03/08/2026
Há um mês acontecia o LISB-ON. E talvez só agora estejamos verdadeiramente a sair da hipnose, ou da anestesia de adrenalina, daqueles dias.
Ao longo destes anos já enfrentámos edições de chuva, vento e calor. Já tivemos de cancelar um evento LISB-ON. Já passámos por momentos em que parecia que tudo estava contra nós.
Mas nada nos custou tanto como, a poucos dias de abrir portas, perceber que tínhamos de arrumar um festival praticamente pronto e voltar a montá-lo de raiz, num recinto diferente, onde já não estávamos há mais de sete anos.
Foram dias difíceis de explicar a quem não os viveu por dentro. Desmontar, transportar, redesenhar, adaptar, voltar a montar. Resolver em horas aquilo que normalmente se prepara durante meses.
E, no meio de tudo isto, continuar a acreditar que íamos conseguir entregar o LISB-ON que tínhamos prometido.
Num mundo cada vez mais centrado no crescimento, nos números e na gentrificação da música eletrónica, sobreviver durante todos estes anos à febre dos sold outs, à guerra pelos públicos, pelos artistas e pela atenção, mantendo a nossa identidade, já é por si só uma conquista.
Mas enfrentar um desafio como este fez-nos perceber ainda melhor porque continuamos aqui.
Há um sentimento imensurável de amor por aquilo que fazemos. Uma vontade irracional de proteger, cuidar e fazer crescer algo que nasceu connosco e que, tantos anos depois, continua a ser profundamente nosso.
E há, acima de tudo, pessoas.
Uma equipa que fez o impossível parecer possível. Parceiros que estão connosco desde o primeiro ano e outros que se foram juntando à família pelo caminho. Relações que há muito deixaram de ser apenas comerciais. Pessoas que, quando tudo parecia demasiado difícil, não perguntaram se valia a pena. Perguntaram: “Como é que fazemos?”
Porque, no final do dia, o Jardim Sonoro nasceu de uma paixão em conjunto: a música.
Música sem cores, sem raças, sem linhas políticas ou sociais. Um jardim onde diferentes gerações, histórias e pessoas se encontram pela mesma razão.
Um mês depois, já com a adrenalina a desaparecer, começamos finalmente a perceber o que fizemos.
Não foi a edição que planeámos.
Mas foi provavelmente a edição que melhor e