Sem Pontuação

Sem Pontuação Autor: Augusto José J. D. Jacinto

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O Homem é o ser paradoxal,que além de assaz inteligente,é o mais estúpido do universo conhecido.Começou por tratar a saú...
20/07/2026

O Homem é o ser paradoxal,
que além de assaz inteligente,
é o mais estúpido do universo conhecido.

Começou por tratar a saúde como magia,
depois elevou-a à condição de arte vocacional
com a profissionalização dos cuidados
sob a forma de serviço.

Atribuiu-lhe disciplinas que estudou,
investigou e transformou em ciências;
hoje faz dela um negócio mesquinho
trocando-a por meia dúzia de moedas reluzentes.

E replica a todos os níveis essenciais
a mesma atitude mercantil;
já deixou há muito de ser pessoa,
para se tornar mealheiro.

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09/07/2026

“Ou os homens de língua portuguesa inventam qualquer coisa, criam qualquer coisa que tire o mundo da confusão em que está hoje, da escravidão em que vive quase toda a gente - escravidão de várias espécies -, e a liberta para uma vida que seja verdadeiramente humana, e até mais que humana, ou, então, o papel dos homens de língua portuguesa vai ser muito restrito no mundo. E é capaz de aparecer alguém a tomar esse encargo. Gostaria muito que fossem os homens de língua portuguesa a terem uma mensagem que fosse válida para a Europa, porque, coitada da Europa!, não tem mais nenhuma mensagem para dar. É preciso que uma das tarefas de Portugal seja essa de fazer com que a Europa tenha alguma mensagem a dar para o futuro e se ocupe de coisas mais largas do que aquelas que primacialmente a têm ocupado.”

Agostinho da Silva, A MINHA META É O PONTO SEM DIMENSÃO, (Entrevista a Antónia de Sousa) [1986], IN DISPERSOS, Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, 1988, p. 135.

PSUParece a sigla de um partido novo; mas na verdade sob a bandeira da recomposição e unificação de subsídios velhos, su...
13/06/2026

PSU

Parece a sigla de um partido novo; mas na verdade sob a bandeira da recomposição e unificação de subsídios velhos, surge uma medida com um alcance enorme, embora velado, que ainda não vi ninguém escalpelizar.

Apesar de eu também criticar o carácter estigmatizante da miséria, que lhe perpassa no quadro actual em que se irá aplicar se aprovada, o facto é se tratará de uma lei focada no futuro, digo eu claro.

E o futuro, mais próximo do que supomos, será o de uma sociedade cada vez mais automatizada, com cada vez mais pessoas sem trabalho ou possibilidades sustentáveis de prover as suas necessidades básicas.

E eis então a PSU, que não será outra coisa senão um subsídio miserável de rendimento mínimo garantido, para todos os que tiverem o azar de se confrontar com os efeitos secundários da evolução tecnológica.

Entretiveram as pessoas durante meses na discussão de um pacote laboral que daqui a uns anos quase não se aplica a ninguém, enquanto que a Lei de "protecção" social mais estruturante para as próximas décadas irá passar à socapa, em pleno verão, sem discusão e apressadamente.

Ainda acham que isto é tudo incompetência governativa? Não estão a ver o filme. Para mim é estratégia... e cairam todos na ratoreira.

Nada contra o trabalho social (para quem o puder fazer); mas tudo contra subsídios de miséria. O que é urgente isso sim é discutir as novas fontes de financiamento da segurança social, de que o governo tanto foge, pois se os robosts não descontarem em benefício de quem não irá ter direito ao trabalho, como vai ser meus amigos? Os novos empregos que alegadamente irão surgir como coelhos milagrosos da cartola... não irão absorver todas as pessoas sem ocupação, seguramente.

Estarei a ver mal? Talvez e oxalá que sim... mas preocupa-me muito mais essa forma previsível de escravatura disfarçada de solidariedade do que as actuais discusões, por muito fundadas que sejam (e são).

Bem hajam

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11/06/2026

É uma espécie de dois em um da pulhice: retiram-se empregos a pessoas qualificadas para os entregar a mão de obra desqualificada e praticamente gratuita, que passará a cuidar de idosos, crianças ou pessoas com deficiência

01/06/2026

-me

É questionável eu seiO livro, enquanto representante quase estrutural do próprio autor, é o seu prolongamento epigenétic...
13/05/2026

É questionável eu sei

O livro, enquanto representante quase estrutural do próprio autor, é o seu prolongamento epigenético vincado no papel ou nos electrões do mundo digital. É o filho menos metafórico de todas as metáforas da paternidade. E um filho não se vende; pelo menos é o que sinto e é nessa conformidade que agirei. É questionável e pouco consensual, eu sei; mas é a minha perspectiva.

E neste contexto estou a tratar da criação de uma empresa de edição de autor, para poder oferecer os meus livros, cobrando apenas o custo unitário de produção na gráfica, os custos de envio e uma pequena taxa que permita, por cada dois livros "vendidos", oferecer um a uma biblioteca. Sem qualquer lucro para o autor; mas evitando perdas.

Não tenho ainda uma certeza absoluta nas minhas contas, mas é provável que consiga oferecer por 6 euros, cada livro até 100 páginas (custo de envio incluido).

Além disso, e se me for permitido, contarei apresentar os livros nas tertulias onde participo.

Não foi fácil dar este passo, algo contra natura, pois sempre defendi que um autor não deveria perder tempo com as ninharias da promoção; mas no mundo de hoje já percebi que essa metodologia jamais me retirará os livros do pdf.

Mas atenção: será exclusivamente uma editora de autor; não irei engrossar as fileiras daqueles que por aí andam a explorar o esforço alheio. Edito e ofereço apenas os meus livros.

Bem hajam

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Baixar a Idade da Reforma?Não sou especialista em sustentabilidade da segurança social; porém, se for viável, concordo q...
30/04/2026

Baixar a Idade da Reforma?

Não sou especialista em sustentabilidade da segurança social; porém, se for viável, concordo que se baixe a idade da reforma... mas.

O meu mas é que a medida deve ser justa do ponto de vista relativo. Isto é: baixar hoje a idade da reforma, sem considerar quem se aposentou desde a data das últimas alterações introduzidas no calculo da idade da reforma (2019) será uma tremenda injustiça relativa.

Se o governo vier a assumir uma tal medida, deverá legislar igualmente sobre o modo de recalcular as penalizações e bonificações daqueles que já se reformaram desde 2019; de outro modo será um erro tremendo introduzir assim um factor discriminatório inaceitável.

Outra questão será baixar a idade da reforma como contrapartida a um pacote legislativo laboral que, além de profundamente danoso para os trabalhadores portugueses, não introduz nenhuma medida de enquadramento relativa ao desenvolvimento tecnologico actual e futuro, com repercusão no mercado de trabalho.

Portanto: uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa. Misturar alhos com bugalhos nunca deu bom resultado, até porque a legislação sobre as pensões é outra e bem diferente da legislação laboral.

Bem hajam.

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