15/06/2024
PENA
Tive pena de mim, quando o dito amor teu por mim morreu
Quebrei-me em incontáveis pedaços que negaram recompor
Minhas lágrimas de fel, tinham gosto de mel, comparadas ao meu desgosto
Como se minha vida perdesse a vida. Um vazio ainda mais vazio!
A felicidade ganhou tristeza, a alegria perdeu na dor… e o meu amor…
Nem sei se amor… parecia-me que não! Era mais! Era um apego monstruoso…
Aquele gigante paranóico, que faz do amor uma criança, um menor que justifica como maior…
Que reclama direito em possuir-te a ti e todo o teu amor, para a sobrevivência do mim…
Mas, isto, parece ser astúcia do eu. Este que deseja que tudo seja meu e me satisfaça!
Me engana com promessas de minha morte se o nosso amor não tiver ressurreição
Arrasta-me pelos corredores do medo de ser sem ti, que me levam direto ao inferno onde o demónio sou eu sem ti
Alma minha, grita a Deus, cobra, insulta, desespera… condena a mim mesmo, rastejando na empena da minha profunda pena em ser sem ti
Mas, sem ti… nem sou! Era isto em meu pensar. Porque o amor próprio me abandonou quando para mim tornaste o próprio amor!
Roguei à tua pena para resgatar-me da “fraca-pena”. Onde a humilhação já nem humilha por ser tanto humilhante. Pois o egoísmo somente vê satisfação!
Nem meu intimo Deus, nem anjos, nem fadas, nem magos e nem amor essência, acordaram-me da ilusão do ego maior.
É uma pena que por pena minha, procurei tua pena para me amar… que seja com pena! Equivocada e tolamente assim viver… foi miserável, uma pena!
Por: Adelino Barros, em - Falar de Deus