13/06/2026
PSU
Parece a sigla de um partido novo; mas na verdade sob a bandeira da recomposição e unificação de subsídios velhos, surge uma medida com um alcance enorme, embora velado, que ainda não vi ninguém escalpelizar.
Apesar de eu também criticar o carácter estigmatizante da miséria, que lhe perpassa no quadro actual em que se irá aplicar se aprovada, o facto é se tratará de uma lei focada no futuro, digo eu claro.
E o futuro, mais próximo do que supomos, será o de uma sociedade cada vez mais automatizada, com cada vez mais pessoas sem trabalho ou possibilidades sustentáveis de prover as suas necessidades básicas.
E eis então a PSU, que não será outra coisa senão um subsídio miserável de rendimento mínimo garantido, para todos os que tiverem o azar de se confrontar com os efeitos secundários da evolução tecnológica.
Entretiveram as pessoas durante meses na discussão de um pacote laboral que daqui a uns anos quase não se aplica a ninguém, enquanto que a Lei de "protecção" social mais estruturante para as próximas décadas irá passar à socapa, em pleno verão, sem discusão e apressadamente.
Ainda acham que isto é tudo incompetência governativa? Não estão a ver o filme. Para mim é estratégia... e cairam todos na ratoreira.
Nada contra o trabalho social (para quem o puder fazer); mas tudo contra subsídios de miséria. O que é urgente isso sim é discutir as novas fontes de financiamento da segurança social, de que o governo tanto foge, pois se os robosts não descontarem em benefício de quem não irá ter direito ao trabalho, como vai ser meus amigos? Os novos empregos que alegadamente irão surgir como coelhos milagrosos da cartola... não irão absorver todas as pessoas sem ocupação, seguramente.
Estarei a ver mal? Talvez e oxalá que sim... mas preocupa-me muito mais essa forma previsível de escravatura disfarçada de solidariedade do que as actuais discusões, por muito fundadas que sejam (e são).
Bem hajam
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Foto: Internet