Poeta D'Alma

Poeta D'Alma O meu nome é Inês Duarte, tenho 27 anos, partilho da paixão pela escrita desde criança, em que dava por mim a escrever as composições na escola em poesia.

Essa paixão cresceu, primeiro no ramo musical, agora como escritora. Criminóloga, Professora no Conservatório de Dança do Vale do Sousa, Artista de Música (KALI), escritora.

17/07/2024

Se amar demais é um defeito,
Eu sou imperfeita do jeito que sou,
Às vezes acordo e nem me penteio
Outras eu lá dou o jeito,
Outras capricho até no cheiro
Mas tem dias que nem sei para onde vou.

Se sentir demais é um defeito,
Eu sinto até não me caber no peito.
E não peço mais desculpa por isso.
Não devia ser hábito nem preciso,
Pedir perdão por ser uma contradição.

E se for o oposto de tudo?
O que é na verdade o mundo?
Digam-me com letras grandes,
Porque só acho minúsculo
Achar que um pequeno músculo
Pode condenar uma vida.

Precisamos de muscular o coração,
Ir para um bar e conversar,
Sair com amigos só para se estar,
Saber ser, sem precisar de forçar.

A caminhada da vida é longa,
Ela ensina-nos que a história sempre se prolonga
E que vai além do mal que nos acontece,
Que são tudo oportunidades de ouro,
De, finalmente, salvar o nosso couro
E de voltarmos a nós,
As vezes que forem precisas.

Eu não sei precisar, muito menos ditar o que fiz errado
Talvez nem tenha errado,
Se no final eu aprendi com isso.
Ou se no final eu ganhei mais do que perdi,
Ainda que,
Quando perdi,
Tenha chorado por dias afim.
Porque o fim sabe ser injusto,
Mas o recomeço é ali na frente,
E eu sou cabeça dura,
Vou bater na parede e sangrar
Só para depois confirmar
Que efetivamente ali existe um muro.

Mas de que servem os muros,
Senão para os derrubar?
De que serve o amor,
Senão para o ver escapar?
De que serve perder,
Se não for para chorar?

Digam-me, a sério,
De que serve sentir,
Se quando sentimos
Não nos permitimos sonhar?

Não é errado sentir.
Errado é querer omitir
Que sentimos de mais
E que somos humanos.

Errado é querer odiar quem amamos
Só porque não cabe em nós os enganos que a vida nos traz.
Eu só quero paz,
E se amar não chegar,
Então deixem-me navegar
Porque eu adoro o mar
E sinto que fui feita para lá morar.
Mas em cada maré
Existe um barco que se afunda,
Um peixe que se perdeu,
Uma co**ha que se afogou,
E um tempo que nunca foi meu.

Mas seria errado deixar de amar o mar
Só porque perdi o jeito de nadar,
Às vezes só temos que voltar a tentar.
Mergulhar de cabeça e flutuar.
Não existe ciência exata
Para o que chamam de vida.
Então não vou exatidar
O que pode ser belo, só por ser.
Existir tem que se lhe diga,
Até o mar briga por um lugar na terra.
Um dia todos acham o seu espaço,
E todos cabem onde tem de caber.
Não vale a pena forçar,
Até as pedras se desgastam
Com o passar dos anos.
E a custo lá se moldam.

No fundo tudo se resumo a isto,
Defeitos.
Ou feitios.
Ou enfeites.
Decidam.
Eu cá me viro.

Não sei se me perdi quando te perdi, ou se me perdi antes de te perder. Ou se aconteceu das duas formas, facto que talve...
27/06/2024

Não sei se me perdi quando te perdi, ou se me perdi antes de te perder. Ou se aconteceu das duas formas, facto que talvez explique a dor inexplicável que senti, como se pedaços de vidro me entrassem pelo corpo adentro, como andar pelo meio do mato cheio de silvas, e sentir cada uma delas a cortar-me o corpo, a magoar-me os pés.
A dor hoje em dia é mais tolerável, ainda não aceito o facto de alguém ter a capacidade de nos colocar doentes, de alguém nos colocar em cima de uma corda bamba e termos que andar a apalpar terreno para não cair no abismo.
É, talvez as pessoas achem que o podem fazer sem que haja repercussões. Mas hoje acredito que o ciclo da vida encarrega-se de depositar fardos pesados nas costas de quem o faz. Talvez por isso me sinta leve, não como uma pena, porque ainda não consigo voar. Mas leve.
Os meses que se passaram foram os mais complicados da minha vida, pelo menos até que mais desafios se me coloquem à frente. Hoje estou mais capaz, mais consciente do que posso ou não aceitar, vindo dos outros, mais cautelosa talvez, mais pés no chão. Talvez tenha crescido, e agora possa dizer que finalmente estou calejada de ser adulta, eu que sempre tentei que não matassem a minha criança. Hoje ela já se diverte mais, encontrei-a novamente. Preciso de ganhar a confiança nela para que possa voltar a sorrir, a ser aquela pessoa capaz de animar uma sala cheia, mesmo que seja tímida e que o coração bata a mil à hora.
É um progresso, e eu já fiz tantos. Agora encontro-me num momento bom da minha doença, estou a deixar parte dos medicamentos que me fizeram sobreviver até hoje. Ainda não os posso deixar a todos, mas já é um progresso poder dizer que já não depende deles.
Neste último ano, deixei de me tornar dependente de muitas coisas. Vivo com mais certeza em mim, mais segurança, e percebi que depender de algo para além de mim é colocar-me frente a frente com o lobo, e esperar que ele não me ataque. Hoje sou o lobo, deixei de ser o cordeiro.

"Ver-te ainda me custa. Certas memórias não me abandonam quando me cruzo contigo, ainda que me priva ao máximo de te olh...
21/06/2024

"Ver-te ainda me custa. Certas memórias não me abandonam quando me cruzo contigo, ainda que me priva ao máximo de te olhar. Eu não te evito, não vou mudar de cidade, não vou deixar de frequentar os sítios que gosto de estar. Se lá estiveres, eu não te vou cumprimentar, mas talvez me vá ausentar. Não porque tu me afetas, ou porque ainda tens poder sobre mim. Mas sim porque decidi para mim nunca mais deixar que pensamentos intrusivos mexam com o meu bem estar psicológico. Já me afetaste bastante, mais do que eu esperava ou do que é esperado quando amamos alguém. Magoaste-me mais do que qualquer outra pessoa. Mas eu ultrapassei. Não esqueci, não perdoei. Mas não deixo que isso me afete mais.
Quando damos poder a alguém de nos afetar mentalmente, ainda que desconectados ou afastados, deixamos de controlar a nossa vida, perdemos as rédeas da nossa mente, injetamos venenos nas nossas veias capaz de nos infetar fisicamente. As dores são horríveis, a paralisia é apavorante, o pânico é incontrolável. Este tipo de trauma não pode ser ultrapassado com uma operação e remover simplesmente o coração, ou as memórias. Não há uma medicação que seja altamente ef**az para sarar as dores do coração, da alma. Os medicamentos anestesiam, mas as dores continuam lá. Os traumas continuam lá. A terapia não chega. Tens que te obrigar de manhã a levantar da cama, a correr lá para fora porque sabes que precisas de sentir o sol a bater-te na cara, sair para correr ou andar porque sabes que a ansiedade te vai bater à porta, controlares o que comes porque sabes que existem alimentos que podem piorar ainda mais a tua condição. Para além disso, precisas de te obrigar a manter-te ocupada porque sabes que a mente te vai levar para lugares onde não queres estar.
Já passaste por isto? Sentir que ou controlas cada detalhe do teu dia, ou é o teu dia que te controla? Isto são traumas.
O nosso cérebro é assustador de tão genial ser. Não esquecemos nada, tudo f**a armazenado na nossa inconsciência, e tudo chega até nós através de estímulos, imagens, cheiros, sentidos, eventos. Saberes que a qualquer momento podes ser destruída por eles é igualmente assustador. Por isso sim, hoje é o dia em que, por tua causa, sou obrigada a controlar cada minuto da minha vida para não restar espaço nem tempo de pensar no quanto me magoaste.
Espero que nunca passes por isso. Espero que nunca tenhas necessidade de te obrigar a fazer nada porque sabes que não controlas a tua doença mental, ela é que te controla.
A nossa saúde mental é tão frágil. Os danos do passado são a pessoa que somos no presente. E o presente é outra oportunidade de fazer do nosso passado uma mazela inesquecível. Espero que os teus traumas não sejam de abandono, não sejam de agressividade, não sejam de desprezo, não sejam de exclusão, não sejam de aspeto nem de caráter. Espero mesmo que, pelo menos, o amor que te tenha mostrado, possa ter sarado um bocado da tua alma. Espero que o amor que te dediquei te possa servir de exemplo para quem vier a seguir. E espero que quem vier a seguir não volte a ser uma vítima do teu narcisismo.
Espero mesmo que tudo de bom te aconteça e que não me apareças à frente. Já me chega controlar os meus dias minuto a minuto, quero poder sair e não ter que ir embora porque a tua presença ainda me incomoda. A tua presença ainda é uma sombra atrás de mim, e não falo da interjeição da luz.
Na psicologia, a sombra é o arquétipo do nosso ego consciente, a parte animalesca da nossa personalidade. Ou seja, a tua sombra são todas as atividades e desejos que os normais consideram imorais ou violentos, inaceitáveis. Então a partir daqui já deves perceber o porquê da minha vontade incessável de te magoar um terço do que me magoaste. Não o diga que vá fazer. Mas talvez o faça e irei condenar-me por tal. És a sombra que me persegue. És a sombra consciente de tudo o que não quero para mim.
És e sempre serás, até ao fim. A sombra, o começo da criatividade e o fim da minha personalidade. Vive bem com o peso disso. "

In "Cartas que nunca te enviei" - Inês Duarte

Bom dia!Excerto retirado do livro por publicar "Cartas que nunca te enviei". Espero que gostem.                         ...
21/06/2024

Bom dia!
Excerto retirado do livro por publicar "Cartas que nunca te enviei".
Espero que gostem.

Suave como a brisa do mar,Que se abre por entre os dias,Onde se ouvem melodias,E os dias não são apenas correrias,Eu sei...
17/06/2024

Suave como a brisa do mar,
Que se abre por entre os dias,
Onde se ouvem melodias,
E os dias não são apenas correrias,

Eu sei que tu querias,
Que tudo fosse fácil e não apenas monotonias,
Que levantasse o nevoeiro,
E o sol brilhasse por entre as dunas.

Que unas o céu à terra,
A terra ao mar,
O mar à lua,
A lua ao amar.

Que unas o que a vida te dá,
O que ela não deu,
O que ela deixou para lá,
Tudo aquilo que já morreu.

E renasce.
Uma vez mais,
Uma vez só,
Uma vez cais,
Noutra já tocas o dó
Da guitarra parada ao pó.

Tirar-lhe as teias,
E tira-te as teimas,
Que a vida é bela
Quando não a queimas.

Suave como a brisa,
Do mar e de ria.
Suave como ris
E eu ria.
Suave.
Eterna,
A dor de viver a vida.

Excerto do livro "Cartas que nunca te enviei", brevemente disponível para vossa leitura!
16/06/2024

Excerto do livro "Cartas que nunca te enviei", brevemente disponível para vossa leitura!

Seguiste em frente, não olhaste para trás, nem contactaste mais. Penso que estejas bem, se é que alguma vez estiveste ma...
13/06/2024

Seguiste em frente, não olhaste para trás, nem contactaste mais. Penso que estejas bem, se é que alguma vez estiveste mal. Não te desejo o contrário, não te desejo nada na verdade. Não estou a ser ingrata, nem quero parecer cruel. Eu sei que não sou esta pessoa, não com os outros. Mas quando me magoaste, nasceu em mim um ser desconhecido, que nunca tinha sentido, nem pressentido. Às vezes ele vem até mim de forma brutal, chego a f**ar abalada, parece um meteorito a aterrar no meu coração. Porque eu não gosto deste buraco profundo que deixaste em mim, não gosto deixar que a dor me consuma, só quero que a dor suma. Ela nem sempre está aqui, mas quando aparece, eu desapareço e nem pareço mais eu mesma. A minha mãe não me reconhece, os meus amigos passam por mim e nem "olá" me dizem, a minha sobrinha pequena pressente e sente medo, então aí eu sei: estou fora de mim.
Esse sentimento é horrível, tenho tentado evitá-lo mas sei que isso não me leva a nenhum lado, então vou só enfrentar-me. Talvez vá colidir contra mim, e isso vai-me fazer bater no fundo de vez, mais uma vez. Talvez desta seja a derradeira, a prova final que se não seguir em frente, mais vale nem seguir de todo.
Talvez escreva o livro todo de novo, ou talvez nem o publique. Só sei que me quero sentir livre.

Eu perdoei-te. Hoje perdoei-te e decidi esquecer. Amanhã eu não sei, acho que perdoar alguém que nos magoou é uma tentat...
12/06/2024

Eu perdoei-te. Hoje perdoei-te e decidi esquecer. Amanhã eu não sei, acho que perdoar alguém que nos magoou é uma tentativa sucessiva de fracassos até ao dia em que conseguimos perdoar efetivamente. Eu não sei se vou conseguir perdoar-te todos os dias. Perdoar e esquecer são momentos diferentes. Eu esqueci-te, mas não apaguei o mal que me fizeste. Hoje acordei e decidi não odiar-te, perdoar-te até o dia acabar.
Talvez amanhã bata a saudade do que eras no início, não do que foste no fim, e aí sim, não seja capaz de perdoar, porque eu vou me lembrar de ti e isso vai voltar a abrir a ferida. Eu sei que disse que já te ultrapassei, e já. A questão aqui não é essa. A questão aqui é se mereces que te perdoe, se mereces que perdoe as coisas horríveis que me fizeste, a pessoa maluca que me tornaste.
Mas sim, eu decidi perdoar-te. Eu sorri, eu fui trabalhar e nem me lembrei de ti. Estive rodeada de pessoas, consegui falar com elas, importar-me com o que elas diziam, fazer senti-las ouvidas e compreendidas. Eu hoje almocei sozinha, pedi o que bem me apeteceu e desfrutei da minha companhia. Acreditas que fui a um restaurante que já tínhamos ido mas só lembrei agora no final do dia? Quando fui ver a conta pensei, eu já estive aqui. E estive contigo. Mas o sítio está melhor, a comida soube melhor, a minha companhia soube ser incrivelmente boa.
Eu não sei o dia de amanhã. Mas todos os dias eu propus-me a perdoar, não somente tu, mas tudo o que de mal há no mundo e já me fizeram. Eu não quero este peso. Então e se um dia por acaso eu estiver chateada, descarregar em ti e em todos os que me magoaram porque são humanos, desculpa. Não estou a pedir desculpas por nada do que tenha feito, mas peço desculpas por aquilo que conscientemente sei que estou a fazer.
A mente é fantástica, controlá-la não é fácil. Mas eu estou disposta a tentar. Desculpa no dia em que acordar e não conseguir perdoar-te, mas quero que saibas que é uma opção, e há dias que eu vou continuar a optar por não te desculpar. Mas nos dias em que eu te perdoou, aí sim, podes f**ar feliz, ainda que não te queira fazer feliz, mas f**a por mim, por ser capaz de perdoar quando tudo o que o meu coração diz é que devia odiar-te para sempre. Mas o coração não pode mandar na minha mente. Aí sim, percebes que cresci. F**a bem.

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