07/06/2026
ASMIR recorda
7 de junho de 1801: A Guerra das Laranjas e a questão de Olivença.
Até 1786, a rainha D. Maria I governou juntamente com o seu marido, o qual, por vontade da rainha se intitulou D. Pedro III.
Quando este morreu, a soberana governou só durante mais seis anos. Em finais de 1791 enlouqueceu e, quando todas as esperanças de melhoras se desvaneceram, seu filho D. João tomou conta da regência (1792).
O outro filho mais velho, D. José, morrera em 1788.
No reinado de D. Maria I foram libertados a maior parte dos presos políticos, reabilitada a memória de alguns dos nobres executados, julgado e banido o marquês de Pombal e afastados do poder muitos dos seus partidários.
Mas a sua obra não pôde ser abolida, a não ser em pormenores de somenos importância. O despotismo era um facto, a burguesia, aliada à nova aristocracia, governava o país, os jesuítas estavam extintos e a Inquisição amordaçada.
Assim, os governos de D. Maria I e de D. João limitaram-se a continuar a nova ordem e, em certos aspetos, ajudaram até a fortalecê-la.
Dois dos três ministros da situação pombalina foram mantidos no poder.
As perseguições a todo aquele que resistisse ao despotismo estatal prosseguiram, ainda que num ritmo mais lento e menos feroz.
As principais modificações ocorreram na política externa.
Às atitudes firmes de Pombal e à sua aliança clara com a Inglaterra, D. Maria e D. João preferiram uma diplomacia dúbia de compromisso com a Inglaterra, a França e a Espanha.
Para evitar a guerra, o novo governo renunciou às pretensões portuguesas sobre o atual Uruguai, e cedeu à Espanha as duas ilhas de Fernão do Pó e Ano Bom, no golfo da Guiné (1778).
A Revolução Francesa e a guerra entre a França e a maior parte da Europa tornaram extremamente difícil a política externa de Portugal.
As manobras do governo português de conseguir uma tríplice aliança com a Espanha e com a Inglaterra contra a França revolucionária a nada conduziram, a não ser a uma hostilidade sistemática por parte da França.
Em 1793, corsários franceses começaram a atacar navios e comboios navais portugueses. Uma força expedicionária foi enviada para a Catalunha a fim de tomar parte numa ofensiva conjunta hispano-portuguesa contra a França. Mas a guerra terminou pouco tempo depois sem vantagem para qualquer dos contendores (1795).
Em 1795-1797, as negociações e acordos entre a França e Espanha previram uma invasão e conquista de Portugal. Depois de morosas manobras diplomáticas, que ao país não trouxeram nem vantagens nem honra, a Espanha e a França confirmaram a sua aliança e declararam guerra a Portugal (1801).
A campanha durou três meses ap***s mas revelou-se desastrosa.
No Alentejo, o Exército português foi sistematicamente derrotado.
Uma paz feita à pressa obrigou os Portugueses a entregarem a cidade de Olivença à Espanha e a pagarem uma pesada indemnização.
Ademais, Portugal comprometia-se a fechar os portos aos navios de guerra ingleses: tratado de Badajoz celebrado a 7 de junho de 1801 entre a Espanha, a França e Portugal em que Espanha conservou Olivença.
A curta guerra, conhecida como Guerra das Laranjas, porque uns atiradores inimigos tinham colhido, sob as muralhas de Elvas, dois ramos de laranjas que o primeiro-ministro espanhol Godoy enviou à rainha, começou em maio de 1801 com a invasão do Alentejo pelas forças espanholas em quatro pontos diferentes: Olivença, Juromenha, Campo Maior e Elvas.
As duas primeiras praças renderam-se imediatamente, a terceira umas semanas mais tarde e só a última não foi tomada.
Nos vários recontros que se seguiram, sempre as forças portuguesas, mal organizadas e pior dirigidas, sofreram reveses.
Caíram em poder do Exército espanhol Portalegre, Ouguela, Castelo de Vide, Monforte, Arronches, Crato, etc. No Norte, as forças portuguesas tomaram a ofensiva, invadindo a Galiza sob o comando de Gomes Freire de Andrade e ocupando algumas terras fronteiriças. Também no Algarve se tornou possível impedir a passagem do Guadiana pelo invasor.
Após a derrota de Napoleão Bonaparte e após as invasões francesas, Guerra Peninsular, ocorreu um congresso em Viena (1814-1815) que garantiu a plena independência e integridade de Portugal, restituiu Olivença aos Portugueses, facto que Espanha se recusou a aceitar, situação que se mantém até hoje.
Fontes: Enciclopédia; História de Portugal; Dicionário de História de Portugal.