17/07/2024
Se amar demais é um defeito,
Eu sou imperfeita do jeito que sou,
Às vezes acordo e nem me penteio
Outras eu lá dou o jeito,
Outras capricho até no cheiro
Mas tem dias que nem sei para onde vou.
Se sentir demais é um defeito,
Eu sinto até não me caber no peito.
E não peço mais desculpa por isso.
Não devia ser hábito nem preciso,
Pedir perdão por ser uma contradição.
E se for o oposto de tudo?
O que é na verdade o mundo?
Digam-me com letras grandes,
Porque só acho minúsculo
Achar que um pequeno músculo
Pode condenar uma vida.
Precisamos de muscular o coração,
Ir para um bar e conversar,
Sair com amigos só para se estar,
Saber ser, sem precisar de forçar.
A caminhada da vida é longa,
Ela ensina-nos que a história sempre se prolonga
E que vai além do mal que nos acontece,
Que são tudo oportunidades de ouro,
De, finalmente, salvar o nosso couro
E de voltarmos a nós,
As vezes que forem precisas.
Eu não sei precisar, muito menos ditar o que fiz errado
Talvez nem tenha errado,
Se no final eu aprendi com isso.
Ou se no final eu ganhei mais do que perdi,
Ainda que,
Quando perdi,
Tenha chorado por dias afim.
Porque o fim sabe ser injusto,
Mas o recomeço é ali na frente,
E eu sou cabeça dura,
Vou bater na parede e sangrar
Só para depois confirmar
Que efetivamente ali existe um muro.
Mas de que servem os muros,
Senão para os derrubar?
De que serve o amor,
Senão para o ver escapar?
De que serve perder,
Se não for para chorar?
Digam-me, a sério,
De que serve sentir,
Se quando sentimos
Não nos permitimos sonhar?
Não é errado sentir.
Errado é querer omitir
Que sentimos de mais
E que somos humanos.
Errado é querer odiar quem amamos
Só porque não cabe em nós os enganos que a vida nos traz.
Eu só quero paz,
E se amar não chegar,
Então deixem-me navegar
Porque eu adoro o mar
E sinto que fui feita para lá morar.
Mas em cada maré
Existe um barco que se afunda,
Um peixe que se perdeu,
Uma co**ha que se afogou,
E um tempo que nunca foi meu.
Mas seria errado deixar de amar o mar
Só porque perdi o jeito de nadar,
Às vezes só temos que voltar a tentar.
Mergulhar de cabeça e flutuar.
Não existe ciência exata
Para o que chamam de vida.
Então não vou exatidar
O que pode ser belo, só por ser.
Existir tem que se lhe diga,
Até o mar briga por um lugar na terra.
Um dia todos acham o seu espaço,
E todos cabem onde tem de caber.
Não vale a pena forçar,
Até as pedras se desgastam
Com o passar dos anos.
E a custo lá se moldam.
No fundo tudo se resumo a isto,
Defeitos.
Ou feitios.
Ou enfeites.
Decidam.
Eu cá me viro.