04/07/2025
Brasil e São Tomé e Príncipe compartilham raízes profundas, entrelaçadas por uma travessia histórica que não foi escolha, mas imposição. Mais do que a língua portuguesa, o que une os dois países é uma herança viva — feita de dor, resistência, criatividade e reinvenção — em que os laços comunitários foram mais fortes que as amarras da escravidão.
São Tomé foi um dos primeiros entrepostos do tráfico de africanos escravizados. Muitos seriam levados ao Brasil. O que começou como separação forçada, hoje se transforma em ponte.
A presença africana resiste entre nós, brasileiros, nos sabores (como o dendê, a banana-da-terra, o inhame), nos ritmos (da percussão ao batuque), nos falares cruzados pelo Atlântico. Em São Tomé, os crioulos forro, angolar e lung’ie seguem vivos; no Brasil, o português carrega ecos de línguas africanas e indígenas. São parentescos que se reconhecem sem tradução.
Agora, estaremos juntos — e com muitos outros, vindos de várias partes — no Festival das Ilhas do Mundo – Fim do Mundo, de 5 a 12 de julho de 2025, celebrando os 50 anos da Independência de São Tomé e Príncipe num grande fórum de ideias sobre o futuro do planeta. Conferências sobre mudanças climáticas, sustentabilidade e os caminhos para adiar o fim do mundo se unem à poesia, música, teatro, literatura e artes visuais — e acendem o desejo de estreitar laços, não apenas como destino, mas como território fértil de trocas culturais, afetivas e artísticas.
Ao apoiar a delegação brasileira no Festival — com as atividades do projeto Travessia das Letras — o Instituto Guimarães Rosa, do Itamaraty, atua como elo vivo: mais que representação oficial, é espaço de escuta, afeto e cooperação, reafirmando o papel da diplomacia cultural como ponte entre histórias cruzadas e futuros possíveis.