SUL DA LÍNGUA

SUL DA LÍNGUA SUL DA LÍNGUA é um projecto que une música, oralidade e cultura tradicional, criado por Ana Sofia Paiva, em parceria com o B.leza.

SUL DA LÍNGUA, lançado em em 2016, é um projecto criado por Ana Sofia Paiva, em parceria com a catedral da cultura africana em Lisboa que é o B.LEZA, com o intuito de celebrar a Palavra a Sul. Uma travessia partilhada à procura de encontrar o sul da língua como quem busca o sal da vida, na África dos contos. À procura de enraizar sal, sol, saudade e sul. Cruzando leitura, canto, música, dança e tr

adição oral, o SUL DA LÍNGUA faz-se a muitas vozes, para dar voz à palavra dos escritores/narradores da lusofonia africana e ao imenso oceano de oralidade onde cada um deles sacia a sua/nossa infinita sede de storia.

SUL DA LÍNGUA: Um Caminho de PalavrasDezembro 2016, Dezembro 2017: fechámos um ciclo em B.leza. Percorremos, juntos, um ...
23/12/2017

SUL DA LÍNGUA: Um Caminho de Palavras

Dezembro 2016, Dezembro 2017: fechámos um ciclo em B.leza. Percorremos, juntos, um caminho de palavras.

Há 1 ano estávamos a desbravar o nosso primeiro Sul a convite da irmãs Saudade, a Madalena e a Sofia. A provocação era organizar noites dedicadas à palavra na catedral da cultura lusófona lisboeta que é o B.Leza Clube.

Chegámos a este nome, 'Sul da Língua', após praias horas de conversa - eu e a Maria Adelina Amorim. Era preciso explicar o projecto e o primeiro manifesto dizia assim:

«SUL DA LÍNGUA é um projecto de celebração da Palavra. Um projecto à procura de encontrar o 'sul da língua' como quem busca o sal da vida, na África dos contos. Cruzando leitura, canto e narração oral, o SUL DA LÍNGUA faz-se a muitas vozes, para dar voz à palavra dos grandes escritores da África lusófona e ao imenso oceano de oralidade onde cada um deles sacia a sua/nossa infinita sede de storia.»

Mas não é só, pois não. Depois ainda se disse que Sul era sempre o lugar de quem insiste, de quem resiste.

SUL é o lugar de encontro, a geografia primordial, é âncora e raiz; o perímetro inquieto da memória.

SUL é bússola inevitável se queremos não perder a voz. É LÍNGUA. Cultura de língua.

SUL é como escreveu a IMENSA Maria Adelina:

"Entre a náusea e a flor, perdi-me nesta LÍNGUA. De História(s). Um dia, saberei onde está o Norte, onde f**a o Sul. Onde está o meu lugar. Onde me sou. Onde me sei. O que eu sei, é que nesta LÍNGUA navegam os barcos da minha MEMÓRIA lucidamente abstracta."

SUL é sermos TERRA, é nossos barros, nossos sangues, pedras brancas, ilhas negras e águas sempre correntes, sempre sinceras.

SUL é corpo e caravana, caravela, capulana, vento, cicatriz e todos esses mapas sagrados, rasgados na carne comum que nos cose ao chão.

SUL é como disse o IMENSO João Branco, director do Mindelact e o homenageado deste ano pelo FESTLIP, o Festival Internacional de Artes da Língua Portuguesa:

"Quando me perguntam se eu sou isto ou aquilo, daqui ou dali, eu digo apenas, sou crioulo, porque a minha vida resulta dessas misturas. E não somos todos?"

SUL é nós, pluralidade oceânica, é um mais um mais um mais um.

SUL sou eu a dizer "insisto e não estou só".

SUL é haver sempre alguém que insiste em dizer coisas.

SUL é sementeira de palavras, muitas línguas, a promiscuidade afrodisíaca de quem sabe amar.

Porque SUL é colo e é embalo e morabeza.
Infinita capacidade de dar.
Infinita capacidade de vencer toda a m***a com AMOR.

Por isso o Sul da Língua é um caminho de Palavra e Amor.

O 'sul' de uma língua é a sua oralidade e a própria figura do narrador, do contador de histórias que “fala por todos e se confunde com as vozes de todos, no contínuo fluir da História na natureza.” [Claudio Magris, in 'Alfabeltos', citando Walter Benjamin]

Seguimos em frente.
Obrigad@ a tod@s por esta caminhada.

De António Ramos Rosa, “Caminho de palavras”, enviado pela Maria Adelina Amorim e seguido de um poema de sua autoria.

«Sem dizer o fogo – vou para ele. Sem enunciar as pedras, sei que as piso – duramente, são pedras e não são ervas. O vento é fresco: sei que é vento, mas sabe-me a fresco ao mesmo tempo que a vento. Tudo o que sei, já lá está, mas não estão os meus passos nem os meus braços. Por isso caminho, caminho porque há um intervalo entre tudo e eu, e nesse intervalo caminho e descubro o meu caminho. Mas entre mim e os meus passos há um intervalo também: então invento os meus passos e o meu próprio caminho. E com as palavras de vento e de pedras, invento o vento e as pedras, caminho um caminho de palavras. Caminho um caminho de palavras (porque me deram o sol) e por esse caminho me ligo ao sol e pelo sol me ligo a mim. E porque a noite não tem limites alargo o dia e faço-me dia e faço-me sol porque o sol existe. Mas a noite existe e a palavra sabe-o».

PORQUE ME DERAM O SOL
(Para Ana Sofia Paiva)

A palavra sabe que a noite existe
e que por ela o fogo foi dito
as pedras nomeadas
e as ervas também

A palavra sabe que o fogo existe
e que fogo é pedra e carne
e sangue também

A palavra sabe que o vento existe
e que por ele o carvão foi dito
a brisa nomeada
e o mar também

e que fresco é brisa e ar
e tormenta também

A palavra sabe que o homem é ele e o caminho
e o caminho é ele
também

A palavra sabe que nos intervalos dos seus passos
nascem fios de prata
e cabelos de silêncio

A PALAVRA sabe nomear a luz
e o esquecimento da noite...

PORQUE ME DERAM O SOL
E a palavra sabe.

Muito obrigad@ a tod@ por mais um SUL. Fechámos um ciclo em B.leza. Percorremos, juntos, um caminho de palavras. Boas Fe...
23/12/2017

Muito obrigad@ a tod@ por mais um SUL. Fechámos um ciclo em B.leza. Percorremos, juntos, um caminho de palavras. Boas Festas e até para o ano!

"Um caminho de palavras"
Fotografias de Ariel Pinheiro

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SUL DA LÍNGUA | 20 Dez | 22h | B.Leza

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CRISTINA TAQUELIM & KLEMENT TSAMBA

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Banca de Literaturas Afrikanas
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+.. convidados surpresa!

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