22/01/2026
" Mas o caso mais extraordinário nestes anos inquietos que precederam o fim do tráfego legal de africanos pelo Atlântico foi o de o filho de um soberano no Congo que, escravizado e trazido para o Brasil, enviou um requerimento ao imperador, pedindo sua liberdade, igualmente alegando ter sido, de forma ilícita, capturado em sua terra e embarcado para o Brasil. Após 10 anos de cativeiro, ele consegue, afinal, uma brecha para provar sua verdadeira condição. Aparentemente, nas virada dos anos 1820 para 1830, as rotas do Atlântico tinham se tornado uma encruzilhada, onde plebeus e nobres africanos transitavam no martírio comum dos porões tumbeiros...Não era a primeira vez que membros de alguma casta governante de África usavam o Arsenal da Marinha como refúgio contra um tratamento brutal não condizente com as sua condição nobre."
Excerto do livro A Capoeira escrava e outras tradições rebeldes no Rio de Janeiro (1808-1850) Carlos Eugênio Líbano Soares Editora Unicamp .
Foto: O projeto Carybé em foto na cidade de Olhão surge de uma ideia original de Rita de Vilhena com o objetivo de dar a conhecer o concelho através de uma reencenação fotográfica inclusiva das gravuras realizadas pelo artista no início dos anos 50 no bairro da liberdade, Salvador da Bahia, retratando as famosas rodas de capoeira do mestre Waldemar. Este trabalho que foi realizado de forma voluntária por parte de todos os envolvidos e com o conhecimento da filha de Carybé, Solange Bernabó*. esta é a nossa carinhosa homenagem ao mestre Waldemar, ao artista Hector Julio Páride Bernabó (Carybé) e à cidade de Olhão.
Produção da Associação Cabaça Cultural, em colaboração com o fotógrafo Luís Santos e capoeiristas da região do Algarve.
*Solange Bernabó: "Fico feliz em saber que a obra de meu pai serviu de inspiração para o grupo RDA Capoeira Olhão.
Uma correção, ainda que meu pai gostasse muito de Mestre Bimba, ele era angoleiro e seguidor de Mestre Pastinha."