08/05/2026
Em Maio de 1968, estudantes tomaram as ruas de Paris contra a guerra e a desigualdade. Uma revolução cultural, política e geracional que ecoou pelo mundo inteiro até aos dias de hoje.
No cenário actual em Portugal, onde estudantes enfrentam rendas e propinas incomportáveis e a investigação é dominada pela precariedade, reflectimos sobre a importância da desobediência estudantil e o trabalho académico como forma de resistência, através duma selecção de filmes que passaram pelo Doclisboa.
🎥 “June Turmoil” (1969), de Želimir Žilnik, documenta manifestações de estudantes, em Belgrado, em Junho de 1968, capturando a imersão dum actor profissional numa situação de vida real: Stevo Žigon declama, em frente a uma imensa multidão, o monólogo de Robespierre extraído de “A Morte de Danton”, de Büchner.
🎥 “We Demand” (2016), de Kevin Jerome Everson e Claudrena N. Harold, conta a história do movimento contra a Guerra do Vietname na perspectiva de James R. Roebuck, um afro-americano que estudou na Universidade da Virgínia no entre os anos 60 e 70.
🎥 “United Red Army” (2007), de Kōji Wakamatsu. Em 1972, 14 membros do Exército Vermelho Unido foram executados, durante sessões de “autocrítica”. Os sobreviventes resistiram à polícia durante dias, num dos momentos cruciais da história do Japão. Este filme debate a radicalização das universidades nipónicas nos anos 60.
🎥 “Whoever Loves the Earth” (1974), de Joachim Hellwig, Uwe Belz, Jürgen Böttcher e Harry Hornig mostra o X Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes em Berlim Oriental em 1973. Sem comentários, vive apenas do som original dos estudantes em discussão, contributos musicais, discursos e apresentações, com particular destaque à activista Angela Davis.
🎥 “Cosas de mujeres” (1978), de Rosa Martha Fernández. Os anos 1970, no México, foram marcados pelo nascimento do movimento feminista e pelo surgimento de um novo cinema independente. O colectivo Cine Mujer, de várias alunas do Centro Universitário de Estudos Cinematográficos, realiza um trabalho sobre o ab**to no México, que eventualmente resultaria neste filme, apresentando o caso de uma jovem estudante submetida à humilhação de um médico que pratica a operação clandestinamente e a leva a ser hospitalizada.
🎥 “74” (2012), de Rania Rafei e Raed Rafei. A 19 de Março de 1974, estudantes ocuparam a Universidade Americana de Beirute, revoltando-se contra o aumento de 10% das propinas. O protesto foi parte de um vasto movimento exigindo mudança no país. A 13 de Abril de 1975, eclodiu a Guerra Civil Libanesa, pondo fim a todos os movimentos sociais. Em 2011, sete jovens activistas políticos recriaram a revolta estudantil de 1974, ao eclodirem revoluções por todo o mundo árabe.
🎥 “Pride” (2021), de Kevin Jerome Everson e Claudrena N. Harold. Em 1975, estudantes da Universidade da Virgínia lançaram Pride, uma publicação mensal intelectualmente estimulante que cobria artes, cultura, história e política, sob orientação da Aliança de Estudantes Negros. Situado em Charlottesville, no início dos anos 1990, o filme acompanha uma aspirante a escritora enquanto ela finaliza notícias para a última edição de Pride.
🎥 “Not a Carwash” (2012), de Gentian Koçi. O realizador Kujtim Cashku tentou realizar uma conferência de imprensa para discutir uma disputa de terras com a sua escola de cinema e dirigentes municipais. A polícia interrompeu a concentração pacífica e tentou tomar o jardim e o cinema ao ar livre da escola. O filme capta os dias dramáticos que se seguiram quando alunos, professores, activistas e amantes de cinema tentaram impedir que o ecrã fosse destruído pela polícia e interesses empresariais.
🎥 “Winners fight” (2023), de Mukesh Kumaravel. Setembro, Universidade de Paris-Nanterre. Uma centena de alunos não tem colocação no início do ano lectivo. Perante esta situação, decidem fazer ouvir as suas vozes e junta-se-lhes uma união estudantil numa luta de vários meses.