12/10/2025
JOÃO FIGUEIRA
portugal, palestina, Israel
o legado de melo antunes
https://www.unground.pt/txt/portugal-palestina-israel/
«No campo da doutrina, o sionismo que condenamos é o que proclama o principio consagrado na famosa “Lei do Retorno”, segundo a qual todo o judeu, i.e., todo o que professe a religião judaica, tem o direito (para não dizer o dever) de, seja qual for o país em que esteja fixado, instalar-se com direito de cidadania plena, em Israel. Importante é verificar que este direito é reconhecido aos judeus apenas, dele estando excluídos todos os outros povos, incluindo e principalmente aqueles que, há 14 séculos, povoam a Palestina. O sionismo que condenamos é ainda o movimento político nascido nos fins do século passado na Europa, como reacção, aliás justíssima, às perseguições de carácter étnico que os judeus aí fixados – do ramo asquenaze – sofreram e que culminaram nos horrores hitlerianos, movimento que se propõe criar num território, a Palestina, um Estado (Judenstaat) [i.e., um Estado Judaico] ao qual pertenceriam todos os judeus definidos como tais, não tanto pela sua fé, mas como membros de uma comunidade étnica. No campo da prática, o povoamento por israelitas de um território já habitado constitui uma colonização forçada e pressupõe a expulsão dos palestinianos ou a sua redução a um estado de sujeição; é, pois, uma situação colonial ou neocolonialista»
(Melo Antunes, Diário de Lisboa, 22.7.1976, http://casacomum.org/cc/visualizador?pasta=06825.175.27594 #!23)