๐˜€๐˜€๐—ผ, ๐—บ๐—ฎ๐˜€ ๐˜€๐—ถ๐—บ ๐˜‚๐—บ๐—ฎ ๐—ฑ๐—ฒ๐—บ๐—ฎ๐—ป๐—ฑ๐—ฎ ๐—ฑ๐—ฒ๐˜€๐—ฒ๐˜€๐—ฝ๐—ฒ๐—ฟ๐—ฎ๐—ฑ๐—ฎ ๐—ฝ๐—ฎ๐—ฟ๐—ฎ ๐—ถ๐—ป๐˜๐—ฒ๐—ด๐—ฟ๐—ฎ๐—ฟ ๐˜‚๐—บ ๐—บ๐—ฒ๐—ฟ๐—ฐ๐—ฎ๐—ฑ๐—ผโ€ฆ
Subscrevo.

ร‰ ๐˜‚๐—บ๐—ฎ ๐—ฐ๐—ผ๐—ฟ๐—ฟ๐—ถ๐—ฑ๐—ฎ, ๐—ผ๐˜‚ ๐˜‚๐—บ๐—ฎ ๐—ด๐˜‚๐—ฒ๐—ฟ๐—ฟ๐—ฎ, ๐˜€๐—ฒ๐—บ ๐˜ƒ๐—ฒ๐—ป๐—ฐ๐—ฒ๐—ฑ๐—ผ๐—ฟ๐—ฒ๐˜€โ€ฆ
Eu sรณ vejo perdedores.

๐—ฆ๐—ฒ๐—ป๐—ฑ๐—ผ ๐—พ๐˜‚๐—ฒ ๐˜‚๐—บ๐—ฎ ๐—ฑ๐—ฎ๐˜€ ๐—ท๐˜‚๐˜€๐˜๐—ถ๐—ณ๐—ถ๐—ฐ๐—ฎ๐—ฐฬง๐—ผฬƒ๐—ฒ๐˜€ ๐—ฝ๐—ฎ๐—ฟ๐—ฎ ๐—ผ ๐˜‚๐˜€๐—ผ ๐—ฑ๐—ฎ ๐—œ๐—” ๐—ด๐—ฒ๐—ป๐—ฒ๐—ฟ๐—ฎ๐˜๐—ถ๐˜ƒ๐—ฎ ๐—ป๐—ฎ๐˜€ ๐—ฎ๐—ฟ๐˜๐—ฒ๐˜€ ๐—ฒฬ ๐—ฐ๐—ผ๐—ป๐˜๐—ผ๐—ฟ๐—ป๐—ฎ๐—ฟ ๐—ฏ๐—น๐—ผ๐—พ๐˜‚๐—ฒ๐—ถ๐—ผ๐˜€ ๐—ฐ๐—ฟ๐—ถ๐—ฎ๐˜๐—ถ๐˜ƒ๐—ผ๐˜€, ๐—ฒฬ ๐—น๐—ฒ๐—ด๐—ถฬ๐˜๐—ถ๐—บ๐—ผ ๐—พ๐˜‚๐—ฒ ๐˜€๐—ฒ ๐—ฝ๐—ฒ๐—ฟ๐—ด๐˜‚๐—ป๐˜๐—ฒ ๐—ฐ๐—ผ๐—บ๐—ผ ๐—ณ๐—ฎ๐˜‡๐—ถ๐—ฎ๐—บ ๐—ผ๐˜€ ๐—ด๐—ฟ๐—ฎ๐—ป๐—ฑ๐—ฒ๐˜€ ๐—ฎ๐—ฟ๐˜๐—ถ๐˜€๐˜๐—ฎ๐˜€ ๐—ฎ๐—ป๐˜๐—ฒ๐˜€ ๐—ฑ๐—ผ ๐˜€๐˜‚๐—ฟ๐—ด๐—ถ๐—บ๐—ฒ๐—ป๐˜๐—ผ ๐—ฑ๐—ฒ๐˜€๐˜๐—ฎ ๐—ณ๐—ฒ๐—ฟ๐—ฟ๐—ฎ๐—บ๐—ฒ๐—ป๐˜๐—ฎโ€ฆ
Bebiam absinto!

๐—ข๐—น๐—ต๐—ฒ๐—บ, ๐—ฝ๐—ผ๐—ฟ ๐—ฒ๐˜…๐—ฒ๐—บ๐—ฝ๐—น๐—ผ!
ร‰ muito a questรฃo do tempo. Estamos cada vez mais escravizados pelo tempo, porque tempo รฉ dinheiro e hรก pessoas que compram o nosso tempo. Mesmo aqui com a Cรฃes do Mar vamos vendo aquela coisa de, por um lado, sim, temos muitas ideias e queremos fazer muitas coisas, mas depois chegamos ร  conclusรฃo de que o dia sรณ tem 24 horas. Portanto, estamos lixados - ou o tempo estica, ou viramos a pรกgina e sรณ no ano seguinte acrescentamos certas ideias ร  nossa agenda. Sentimos muito este apelo a que produzamos mais, mostremos mais, faรงamos mais, tem de ser sempre mais, fazer mais do que o ano passado, mais, mais e mais. Este apelo ร  produtividade, ou essa percepรงรฃo de produtividade, perpassa toda a sociedade, todas as รกreas. Sinceramente, acho que รฉ uma forรงa do mal, vamos pรดr as coisas desta forma. Estamos a perder aquilo que nos รฉ realmente mais precioso - o tempo. O tempo, neste momento, รฉ um luxo que quem pode pagar tem e quem nรฃo pode simplesmente nรฃo tem.

๐—ฃ๐—ผ๐—ฟ ๐—ณ๐—ฎ๐—น๐—ฎ๐—ฟ ๐—ฒ๐—บ ๐˜๐—ฒ๐—บ๐—ฝ๐—ผ, ๐˜๐—ฒ๐—บ ๐˜๐—ฒ๐—บ๐—ฝ๐—ผ ๐—ฝ๐—ฎ๐—ฟ๐—ฎ ๐—ฎ ๐˜ƒ๐—ถ๐—ฑ๐—ฎ ๐—ป๐—ผ๐—ฟ๐—บ๐—ฎ๐—น ๐—ฑ๐—ฒ ๐˜‚๐—บ ๐—ฎ๐—ฐฬง๐—ผ๐—ฟ๐—ถ๐—ฎ๐—ป๐—ผ ๐—พ๐˜‚๐—ฒ ๐˜‚๐˜€๐˜‚๐—ณ๐—ฟ๐˜‚๐—ถ ๐—ฑ๐—ฎ ๐—ฏ๐—ฒ๐—น๐—ฒ๐˜‡๐—ฎ ๐—ฑ๐—ฎ๐˜€ ๐˜€๐˜‚๐—ฎ๐˜€ ๐—ถ๐—น๐—ต๐—ฎ๐˜€?
O que รฉ isso de uma vida normal?

๐—ฃ๐—ผ๐—ถ๐˜€, ๐—ป๐—ฎฬƒ๐—ผ ๐˜€๐—ฎ๐—ฏ๐—ฒ๐—บ๐—ผ๐˜€โ€ฆ
Eu sou um bocado desesperada, acho eu. Sou aquela pessoa que vai ร  pesca e pensa: agora nรฃo estou aqui a fazer nada; estou sรณ ร  espera que os peixes piquem. A primeira vez que fui ร  pesca foi com o meu irmรฃo, o Peter e o Pantรณnio โ€“ os artistas foram todos ร  pesca. Portanto, apesar de comeรงar a achar que nรฃo estava ali a fazer nada, de repente, a situaรงรฃo torna-se gira e comeรงo a imaginar formas de fazer um espectรกculo. ร‰ do gรฉnero: esta coisa da cana de pesca estรก a dar-me ideias. Dei por mim, estava a pensar em trabalho.

๐—˜๐—ฟ๐—ฎ ๐—ป๐—ฒ๐˜€๐˜€๐—ฒ ๐˜€๐—ฒ๐—ป๐˜๐—ถ๐—ฑ๐—ผ ๐—พ๐˜‚๐—ฒ ๐—ณ๐—ฎ๐˜‡๐—ถฬ๐—ฎ๐—บ๐—ผ๐˜€ ๐—ฎ ๐—ฝ๐—ฒ๐—ฟ๐—ด๐˜‚๐—ป๐˜๐—ฎ: ๐—ฒฬ ๐—ฑ๐—ถ๐—ณ๐—ถฬ๐—ฐ๐—ถ๐—น ๐—ฑ๐—ฒ๐˜€๐—ฝ๐—ฟ๐—ฒ๐—ป๐—ฑ๐—ฒ๐—ฟ ๐—ฑ๐—ผ ๐˜๐—ฟ๐—ฎ๐—ฏ๐—ฎ๐—น๐—ต๐—ผ ๐—พ๐˜‚๐—ฎ๐—ป๐—ฑ๐—ผ ๐˜€๐—ฒ ๐—ฒฬ ๐—ฐ๐—ฟ๐—ถ๐—ฎ๐˜๐—ถ๐˜ƒ๐—ผ?
A verdade รฉ que nรณs precisamos muito do รณcio, ou seja, ir pescar รฉ um convite para comeรงar a criar mais qualquer coisa. ร‰ lixado, porque, de repente, รฉ mais trabalho. O outro lado รฉ: estamos num tipo de actividade de que realmente gostamos, caso contrรกrio, estarรญamos a picar canhotos de qualquer coisa numa repartiรงรฃo qualquer. Nรฃo estamos nesta actividade pela estabilidade โ€œimensaโ€ que ela oferece. Hรก, de facto, um incentivo criativo constante, mesmo nos momentos em que nรฃo estamos a fazer โ€œnadaโ€, como, por exemplo, a curtir um pรดr-do-sol. ร‰ muito difรญcil abstrairmo-nos. A nossa mente leva-nos para as cores do pรดr-do-sol, para assuntos da emigraรงรฃo, etc., e, de repente: โ€œAh, jรก arranjei soluรงรฃo para aquele problemaโ€.

๐— ๐—ฒ๐˜€๐—บ๐—ผ ๐—ฎ ๐—ฑ๐—ฒ๐˜€๐—ฐ๐—ฎ๐—ป๐˜€๐—ฎ๐—ฟ, ๐—ฒ๐—บ ๐˜€๐—ถ๐—น๐—ฒฬ‚๐—ป๐—ฐ๐—ถ๐—ผ, ๐—ฑ๐—ฒ ๐—น๐˜‚๐˜‡ ๐—ฎ๐—ฝ๐—ฎ๐—ด๐—ฎ๐—ฑ๐—ฎ, ๐—ผ ๐—ถ๐—ป๐˜€๐˜๐—ถ๐—ป๐˜๐—ผ ๐—ฐ๐—ฟ๐—ถ๐—ฎ๐˜๐—ถ๐˜ƒ๐—ผ ๐—ฝ๐—ผ๐—ฑ๐—ฒ ๐—ถ๐—บ๐—ฝ๐—ผ๐—ฟ-๐˜€๐—ฒโ€ฆ
Eu tenho a vida um bocadinho complicada nesse aspecto, porque o Peter Cann รฉ meu companheiro. Portanto, sรฃo duas pessoas na mesma casa que ao pequeno-almoรงo comeรงam a falar de trabalho.

๐—–๐—ผ๐—บ๐—ผ ๐˜€๐—ฒ ๐—ด๐—ฒ๐—ฟ๐—ฒ ๐—ถ๐˜€๐˜€๐—ผ ๐˜€๐—ฎ๐˜‚๐—ฑ๐—ฎ๐˜ƒ๐—ฒ๐—น๐—บ๐—ฒ๐—ป๐˜๐—ฒ?
ร‰ uma escolha que dรก muito gozo. Tem de haver prazer com o trabalho que fazemos, mas sei que a maioria das pessoas nรฃo tem essa sorte. Hรก equilรญbrios que raras vezes sรฃo encontrados. Mesmo para nรณs, o equilรญbrio nรฃo รฉ propriamente fรกcil de atingir. No entanto, sim, รฉ uma constante eu estar a pensar numa coisa qualquer que poderia f**ar bem num espectรกculo.

๐—๐—ฎฬ ๐˜๐—ฒ๐˜ƒ๐—ฒ ๐—ฎ๐—น๐—ด๐˜‚๐—บ๐—ฎ ๐—ฎ๐—ฐ๐˜๐—ถ๐˜ƒ๐—ถ๐—ฑ๐—ฎ๐—ฑ๐—ฒ ๐—ฝ๐—ฟ๐—ผ๐—ณ๐—ถ๐˜€๐˜€๐—ถ๐—ผ๐—ป๐—ฎ๐—น ๐—บ๐—ฎ๐—ถ๐˜€ ๐—บ๐—ฒ๐—ฐ๐—ฎฬ‚๐—ป๐—ถ๐—ฐ๐—ฎ?
Sim. Trabalhei numa ourivesaria, hรก muitos anos. Foi fantรกstico, porque as pessoas deixavam-me sentar e ler livros. Toda a gente fazia isso naquele sรญtio, era um ambiente muito familiar. O espaรงo pertencia ร  mรฃe de uma amiga minha. Ela prรณpria tambรฉm levava os seus livros. Nos momentos mortos, estava eu sentadinha num canto a ler. Lembro-me de ler ยซEm Busca do Tempo Perdidoยป do Marcel Proust, o primeiro e segundo volumes, enquanto trabalhava numa ourivesaria. Mas era um trabalho muito mecรขnico - cumpria o que tinha a fazer e o trabalho nรฃo ia comigo para casa, de maneira nenhuma. No entanto, acontecia-me, de repente, pensar em dar um jeito ร  m***a, fazer uns expositores novos, atรฉ como forma de estรญmulo. A minha patroa dizia: โ€œToma lรก dinheiro, vai comprar cola, tecidos, etc.โ€ E lรก estava eu a fazer expositores novos. A patroa f**ava toda contente.

๐—ค๐˜‚๐—ฒ๐—ฏ๐—ฟ๐—ฎ๐˜ƒ๐—ฎ ๐—ผ ๐—บ๐—ฎ๐—ฟ๐—ฎ๐˜€๐—บ๐—ผโ€ฆ
E deixava coisas fixes para a loja. Estava ali nรฃo sรณ a vender anรฉis.

๐—˜๐—ป๐˜๐—ฟ๐—ฒ๐˜๐—ฎ๐—ป๐˜๐—ผ, ๐—ป๐—ฎฬƒ๐—ผ ๐˜€๐—ฒ ๐˜๐—ฟ๐—ฎ๐˜๐—ฎ ๐—ฑ๐—ฒ ๐—ฒ๐˜ƒ๐—ผ๐—ฐ๐—ฎ๐—ฟ ๐˜€๐—ถ๐˜€๐˜๐—ฒ๐—บ๐—ฎ๐˜€ ๐—ฑ๐—ฒ ๐—ฐ๐—ฎ๐˜€๐˜๐—ฎ๐˜€, ๐—ต๐—ถ๐—ฒ๐—ฟ๐—ฎ๐—ฟ๐—พ๐˜‚๐—ถ๐—ฎ๐˜€ ๐—ผ๐˜‚ ๐˜€๐—ฒ๐—พ๐˜‚๐—ฒ๐—ฟ ๐—ต๐—ฒ๐—ฟ๐—ฎ๐—ป๐—ฐฬง๐—ฎ๐˜€ ๐—ด๐—ฒ๐—ป๐—ฒฬ๐˜๐—ถ๐—ฐ๐—ฎ๐˜€, ๐—บ๐—ฎ๐˜€ ๐—ต๐—ฎฬ ๐—ฝ๐—ฒ๐—ฟ๐˜€๐—ผ๐—ป๐—ฎ๐—น๐—ถ๐—ฑ๐—ฎ๐—ฑ๐—ฒ๐˜€ ๐—ฐ๐—ผ๐—บ ๐—บ๐˜‚๐—ถ๐˜๐—ฎ๐˜€ ๐—ฑ๐—ถ๐—ณ๐—ถ๐—ฐ๐˜‚๐—น๐—ฑ๐—ฎ๐—ฑ๐—ฒ๐˜€ ๐—ฒ๐—บ ๐—ฝ๐—ฒ๐—ฟ๐—บ๐—ฎ๐—ป๐—ฒ๐—ฐ๐—ฒ๐—ฟ ๐—ป๐˜‚๐—บ ๐˜€๐—ถฬ๐˜๐—ถ๐—ผ โ€“ ๐—ณ๐—ถฬ๐˜€๐—ถ๐—ฐ๐—ผ ๐—ผ๐˜‚ ๐—บ๐—ฒ๐—ป๐˜๐—ฎ๐—น โ€“ ๐—ฑ๐˜‚๐—ฟ๐—ฎ๐—ป๐˜๐—ฒ ๐—บ๐˜‚๐—ถ๐˜๐—ผ ๐˜๐—ฒ๐—บ๐—ฝ๐—ผ, ๐—ป๐—ผ๐—บ๐—ฒ๐—ฎ๐—ฑ๐—ฎ๐—บ๐—ฒ๐—ป๐˜๐—ฒ ๐—ฎ๐—ฟ๐˜๐—ถ๐˜€๐˜๐—ฎ๐˜€?
Hรก vรกrios factores โ€“ novamente, as ervas daninhas sรฃo muitasโ€ฆ ou nรฃo, neste caso. ร‰ verdade que hรก no meio artรญstico muitas pessoas com algum ponto de neurodivergรชncia. Hoje em dia, existe uma melhor compreensรฃo do fenรณmeno. Quase todos nรณs temos alguma dessa neurodivergรชncia, mas em diferentes nรญveis. De qualquer forma, no meio artรญstico, isso parece mais comum. Quando analisei a malta toda que conheci, depois de ler mais sobre o assunto, dei por mim a pensar: โ€œIsto explica muita coisa.โ€ De facto, pode haver esse lado de neurodivergรชncia dos artistas, mas tambรฉm hรก o lado do acesso em tenra idade ร  mรบsica, aos livros, a determinado tipo de actividades e estรญmulos em termos cognitivos, que obviamente influenciam a forma como as pessoas se comportam, ou atรฉ como se integram numa hierarquia. Se calhar, hรก pessoas que vรฃo ter mais dificuldades em aceitar as ordens, sem pensar no assunto primeiro. As pessoas que nรฃo pensam nas ordens, as pessoas que sรณ cumprem, sรฃo o exรฉrcito n**i. Foi isso que possibilitou os campos de concentraรงรฃo: eu nรฃo questiono ordens, estou a seguir ordens; portanto, vamos lรก despejar o comboio e matar uns milhares de pessoas, sem pensar no assunto. Isto รฉ o resultado รบltimo de uma sociedade que estรก habituada a obedecer sem pensar. Daรญ o perigo que รฉ nรฃo criar acesso a pensamento crรญtico, ร  criatividade, etc. Em รบltima anรกlise, รฉ isso que acontece โ€“ criamos exรฉrcitos n**is.

๐—” ๐—ฝ๐—ผ๐˜€๐˜€๐—ถ๐—ฏ๐—ถ๐—น๐—ถ๐—ฑ๐—ฎ๐—ฑ๐—ฒ ๐—ฑ๐—ฒ ๐˜‚๐—ป๐—ถ๐—ณ๐—ถ๐—ฐ๐—ฎ๐—ฟ ๐—ผ ๐—ฝ๐—ฒ๐—ป๐˜€๐—ฎ๐—บ๐—ฒ๐—ป๐˜๐—ผ ๐—ฒฬ ๐—ฎ๐˜€๐˜€๐˜‚๐˜€๐˜๐—ฎ๐—ฑ๐—ผ๐—ฟ๐—ฎโ€ฆ
ร‰ aqui que a arte e a criaรงรฃo entram, como armas contra o exรฉrcito n**i.

๐—ค๐˜‚๐—ฎ๐—ถ๐˜€ ๐—ฎ๐—ด๐—ฒ๐—ป๐˜๐—ฒ๐˜€ ๐—ฑ๐—ฒ ๐—ต๐—ถ๐—ด๐—ถ๐—ฒ๐—ป๐—ถ๐˜‡๐—ฎ๐—ฐฬง๐—ฎฬƒ๐—ผ ๐—ฐ๐˜‚๐—น๐˜๐˜‚๐—ฟ๐—ฎ๐—น ๐—ฒ ๐˜€๐—ผ๐—ฐ๐—ถ๐—ฎ๐—น, ๐—ผ ๐—พ๐˜‚๐—ฒ ๐—ฝ๐—ผ๐—ฑ๐—ฒ๐—บ๐—ผ๐˜€ ๐—ฒ๐˜€๐—ฝ๐—ฒ๐—ฟ๐—ฎ๐—ฟ ๐—ฑ๐—ฎ ๐—–๐—ฎฬƒ๐—ฒ๐˜€ ๐—ฑ๐—ผ ๐— ๐—ฎ๐—ฟ ๐—ฝ๐—ฎ๐—ฟ๐—ฎ ๐—ผ๐˜€ ๐—ฝ๐—ฟ๐—ผฬ๐˜…๐—ถ๐—บ๐—ผ๐˜€ ๐˜๐—ฒ๐—บ๐—ฝ๐—ผ๐˜€?
Neste momento, o que posso dizer รฉ: venham ร  Terceira para o prรณximo festival Rua Direita, que comeรงa no dia 8 de Julho de 2027. Quem vier que venha por bem e partilhe momentos connosco, tanto nas lojas como no espectรกculo das varandas, que criรกmos com o grupo de teatro da Matilha para acolher os cidadรฃos. O espectรกculo das varandas insere-se na programaรงรฃo paralela que desenvolvemos para o festival Rua Direita โ€“ รฉ jรก prata da casa. Por exemplo, este ano tivemos o Trio Fragata a tocar enquanto o Pantรณnio pintava e uma exposiรงรฃo do Andrรฉ Carreiro Oliveira, que veio do Faial. Venham ter connosco. Procurem-nos. Visitem-nos. Partilhem coisas connosco. Faรงam-nos propostas. Sejam bem-vindos!

๐—ฆ๐—”๐—œ๐—•๐—” ๐— ๐—”๐—œ๐—ฆ ๐—ฆ๐—ข๐—•๐—ฅ๐—˜ ๐—” ๐—–๐—”ฬƒ๐—˜๐—ฆ ๐——๐—ข ๐— ๐—”๐—ฅ ๐—ฃ๐—˜๐—Ÿ๐—ข๐—ฆ ๐—Ÿ๐—œ๐—ก๐—ž๐—ฆ ๐—ก๐—ข๐—ฆ ๐—–๐—ข๐— ๐—˜๐—ก๐—ง๐—”ฬ๐—ฅ๐—œ๐—ข๐—ฆ.

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