03/06/2024
Há dias ouvi um podcast que era uma conversa entre 4 homens sobre o hip hop português, a propósito do lançamento de um livro sobre o tema. 4 homens que ouço, leio e respeito muitíssimo pelos anos de experiência que têm no jornalismo e na música portuguesa em geral, dois deles no hip hop português.
Mas não deixo de f**ar surpreendida (ainda fico) com a total ausência de uma pergunta, um desabafo, um comentário acerca das mulheres rappers que fizeram e fazem parte da história do HH tuga. 4 homens, esperava-se que pelo menos um deles mencionasse um nome de uma rapper, de um coletivo, de um lançamento, de uma história. ZERO. E estavam a falar de 40 anos de HH tuga. Felizmente o livro em questão menciona muitas delas, mas na conversa fluida entre os 4, que bem sei que foram apenas 52 minutos de conversa, nem 1 nome foi referido.
A falta de representatividade de mulheres na cultura e na música em particular é um tema sistémico, problemático, longo, histórico, aborrecido para muitos. Talvez.
Mas se o promotor do Primavera Porto vem ao fim destes anos finalmente orgulhar-se do cartaz feminino que apresentou, também foi porque estes assuntos foram sendo falados e transformando o pensamento dos homens que programam. (não precisam de agradecer.)
Não me cansarei de falar, debater e contribuir com o que posso para dar mais palco a mais mulheres. Felizmente faço o que gosto (como todas as pessoas que lutam por uma causa) faço-o com grande espírito de missão e apaixonada por poder fazê-lo através da Skoola, com uma equipa alinhada comigo. Mas faço-o à mesa de jantar em família, em conversas com CEOs, com os meus filhos, na rua e no dancefloor. Até me calarem.
E por falar nisso, estão abertas as candidaturas para um Programa especifico de promoção de mulheres rappers portuguesas, financiado pela EU, cujo prazo termina a 12 de junho. Se puderem passar a palavra!