14/08/2026
𝗟𝗨𝗜́𝗦 𝗚𝗨𝗘𝗥𝗥𝗘𝗜𝗥𝗢 | 𝟭𝟵𝟲𝟬-𝟮𝟬𝟭𝟳
𝗧𝗥𝗜𝗕𝗨𝗧𝗢
𝐄𝐦 𝟐𝟎𝟏𝟕, a Fundação Manuel Viegas Guerreiro (FMVG) realiza a 2.ª edição do FLIQ – Festival Literário Internacional de Querença, homenageando a investigadora pessoana e professora catedrática da Universidade Nova de Lisboa, Teresa Rita Lopes (1937-2025). O evento-âncora da FMVG, imaginado e desenhado pelo primeiro Presidente da Fundação, Luís Guerreiro. Festa da Cultura, sem restrições nem fronteiras, geográficas ou mentais. A menina dos seus olhos, nos últimos dois anos de vida.
𝐄𝐦 𝟐𝟎𝟏𝟕, a ideia de Luís Guerreiro é inscrita no primeiro OPP – Orçamento Participativo de Portugal: a criação da 𝘏𝘦𝘮𝘦𝘳𝘰𝘵𝘦𝘤𝘢 𝘋𝘪𝘨𝘪𝘵𝘢𝘭 𝘥𝘰 𝘈𝘭𝘨𝘢𝘳𝘷𝘦. O sonho tornou-se real: foi anunciado publicamente, um mês após o seu falecimento. Foi o projecto mais votado a Sul, concretizado pela Universidade do Algarve. Este permitiu datar em 1833 o início da imprensa regional algarvia (𝘊𝘩𝘳𝘰𝘯𝘪𝘤𝘢 𝘥𝘰 𝘈𝘭𝘨𝘢𝘳𝘷𝘦. Faro, 15 de Julho de 1833).
𝐄𝐦 𝟐𝟎𝟏𝟕, o Centro de Estudos Algarvios, que fundou na sua aldeia natal, na sede da FMVG – e que inclui o núcleo hemeroteca – recebe o seu nome em sinal de tributo.
𝐄𝐦 𝟐𝟎𝟏𝟕, submete-se o projecto da Fundação – Percurso Eco-Botânico – ao programa CRESC ALGARVE 2020.
Em 2017, o jornal 𝘗𝘶́𝘣𝘭𝘪𝘤𝘰 edita um dossier sobre Historiadores Amadores. Luís Guerreiro estreia o caderno a 2 de Julho, com um artigo de Idálio Revez, que ouviu uma dezena de pessoas, entre elas, a escritora Lídia Jorge, os investigadores António Ventura, Vilhena de Mesquita, Luísa Martins e Romero Magalhães.
𝐇𝐨𝐣𝐞, o jardim 𝘪𝘯 𝘴𝘪𝘵𝘶, inaugurado sob a égide do centenário do nascimento de Manuel Gomes Guerreiro, é palco de inspiração de iniciativas culturais diversas, passeios espontâneos e programados, ponto de estudo e de escuta de temas como sustentabilidade, acção climática e coesão territorial.
Em 2025, o Percurso Eco-Botânico Manuel Gomes Guerreiro (PEB-MGG) recebeu o 5.º FLIQ | 𝘖𝘴 𝘨𝘳𝘢𝘯𝘥𝘦𝘴 𝘯𝘢𝘷𝘪𝘰𝘴 𝘥𝘢 𝘛𝘦𝘳𝘳𝘢, numa evocação – sem precedentes – às alfarrobeiras, com raiz na vida e obra de Lídia Jorge, uma das mais conceituadas e premiadas autoras portuguesas. Em uma das vertentes do PEB-MGG, inaugurou-se um anfiteatro.
Luís Guerreiro deixou a sua marca em Loulé e no país. O seu legado persiste, é estimado e ampliado pelas direcções que lhe sucederam, nessa homenagem à grande figura de «arquivo vivo», de bibliógrafo reconhecido dentro e fora da esfera académica, ao espírito sonhador e empreendedor.
Aos 57 anos, o «Engenheiro das Letras», assim apelidado por Joaquim Magalhães, legou a Querença para consulta universal mais de dois mil títulos sobre a região do Algarve. Romero de Magalhães sublinhou: «Ele deve ter das melhores colecções sobre Loulé, o Algarve e a República».
No dia do seu falecimento, partilha-se um poema de Casimiro de Brito, primeiro homenageado da primeira edição do FLIQ; em 2016:
𝘝𝘪𝘥𝘢 𝘚𝘦𝘮𝘱𝘳𝘦
Entre a vida e a morte há apenas
o simples fenómeno
de uma subtil transformação. A morte
não é morte da vida.
A morte não é inação, inutilidade.
A morte é apenas a face obscura,
mínima, em gestação
de uma viagem que não cessa de ser. Aventura
prolongada
desde o porão do tempo. Projectando-se
nas naves inconcebíveis do futuro.
A morte não é morte da vida: apenas
novas formas de vida. Nova
utilidade. Outro papel a desempenhar
no palco velocíssimo do mundo. Novo ser-se (comércio
do pó) e não se pertencer.
Nova claridade, respiração, naufrágio
na máquina incomparável do universo.
Casimiro de Brito, in 𝘚𝘰𝘭𝘪𝘥𝘢̃𝘰 𝘐𝘮𝘱𝘦𝘳𝘧𝘦𝘪𝘵𝘢
Luís Guerreiro, nascido em 1960, na aldeia que ajudou a consolidar como pólo cultural, frequentou a escola nos Corcitos, a três quilómetros de casa. Cresceu a ouvir o pai e o tio a contarem estórias à lareira. Licenciou-se em Engenharia pelo Instituto Superior Técnico (1981-1986), tendo integrado a equipa do Município de Loulé, recém licenciado e de regresso ao Algarve.
Paralelamente, fundou a livraria Odisseia e percorreu de forma sagaz os corredores de bibliotecas e arquivos. Apresentou livros, deu formação, participou em inúmeras palestras e tertúlias, comissariou exposições.
Na Fundação que ajudou a erguer, foi ainda responsável pelo projecto Romanceiro.pt, em colaboração com a Universidade do Algarve, plataforma que integra o Arquivo do Romanceiro Português, com 3.632 versões inéditas de romances publicados entre 1828 e 2011.
A sua memória será sempre presente e o agradecimento, eterno. Pelo precioso, profundo e inquestionável contributo de Luís Guerreiro à Fundação, a Querença, ao Algarve e à Cultura.