13/06/2026
𝐴 𝐷𝘜́𝑉𝘐𝐷𝘈
Lançada a dúvida,
agarra-se a esperança.
Tempero da vida,
defronte da perplexidade indefinida.
No balanço que avança,
e logo recua,
apenas o hábito se mantém
no que hesitante se escusa.
O tempo granjeia
o que na alma flameja,
só a dúvida adia
o que o coração enjeita.
Palpitação incómoda,
dissuasora da declaração final.
Ou só porque atrasa a desdita,
acaso achará suprida a aflição.
Cambaleante, ora aceitando,
ora negando, dilui-se a imagem
afastando-a do inevitável veredito.
Pesarosa, a dúvida anseia a lucidez,
amparo protetor de demoras prolongadas.
Com ela não se enreda no que,
vai que não volta, a cobre de culpa.
O coração pressente e,
sem mais cuidados, braceja,
entediado com a irresoluta insistência.
Lança a rede a preâmbulos
reveladores.
Talvez fatal.
Mas deveras leve.
Luminosa, desfaz-se a maçadora incerteza,
liberta da insustentável hesitação.
Naquele demorado tempo,
a dúvida transportara, velada, a verdade
do que, antes de ser desvendado,
já fora pressentido presente.
𝘼𝙣𝙖 𝙎𝙖𝙣𝙩𝙤𝙨
📸 Gaimard in Pixabay