A Arte das Musas foi fundada em Lisboa, em 2001, por Filipe Faria para “pôr as coisas fora do lugar”. Somos uma produtora independente, vocacionada para a produção de projectos de conceito original, com uma pequena equipa que se multiplica entre Lisboa, Aveiro e Idanha-a-Nova assente numa filosofia de trabalho ligada à intimidade e ao desafio da arte, da cultura e da comunicação. Com uma experiênc
ia de mais de uma década no desenvolvimento de projectos conceptuais em contextos urbanos e rurais estabelecemos uma extensa rede, nacional e internacional, de parcerias com entidades públicas e privadas, festivais e salas de espectáculo que resultaram em diversos projectos de tipologias tão diferentes como a programação, a produção, a comunicação, o management ou o design. Entre 2003 e 2011, com o apoio do Ministério da Cultura (agora Secretaria de Estado da Cultura), da Direcção-Geral das Artes e de inúmeras entidades, públicas e privadas, regionais e nacionais (Delta Cafés, EDIA, Admninistração do Porto de Sines, Autarquias, Governos Civis, Regiões de Turismo, etc…), desenvolvemos, entre outras, a programação e produção do projecto original intitulado Festival Terras sem Sombra do Baixo Alentejo entendido, pela crítica, como um dos mais relevantes projectos de programação musical descentralizada da primeira década do novo século. Este projecto procurou dar especial ênfase aos novos valores da música erudita em Portugal, oferecendo um palco de carácter internacional e englobando-os numa programação que integrou, a par, nomes, nacionais e internacionais, de maior estatuto, de onde se destaca o nome de Jordi Savall (Espanha). Em 2012, no contexto da parceria com a Câmara Municipal de Idanha-a-Nova desenhámos o Festival Fora do Lugar, Festival Internacional de Músicas Antigas, um novo projecto de conceito original. Nascido num momento de grande incerteza e perplexidade – no qual tudo parece estar fora do lugar – o Festival procura desafiar a comunidade artística e o público nacional a encontrar, na arte, uma renovada esperança de diálogo entre a ancestralidade e a contemporaneidade, entre a arte do mundo, a da academia e a das tradições populares. A promoção destes diálogos nestes dias aparentemente cinzentos têm o poder de promover a valorização das tradições regionais do nosso país, quando integradas numa programação descentralizada, descomplexada mas preocupada com a formação de novos públicos para as artes antigas, raízes do tempo presente…
O Festival tem como objectivo promover e desenvolver um projecto de fusão entre a ancestralidade e a contemporaneidade e o diálogo da arte e da cultura com o património, as tradições e a ecologia humana. Este é um espaço onde a experimentação, a aprendizagem, a fruição musical e cultural, a criação, o diálogo e a promoção de novas linguagens é enquadrada por um contexto complementar de relação com os espaços patrimoniais – expectáveis ou inesperados – da cultura erudita, da cultura popular ou da arqueologia industrial e agrícola e ainda com as tradições populares e os aspectos de ecologia humana. O Festival abre a porta de lagares ancestrais onde ainda se pode cheirar o azeite, capelas antigas de pedra e arte, casas familiares históricas, hangares de fábricas agrícolas desactivadas, palacetes oitocentistas e outros centros de cultura. A rede de parcerias regional potencia a promoção dos fabulosos destinos patrimoniais do concelho de Idanha-a-Nova e a valorização da massa crítica que nos últimos anos o município tem vindo a manter, com assinalável sucesso, num conjunto de iniciativas de programação integradas. Fora do Lugar conta com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura (Governo de Portugal), Direcção-Geral das Artes, Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, Naturtejo, Aldeias Históricas, Centro Cultural Raiano e do Projecto Oralidades/UE. A par da produção e programação cultural, fundámos, em 2006, com reconhecido sucesso pelo público e especialidade, nacional e internacional, a editora MU. Este projecto promove a criação e acolhimento de projectos originais de edição discográfica, de programação e de circulação. Os projectos, centrados na criação de novas linguagens de fronteira e de quase ruptura com paradigmas mais ou menos institucionalizados, procuram fomentar as bases estéticas e conceptuais da criação artística contemporânea nacional que têm sido preteridas pelas editoras “mainstream”. MU apresenta-se com um projecto editorial independente vocacionado para a música antiga, para a música contemporânea e para as músicas de fronteira e do mundo que procura potenciar a distribuição nacional e internacional, com uma forte aposta na direcção artística, na comunicação gráfica e nas novas tecnologias, de projectos inovadores com linguagens próprias. O nome MU tem origem num conjunto alargado de significados associados a esta expressão em diversas culturas. Na Antiguidade Clássica era utilizada na expressão “Alpha, Mu e Omega” que significava o princípio, o meio e o fim de todas as coisas. Um dos mais interessantes representantes deste processo criativo tem sido o consort de música antiga e contemporânea Sete Lágrimas, dirigido musicalmente por Filipe Faria (fundador da Arte das Musas) e Sérgio Peixoto, com o qual desenvolvemos, desde 2000, uma temporada de concertos anual – nacionais e internacionais – bem como um projecto estratégico editorial anual com o objectivo de contribuir para esta tendência internacional das novas linguagens musicais de cruzamento bem como para a valorização do património material e imaterial português e ainda para a valorização do trabalho artístico profissional dos músicos portugueses. Fundado em Lisboa, no ano 2000, por Filipe Faria e Sérgio Peixoto, Sete Lágrimas é um consort especializado em música antiga e contemporânea que assume o título e o carácter da inovadora colecção de danças do compositor renascentista John Dowland. Profundamente dedicados aos diálogos da música antiga com a contemporaneidade bem como da música erudita com as tradições seculares, Sete Lágrimas juntam músicos de diferentes horizontes musicais e enorme talento em torno dos seus projectos conceptuais animados por profundas investigações musicológicas mas também por processos de inovação, irreverência e criatividade em torno dos sons, instrumentário e memórias da música antiga. Nestes projectos são identificáveis os diálogos entre a música erudita e a popular, entre a música antiga e a contemporânea e a secular diáspora portuguesa dos descobrimentos e o eixo latino mediterrânico convertidos em som através de uma fiel interpretação dos cânones da música antiga ou de uma aproximação a elementos definidores da música tradicional ou do jazz. Sete Lágrimas colabora regularmente com músicos e solistas internacionais como María Cristina Kiehr (Argentina), Zsuzsi Tóth (Hungria) ou Ana Quintans (Portugal) e com músicos dos contextos tradicional, jazz e do mundo como Mayra Andrade (Cabo Verde), António Zambujo (Portugal) ou as Adufeiras de Monsanto (Portugal). Desde a sua fundação, o grupo desenvolve uma intensa actividade concertística de mais de duzentos concertos em Portugal, Bulgária, Itália, Malta, Espanha, Macau, Suécia, França, Bélgica, Noruega, etc… A sua discografia inclui os títulos seus títulos “Lachrimæ #1” (2007), “Kleine Musik” (2008), “Diaspora.pt: Diáspora, vol.1” (2008), “Silêncio” (2009), “Pedra Irregular” (2010), “Vento” (2011), “Terra: Diáspora, vol.2” (2011), “En tus brazos una noche” (2012) e “Península: Diáspora. Fundado por Filipe Faria e Tiago Matias em 2012 – antecipando o 110º aniversário da morte do pintor pós-impressionista Paul Gauguin (1848-1903) – Noa Noa procura explorar, em música, as fronteiras da liberdade criativa que os artistas da viragem do século XIX para o XX propunham alcançar. A liberdade criativa que se vivia na Europa de então encontra paralelo na História da Música Ocidental do século XVIII no qual o músico era formado para saber cantar, tocar um ou mais instrumentos, improvisar, compor e dirigir. A tradição de resposta sem fronteiras ao apelo criativo é tão antiga como o Homem e volta a ter eco nas tendências recentes da moderna prática da Música Antiga com a constatação de que o músico no passado tinha uma formação multifacetada que contrasta com a super-especialização a que se chegou no século XX e XXI. A própria redescoberta dos instrumentos históricos e das suas técnicas de execução tem vindo a iluminar o passado, mas ao mesmo tempo tem servido de inspiração a compositores contemporâneos para novas obras, linguagens e estéticas. Em parceria com a Câmara Municipal de Idanha-a-Nova e a Arte das Musas, Noa Noa assume, no início de 2013, o estatuto de Artists-in-Residence neste concelho – com base na Aldeia Histórica de Idanha-a-Velha. Esta parceria concretiza-se na promoção de residências artísticas regulares que permitem olhar para o universo musical muito particular desta região raiana a partir de dentro, junto da população, dos músicos e artistas locais e dos seus espaços e hábitos. No mesmo ano Noa Noa assume ainda o estatuto de projecto parceiro do Festival Fora do Lugar, Festival Internacional de Músicas Antigas.