20/03/2024
“(…) A Educação é a base da Civilização. A escola não se deve limitar a instruir; deve também – e sobretudo - educar, fazer despertar valores éticos e criativos. Repare-se que digo “despertar “, do mesmo modo que poderia dizer “promover”; tal não significa impor pseudo-valores fundados em sectarismos políticos ou religiosos ou, sequer, em conveniências sociais e superficiais.
Exemplificando: a bondade é um valor intemporal (embora as formas que possa assumir sejam temporais) (…) A juventude é possuidora de enorme afluxo de energia. É, portanto, idealmente nesta fase que se deve aprender a saber como utilizá-la e dirigi-la de forma correta. A ausência de valores na sua utilização pode levar a muitos excessos que, inevitavelmente, e de modo generalizado, provocam resultados perniciosos – imediatos, e muitas vezes, a longo prazo. Estamos, entretanto, num ponto de viragem. Os jovens têm vindo a esgotar a sua ânsia impetuosa em todas as variedades de extremismos; assim, tender-se-á brevemente a apreciar novos costumes, de maior delicadeza e de maior discrição. Isso coadjuvado por determinados estímulos baseados numa Codificação de regras de conduta adaptadas aos novos tempos (uma formulação ética científica, demonstrada, isenta, sem preconceitos e por isso universal), selará uma nova etapa de franco progresso. O orgulho e a vaidade que hoje se canalizam para a aparência externa transformar-se-ão em padrões estéticos mais elevados; agir correta, solidaria e belamente. Teremos aí um novo sentido estético, muito mais saudável. Novamente, “ser educado” constituirá um ponto de honra, mas em termos muito mais reais e profundos (em vez da superficialidade banal e até exibicionista que tem predominado). Obviamente uma sólida formação cívica (com prestação adequada de provas) deveria também ser um requisito fundamental e indispensável para quem deseje lecionar.”
“ Luzes do Oculto”, Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 1998.