Centro Nacional de Cultura

Centro Nacional de Cultura "É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

[𝐍𝐎𝐕𝐎 𝐏𝐎𝐃𝐂𝐀𝐒𝐓] 📢 𝐅𝐞𝐫𝐧𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐀𝐧𝐭𝐨́𝐧𝐢𝐨 𝐁𝐚𝐩𝐭𝐢𝐬𝐭𝐚 𝐏𝐞𝐫𝐞𝐢𝐫𝐚 𝐧𝐨 𝐌𝐮𝐬𝐞𝐮 𝐝𝐞 𝐀𝐫𝐭𝐞 𝐌𝐨𝐝𝐞𝐫𝐧𝐚 𝐞 𝐂𝐨𝐧𝐭𝐞𝐦𝐩𝐨𝐫𝐚̂𝐧𝐞𝐚 𝐌𝐨𝐡𝐚𝐦𝐞𝐝 𝐕𝐈Em 2024, o CNC r...
04/09/2026

[𝐍𝐎𝐕𝐎 𝐏𝐎𝐃𝐂𝐀𝐒𝐓] 📢 𝐅𝐞𝐫𝐧𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐀𝐧𝐭𝐨́𝐧𝐢𝐨 𝐁𝐚𝐩𝐭𝐢𝐬𝐭𝐚 𝐏𝐞𝐫𝐞𝐢𝐫𝐚 𝐧𝐨 𝐌𝐮𝐬𝐞𝐮 𝐝𝐞 𝐀𝐫𝐭𝐞 𝐌𝐨𝐝𝐞𝐫𝐧𝐚 𝐞 𝐂𝐨𝐧𝐭𝐞𝐦𝐩𝐨𝐫𝐚̂𝐧𝐞𝐚 𝐌𝐨𝐡𝐚𝐦𝐞𝐝 𝐕𝐈

Em 2024, o CNC regressou a Marrocos para visitar as fortalezas e cidades do Sul, acompanhado por Fernando António Baptista Pereira e Guilherme d’Oliveira Martins.

Publicamos a intervenção de Fernando António Baptista Pereira sobre o Movimento CoBrA, na exposição patente no Museu de Arte Moderna e Contemporânea Mohamed VI em Rabat, no dia 2 de novembro.

:: SoundCloud
https://soundcloud.com/cnc_75anos_2020
:: Apple Podcasts
https://apple.co/2J9PIh3
:: Spotify
http://bit.ly/3GHnFnp

🎧 Audio-histórias do Centro Nacional de Cultura


🏛️ 𝐏𝐫𝐨𝐠𝐫𝐚𝐦𝐚 “𝐎𝐬 𝟕 𝐌𝐚𝐢𝐬 𝐀𝐦𝐞𝐚𝐜̧𝐚𝐝𝐨𝐬” 𝟐𝟎𝟐𝟕: 𝐜𝐚𝐧𝐝𝐢𝐝𝐚𝐭𝐮𝐫𝐚𝐬 𝐚𝐛𝐫𝐞𝐦 𝐚 𝟏𝟎 𝐝𝐞 𝐬𝐞𝐭𝐞𝐦𝐛𝐫𝐨A Europa Nostra prepara uma nova edição do p...
03/09/2026

🏛️ 𝐏𝐫𝐨𝐠𝐫𝐚𝐦𝐚 “𝐎𝐬 𝟕 𝐌𝐚𝐢𝐬 𝐀𝐦𝐞𝐚𝐜̧𝐚𝐝𝐨𝐬” 𝟐𝟎𝟐𝟕: 𝐜𝐚𝐧𝐝𝐢𝐝𝐚𝐭𝐮𝐫𝐚𝐬 𝐚𝐛𝐫𝐞𝐦 𝐚 𝟏𝟎 𝐝𝐞 𝐬𝐞𝐭𝐞𝐦𝐛𝐫𝐨

A Europa Nostra prepara uma nova edição do programa que, todos os anos, identif**a 𝐬𝐞𝐭𝐞 𝐦𝐨𝐧𝐮𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨𝐬 𝐞 𝐬𝐢́𝐭𝐢𝐨𝐬 𝐞𝐮𝐫𝐨𝐩𝐞𝐮𝐬 𝐞𝐦 𝐫𝐢𝐬𝐜𝐨 e mobiliza especialistas, entidades públicas, organizações e comunidades para encontrar soluções para a sua salvaguarda.

📌 As entidades interessadas são convidadas a começar desde já a preparar as suas propostas, reunindo parceiros, cartas de apoio e documentação que evidencie a relevância e os riscos associados ao património a nomear.

📅 Abertura das candidaturas: 𝟏𝟎 𝐝𝐞 𝐬𝐞𝐭𝐞𝐦𝐛𝐫𝐨 𝐝𝐞 𝟐𝟎𝟐𝟔
⏳ Prazo de apresentação: 𝟐𝟑 𝐝𝐞 𝐨𝐮𝐭𝐮𝐛𝐫𝐨 𝐝𝐞 𝟐𝟎𝟐𝟔

Saiba mais no site do Centro Nacional de Cultura
👉 https://www.cnc.pt/os-7-mais-ameacados-2027/


📣 𝐔́𝐥𝐭𝐢𝐦𝐨𝐬 𝐝𝐢𝐚𝐬 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐚𝐩𝐫𝐞𝐬𝐞𝐧𝐭𝐚𝐫 𝐜𝐚𝐧𝐝𝐢𝐝𝐚𝐭𝐮𝐫𝐚𝐬!Termina a 𝟕 𝐝𝐞 𝐬𝐞𝐭𝐞𝐦𝐛𝐫𝐨 o prazo para concorrer aos 𝐏𝐫𝐞́𝐦𝐢𝐨𝐬 𝐝𝐨 𝐏𝐚𝐭𝐫𝐢𝐦𝐨́𝐧𝐢𝐨 ...
02/09/2026

📣 𝐔́𝐥𝐭𝐢𝐦𝐨𝐬 𝐝𝐢𝐚𝐬 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐚𝐩𝐫𝐞𝐬𝐞𝐧𝐭𝐚𝐫 𝐜𝐚𝐧𝐝𝐢𝐝𝐚𝐭𝐮𝐫𝐚𝐬!

Termina a 𝟕 𝐝𝐞 𝐬𝐞𝐭𝐞𝐦𝐛𝐫𝐨 o prazo para concorrer aos 𝐏𝐫𝐞́𝐦𝐢𝐨𝐬 𝐝𝐨 𝐏𝐚𝐭𝐫𝐢𝐦𝐨́𝐧𝐢𝐨 𝐄𝐮𝐫𝐨𝐩𝐞𝐮 / 𝐏𝐫𝐞́𝐦𝐢𝐨𝐬 𝐄𝐮𝐫𝐨𝐩𝐚 𝐍𝐨𝐬𝐭𝐫𝐚 𝟐𝟎𝟐𝟕, a mais prestigiada distinção europeia no domínio do património cultural.

Os prémios reconhecem projetos, organizações e profissionais que se destacam na proteção, conservação, investigação, educação e promoção do património em toda a Europa.

As candidaturas podem ser apresentadas em cinco categorias:
▪ Conservação e adaptação a novos usos
▪ Pesquisa
▪ Educação, formação e competências
▪ Envolvimento e sensibilização dos cidadãos
▪ Campeões do Património

👉 Conheça todas as informações e apresente a sua candidatura:
https://www.cnc.pt/premios-do-patrimonio-europeu-premios-europa-nostra-2027/


📚 𝐓𝐞𝐫𝐦𝐢𝐧𝐨𝐮 𝐨 𝐅𝐨𝐥𝐡𝐞𝐭𝐢𝐦 𝐝𝐞 𝐕𝐞𝐫𝐚̃𝐨 𝟐𝟎𝟐𝟔. 𝐀𝐠𝐨𝐫𝐚 𝐪𝐮𝐞𝐫𝐞𝐦𝐨𝐬 𝐨𝐮𝐯𝐢-𝐥𝐨.Ao longo do mês de agosto, a Nau Catrineta que tem muito qu...
02/09/2026

📚 𝐓𝐞𝐫𝐦𝐢𝐧𝐨𝐮 𝐨 𝐅𝐨𝐥𝐡𝐞𝐭𝐢𝐦 𝐝𝐞 𝐕𝐞𝐫𝐚̃𝐨 𝟐𝟎𝟐𝟔. 𝐀𝐠𝐨𝐫𝐚 𝐪𝐮𝐞𝐫𝐞𝐦𝐨𝐬 𝐨𝐮𝐯𝐢-𝐥𝐨.

Ao longo do mês de agosto, a Nau Catrineta que tem muito que contar… levou-nos por 31 capítulos dedicados à literatura, à cultura e a algumas das figuras que ajudam a pensar Portugal.

No final desta viagem, deixamos-lhe um pequeno Inquérito-Relâmpago: apenas cinco perguntas para conhecermos a opinião dos nossos leitores.

👉 Participe aqui: https://bit.ly/a-sua-resposta

Muito agradecemos a sua colaboração.


𝐎 𝟐º 𝐞𝐩𝐢𝐬𝐨́𝐝𝐢𝐨 𝐝𝐨 𝐩𝐨𝐝𝐜𝐚𝐬𝐭 𝑰𝒏 𝑽𝒂𝒓𝒊𝒆𝒕𝒂𝒕𝒆 𝑪𝒐𝒏𝒄𝒐𝒓𝒅𝒊𝒂 𝐣𝐚́ 𝐞𝐬𝐭𝐚́ 𝐝𝐢𝐬𝐩𝐨𝐧𝐢́𝐯𝐞𝐥!  🎙️ 🎉Numa colaboração especial com o Podcast Eur...
01/09/2026

𝐎 𝟐º 𝐞𝐩𝐢𝐬𝐨́𝐝𝐢𝐨 𝐝𝐨 𝐩𝐨𝐝𝐜𝐚𝐬𝐭 𝑰𝒏 𝑽𝒂𝒓𝒊𝒆𝒕𝒂𝒕𝒆 𝑪𝒐𝒏𝒄𝒐𝒓𝒅𝒊𝒂 𝐣𝐚́ 𝐞𝐬𝐭𝐚́ 𝐝𝐢𝐬𝐩𝐨𝐧𝐢́𝐯𝐞𝐥! 🎙️ 🎉

Numa colaboração especial com o Podcast Europa2Go, Sabine Verheyen junta-se a Sneška Quaedvlieg-Mihailović para discutir o valor político e económico da cultura, as camadas que formam a identidade Europeia e a importância do humanismo e da diversidade. A Primeira Vice-Presidente do Parlamento Europeu reflete sobre a sua experiência como Presidente da Câmara de Aachen, sobre o próximo orçamento da União Europeia para a cultura, sobre a Marca do Património Europeu e muito mais!

📺 Assista à conversa no YouTube (legendas em alemão disponíveis): https://bit.ly/3Sqjmmm
👂 Ouça no Spotify: https://bit.ly/4xwpHfd
👂 Ouça na Apple Music: https://bit.ly/4yhetv6

Saiba mais sobre a iniciativa : https://www.europeanheritagehub.eu/in-varietate-concordia/


Sabine Verheyen
Fundação Calouste Gulbenkian
European Parliament
Europa Nostra

31/08/2026

📣 𝐄́ 𝐣𝐚́ 𝐚𝐦𝐚𝐧𝐡𝐚̃!
Num episódio especial do 𝐏𝐨𝐝𝐜𝐚𝐬𝐭 𝑰𝒏 𝑽𝒂𝒓𝒊𝒆𝒕𝒂𝒕𝒆 𝑪𝒐𝒏𝒄𝒐𝒓𝒅𝒊𝒂, produzido em colaboração com o podcast Europa2Go, Sabine Verheyen, Primeira Vice-Presidente do Parlamento Europeu, reflete sobre as razões que fazem da cultura e do património cultural elementos essenciais para a identidade, a resiliência democrática e o futuro da Europa.
Na sua conversa com Sneška Quaedvlieg-Mihailović, Secretária-Geral da Europa Nostra, são abordados temas como o poder da diplomacia cultural, os media, os valores democráticos e o lugar do património cultural nas políticas europeias!

🎙️ Veja ou ouça o episódio no YouTube, Spotify e Apple Music.

A iniciativa In Varietate Concordia initiative foi lançada pelo Hub Europeu do Património, co-financiado pela União Europeia, e é coordenada pela Europa Nostra e pelo Centro Nacional de Cultura, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian.

Saiba mais sobre a iniciativa 👉 https://bit.ly/4rgohBM


Sabine Verheyen
Fundação Calouste Gulbenkian
European Parliament
Europa Nostra

𝐀𝐟𝐢𝐧𝐚𝐥, 𝐭𝐮𝐝𝐨 𝐜𝐨𝐦𝐞𝐜̧𝐨𝐮 𝐜𝐨𝐦 𝐒𝐨𝐩𝐡𝐢𝐚Folhetim de Verão – Capítulo ###ITerminamos o Folhetim de Verão de 2026 com a referência...
31/08/2026

𝐀𝐟𝐢𝐧𝐚𝐥, 𝐭𝐮𝐝𝐨 𝐜𝐨𝐦𝐞𝐜̧𝐨𝐮 𝐜𝐨𝐦 𝐒𝐨𝐩𝐡𝐢𝐚
Folhetim de Verão – Capítulo ###I

Terminamos o Folhetim de Verão de 2026 com a referência a Sophia de Mello Breyner Andresen. Começamos por recordar a jovem a decorar o poema do romanceiro com seu Avô D. Tomás de Mello Breyner. Não poderia ser melhor esse começo…

Clássica e moderna, encontra e prolonga Fernando Pessoa por um caminho próprio e diferente. E Eduardo Lourenço afirmou certeiramente que “desde os tempos de Pascoaes, a poesia portuguesa esforçava-se por conciliar Apolo e a sua mítica expressão solar da vida com Cristo, sombra sob tanto excesso de sol, deus morto para que a morte não fosse confundida com a vida digna desse nome. Se essa conciliação teve lugar em algum lugar foi na poesia de Sophia”. Sentimos a coexistência de Atenas e Jerusalém. Daí ter nascido “precocemente clássica”, talvez fora de uma modernidade, por definição em crise, mas ciente da importância dos novos caminhos em busca da dignidade do Ser. E assim, ainda segundo o ensaísta da “Heterodoxia”, Sophia chega a Nietzsche e à ligação dionisíaca, através de um “Cristo Cigano” – que não espera que o crucifiquem e que se oferece nu ao esplendor da vida que misericordiosamente o assassina – “mas a sua morte despe-o da sua aparência solar e esculpe-o em redentora agonia onde o rosto do Ausente se revela”. E sentimos na autora de “Mar Novo” a sede de justiça, que a leva a não fechar os olhos ao “espantoso sofrimento do mundo”.

Francisco Sousa Tavares disse, na melhor fórmula que conheço, que Sophia "tinha sinais do seu Deus na confusão dos homens". E ainda Eduardo Lourenço diagnosticou "uma espécie de milagre, de raro e quase incrível privilégio" que deve "ter preservado cedo a jovem Sophia, católica e portuguesa, daquela obsessão culpabilizante que encharca por dentro a lírica nacional". Daí que “como Eurídice” desça ao inferno do sofrimento “para o exorcizar”.

"Depois de tantos séculos de pecado burguês, a nossa época rejeita a herança do pecado organizado. Não aceitamos a fatalidade do mal. Como Antígona a poesia do nosso tempo não aprendeu a ceder aos desastres. Há um desejo de rigor e de verdade que é intrínseco à íntima estrutura do poema e que não pode aceitar uma ordem falsa" (Arte Poética III, 1964). Todos quantos se cruzaram com Sophia, são unânimes em reconhecer que a capacidade criadora e a sensibilidade artística excecionais se aliaram sempre a uma inteligência política arguta. Os seus discursos políticos mostram-no. Os seus combates recusavam a ambiguidade. “No Centro Nacional de Cultura fiz de tudo” – confessa-nos. Então “discutia-se tudo: os sistemas políticos, os problemas sociais, os problemas religiosos, o Corbusier, a pintura moderna, o surrealismo, o Fernando Pessoa, a literatura portuguesa, a literatura brasileira, a literatura americana, a guerra de África. À discussão cada um trazia o que sabia e também o que era”. “Às vezes a polícia política (PIDE) aparecia: um dia fez uma busca à procura de uns papéis que não encontrou porque o Francisco os tinha escondido no frigorífico”.

E, afinal, nada era fácil, uma vez que não passava despercebido que “em certas sessões surgiam homens cinzentos e calados, com a gabardina abotoada até ao queixo e um ar simultaneamente taciturno e comprometido: ‘poker faced’”. Foi o tempo da Comissão Nacional de Apoio aos Presos Políticos (e temos na retina, em Abril de 1974, à saída da Prisão de Caxias, a imagem da sua presença inesquecível), no tempo em que Nuno Teotónio Pereira desenhou em Caxias, na prisão, o sacrário da Igreja do Sagrado Coração de Jesus. Aquando do encerramento da Sociedade Portuguesa de Escritores (SPE), pela atribuição em 1965 do Prémio de novelística a Luandino Vieira, Sophia colocou o CNC, a que presidiu, ao serviço da causa da liberdade da cultura. Isto, além do apoio ao Manifesto dos 101, de 25 de Outubro de 1965, onde, sobre a questão colonial, um grupo de cristãos dizia sentir “imperiosamente a responsabilidade de afirmar que se a solução vier a ser um trágico extremismo radicalmente antiportuguês, ela terá sido a lógica consequência de um outro extremismo anterior, de ódio gerador de outros ódios”. Vemos, ouvimos e lemos – não podemos ignorar. Contra a ambiguidade, “sempre a poesia foi para mim uma perseguição do real. Um poema foi sempre um círculo traçado à roda duma coisa, um círculo onde o pássaro do real f**a preso. E se a minha poesia, tendo partido do ar, do mar e da luz, evoluiu, evoluiu sempre dentro dessa busca atenta. Quem procura uma relação justa com a pedra, com a árvore, com o rio, é necessariamente levado, pelo espírito de verdade que o anima, a procurar uma relação justa com o homem”.

E lembremo-nos do entusiasmo posto por Sophia na tradução de «Anunciação a Maria» de Paul Claudel. Sente-se a proximidade relativamente ao artista de «Arte Poética», numa fase da criação da autora de «Mar Novo», em que ouvimos, com a nitidez própria de uma palavra límpida, a compreensão da incerteza e da violência da injustiça. «Esta é a noite / Densa dos chacais / Pesada de amargura / Este é o tempo em que os homens renunciam». Longe da exclusiva busca de doçura, o que há, sim, é a permanente demanda de uma vida de drama, de dúvida e de contradição. Tomé e Pedro estão sempre presentes, antes e depois de pôr a mão na ferida aberta ou de ouvir o galo cantar, sempre perante o medo terrível que leva Mara ao ato de desespero perante Violaine. «Aquele que partiu / Precedendo os próprios passos como um jovem morto / Deixou-nos a esperança». É aqui que a poética de Sophia se aproxima e se afasta de Claudel. Aproxima-se porque há a procura silenciosa da esperança no equilíbrio da palavra e da justiça, nunca a confusão com qualquer certeza intolerante. Mas distancia-se, uma vez que não pode haver ambiguidade na luta agónica. Violaine é símbolo, a um tempo, da incerteza e da força, num gesto inusitado e necessário do beijo ostensivo ao leproso. Como escreverá Claudel no pórtico de «Le Soulier de Satin», em português: «Deus escreve direito por linhas tortas». “Queremos uma relação limpa e saudável entre a cultura e a política. Não queremos opressão cultural. Também não queremos dirigismo cultural. A política sempre que dirigir a cultura engana-se. Pois o dirigismo é uma forma de anti cultura e toda a anti cultura é reacionária”. “Portugal logo que se forma é um país cheio de energia, com grande vontade de avançar e que o faz para o desconhecido. A maior parte dos portugueses não tem noção do prodígio que foram os Descobrimentos (…) Os portugueses eram um pouco como os gregos: onde iam faziam como na sua terra, às vezes melhor. Havia nisso uma grandeza e uma generosidade”.

A Nau Catrineta foi símbolo, para Almada, para Pessoa, para Sophia, para Ruben, para Agustina…
Por isso aqui está!

📚 𝐀 𝐕𝐈𝐃𝐀 𝐃𝐎𝐒 𝐋𝐈𝐕𝐑𝐎𝐒 | 𝐌𝐚𝐧𝐮𝐞𝐥 𝐓𝐞𝐢𝐱𝐞𝐢𝐫𝐚 𝐆𝐨𝐦𝐞𝐬 – 𝐆𝐫𝐚𝐧𝐝𝐞 𝐄𝐬𝐜𝐫𝐢𝐭𝐨𝐫Manuel Teixeira Gomes foi muito mais do que uma figura da v...
31/08/2026

📚 𝐀 𝐕𝐈𝐃𝐀 𝐃𝐎𝐒 𝐋𝐈𝐕𝐑𝐎𝐒 | 𝐌𝐚𝐧𝐮𝐞𝐥 𝐓𝐞𝐢𝐱𝐞𝐢𝐫𝐚 𝐆𝐨𝐦𝐞𝐬 – 𝐆𝐫𝐚𝐧𝐝𝐞 𝐄𝐬𝐜𝐫𝐢𝐭𝐨𝐫

Manuel Teixeira Gomes foi muito mais do que uma figura da vida pública portuguesa. Foi um escritor singular, dono de uma prosa original, onde se cruzam memória, viagem, literatura e uma profunda sensibilidade perante a paisagem.

Neste novo texto de 𝑨 𝑽𝒊𝒅𝒂 𝒅𝒐𝒔 𝑳𝒊𝒗𝒓𝒐𝒔, seguimos as suas memórias até ao Algarve e ao encontro com 𝐉𝐨𝐚̃𝐨 𝐝𝐞 𝐃𝐞𝐮𝐬, entre Messines, Lisboa e as histórias de um tempo que permanece vivo através da escrita.

Uma evocação de dois nomes maiores da cultura portuguesa — e de um Algarve guardado na memória, onde se reencontra sempre «𝐨 𝐀𝐠𝐨𝐬𝐭𝐨 𝐚𝐳𝐮𝐥».

Leia o artigo completo no blogue do Centro Nacional de Cultura.
🔗 https://raizeutopia.cnc.pt/manuel-teixeira-gomes

𝐎 𝐩𝐚𝐢́𝐬 𝐫𝐞𝐥𝐚𝐭𝐢𝐯𝐨 𝐝𝐞 𝐎'𝐍𝐞𝐢𝐥𝐥Folhetim de Verão - Capítulo ###Nesta Nau Catrineta não poderíamos deixar de publicar o mais ...
30/08/2026

𝐎 𝐩𝐚𝐢́𝐬 𝐫𝐞𝐥𝐚𝐭𝐢𝐯𝐨 𝐝𝐞 𝐎'𝐍𝐞𝐢𝐥𝐥
Folhetim de Verão - Capítulo ###

Nesta Nau Catrineta não poderíamos deixar de publicar o mais extraordinário texto do português moderno autêntico, da autoria de Alexandre O’Neill. Numa leitura pausada, descobrimos quem somos, usando a nossa própria língua. Se há um vozear em fundo quer em Alcântara quer na Rocha do Conde de Óbidos é este português que ouvimos e compreendemos, popular, chique e púdico, que Almada Negreiros pintou. É o melhor parlapié… Rafael Bordalo Pinheiro inventou uma companheira para o Zé Povinho. Não poderia deixar de ser Maria Paciência. E pondo em confronto os diversos textos que visitámos, descobrimos um Portugal muito diferente do que julgamos. Sem nos levarmos muito a sério, somos quem somos, nem melhores nem piores… Alguns “convencidos da vida”, incapazes de entender quem realmente somos, acham que podemos fazer um retrato à la minuta sem uma forte dose de ironia. Qual a nossa força? Não a tentação de confundir a sombra com a realidade. Fradique Mendes mistura-se com João da Ega ou com um qualquer Pacheco. Gonçalo Mendes Ramires da Ilustre Casa confunde-se com Portugal. Mas leia-se este retrato… de um País absolutamente ao nosso alcance.

«País por conhecer, por escrever, por ler…

*

País purista a prosear bonito,
a versejar tão chique e tão pudico,
enquanto a língua portuguesa se vai rindo,
galhofeira, comigo.

*

País que me pede livros andejantes
com o dedo, hirto, a correr as estantes.

*

País engravatado todo o ano
e a assoar-se na gravata por engano.

*

País onde qualquer palerma diz,
a afastar do busílis o nariz:
– Não, não é para mim este país!
Mas quem é que bàquestica sem lavar
o sovaco que lhe dá o ar?

Entrecheiram-se, hostis, os mil narizes
que há neste país.

*

País do cibinho mastigado
devagarinho.

*

País amador do rapapé,
do meter butes e do parlapié,
que se espaneja, cobertas as miúdas,
e as desleixa quando já ventrudas.

*

O incrível país da minha tia,
trémulo de bondade e de aletria.

*

Moroso país da surda cólera,
do repente que se quer feliz.

*

Já sabemos, país, que és um homenzinho…

*

País tunante que diz que passa a vida
a meter entre parêntesis a cedilha.

A damisela passeia
no país da alcateia,
tão exterior a si mesma
que não é senão a fome
com que este país a come.

*

País do eufemismo, à morte dia a dia
pergunta mesureiro: – Como vai a vida?

*

País dos gigantones que passeiam
a importância e o papelão,

a importância e o papelão,
inaugurando esguichos no engonço
do gesto e do chavão.

E ainda há quem os ouça, quem os leia,
lhes agradeça a fontanária ideia!

*

Corre, boleada, pelo azul,
a frota de nuvens do país.

*

País desconfiado a reolhar por cima
dum ombro que, com razão, duvida.

Este país que viaja a meu lado,
vai transido mas transistorizado.

*

Nhurro país que nunca se desdiz.

*

Cedilhado o cê, país, não te revejas
na cedilha, que a palavra urge.

*

Este país, enquanto se alivia,
manda-nos à mãe, à irmã, à tia,
a nós e à tirania,
sem perder tempo nem caligrafia.

*

Nesta mosquitomaquia
que é a vida,
ó país,
que parede comprida!

*

A Santa Paciência, país, a tua padroeira,
já perde a paciência à nossa cabeceira.

País pobrete e nada alegrete,
baú fechado com um aloquete,
que entre dois sudários não contém senão
a triste maçã do coração.

*

Que Santa Sulipanta nos conforte
na má vida, país, na boa morte!

*

País das troncas e delongas ao telefone
com mil cavilhas para cada nome.

*

De ramona, país, que de viagens
tens, tão contrafeito…

*

Embezerra, país, que bem mereces,
prepara, no mutismo, teus efes e teus erres.

Desaninhada a perdiz,
não a discutas, país!
Espirra-lhe a morte pra cima
com os dois canos do nariz!

*

Um país maluco de andorinhas
tesourando as nossas cabecinhas
de enfermiços meninos, roda-viva
em que entrássemos de corpo e alegria!

*

Estrela trepa trepa pelo vento fagueiro
e ao país que te espreita, vê lá se o vês inteiro.

Hexágono de papel que o meu pai pôs no ar,
já o passo a meu filho, cansado de o olhar…

*

No sumapau seboso da terceira,
contigo viajei, ó país por lavar,
aturei-te o arroto, o pivete, a coceira,
a conversa pancrácia e o jeito alvar.

Senhor do meu nariz, franzi-te a sobrancelha;
entornado de sono, resvalaste pra mim.
Mas também me ofereceste a cordial botelha,
empinada que foi, tal e qual clarim!»

(Continua)



📷 Original de António, no Metro do Aeroporto de Lisboa.

𝐎 𝐄𝐬𝐩𝐢́𝐫𝐢𝐭𝐨 𝐝𝐚 𝐓𝐨𝐫𝐫𝐞 𝐝𝐚 𝐁𝐚𝐫𝐛𝐞𝐥𝐚 Folhetim de Verão - Capítulo XXIX Ao percorrermos as perspetivas sobre a cultura portugu...
29/08/2026

𝐎 𝐄𝐬𝐩𝐢́𝐫𝐢𝐭𝐨 𝐝𝐚 𝐓𝐨𝐫𝐫𝐞 𝐝𝐚 𝐁𝐚𝐫𝐛𝐞𝐥𝐚
Folhetim de Verão - Capítulo XXIX

Ao percorrermos as perspetivas sobre a cultura portuguesa, a partir do Romanceiro de Almeida Garrett, e depois de termos evocado Agustina Bessa-Luís e o seu génio, vamos até Ruben A., um dos mais inteligentes intérpretes da arte de ser português. Pode dizer-se que o escritor pôde em “A Torre da Barbela” realizar uma fantasmagoria onde o espírito português está representado de um modo abrangente, sem a tentação de julgar-nos como realidades abstratas, glória e perdição, mas como heterodoxia ou como “maravilhosa imperfeição”, que Eduardo Lourenço tão bem caracterizou. Ruben A. compreendeu o lirismo, a ironia, a tragédia, o picaresco, a ciclotimia entre o sucesso e a deceção. Entre os melhores e os piores do mundo… Somos quem somos. No momento mágico em que os fantasmas acordam e em que as personagens adormecem, tudo se transforma em sonho, valentia, medo, melancolia, loucura e desespero… Ruy Cinatti é o cavaleiro capaz dos maiores feitos e de grandes loucuras, entre amores e ideais. Percebemos que o sonho conduz a ir além da Taprobana. Que é a Nau Catrineta senão o símbolo da audácia e da provação?

Oiçamos Ruben A. a definir esse desassossego sempre inacabado, ele discípulo de um espírito irrequieto como o de Agostinho da Silva.

“O que é que eu queria ser na vida? Pião de nicas? Ser apara lápis? Espantalho da passarada? Amanuense de letras para desconto? Qual a minha missão na vida? Educar os outros? Instruir os alheios? Vestir os pobres? Despir os ricos? Rezar pela alma dos defuntos? Fazer promessas de bom comportamento? Todos com uma missão. Cumpra sua missão, tinha de acatar as regras de trânsito, um transito cívico de andar com os outros nas falas e nas ruas, pedestre e oral. Evitar o desgaste das solas, mais ainda de palavras que pudessem provocar azia nos estômagos empanturrados dos faladores cobertos pela censura. Como podia eu circular livremente num país que nunca aprendeu a dizer 𝑆𝑖𝑚! Vivia num jardim de cardos, atiravam à figura, não escondiam a brutalidade da estupidez. Espertos, uns, apenas entram na praça pública descobrem logo o jogo. Ser bem educado?! É conhecido que quem presta auxílio aos maus, sabe bem que tempos depois se arrepende. A estória da cobra enregelada, congelada, morta de carinhos – é levada para o aconchego do peito, aninhada e animada, aquecida, volta à vida, a primeira coisa que faz é cravar o dente para fazer sofrimento a quem lhe quis bem. O que era ser Homem? Outra vez a interrogação. Havia homens no meu País? Quem? Quem estava interessado nos problemas do semelhante? Quem? Um drama cobria a Pátria de alto a baixo, drama que eu pressentia, que não percebia, dor de dentes no longínquo sentir de um caramelo. Tinha de cumprir a minha missão, mas primeiro tinha de escolher essa missão. Se me interrogasse muito, acabaria no chilindró, gritava aos quatro ventos a força do absurdo, a malandrice dos cobardes, as associações de perversão para fins particulares. Quem era patriota? País de homens importantes, que não atendem ao telefone porque pode fazer mal aos ouvidas, país de homens dilatados que estão sempre a despacho e não têm horas para descanso; heróis de uma pátria que só compreendem nos jornais. (…) Queria ser profundamente português, até à raiz dos cabelos, queria compreender o fenómeno da emigração, ir viver fora uns anos. Sentia a necessidade de libertação, queria ver a medida, o padrão, saber aquilo que me diziam onde estava a verdade. Ver o que era válido na nossa terra, o que era válido na terra alheia. Impedia-me de emigrar a pincho, ao salto. Queria ver como a papelada demorava tempo, demorou um ano. Marquei passo um ano, mas emigrei pelas vias normais de pressão e temperatura.
(𝑂 𝑀𝑢𝑛𝑑𝑜 𝑎̀ 𝑀𝑖𝑛ℎ𝑎 𝑃𝑟𝑜𝑐𝑢𝑟𝑎, volume III).

(Continua)



📷 Ruben A. nos estúdios da BBC, Londres.

Endereço

Rua António Maria Cardoso, Nº 68
Lisbon
1249-101

Horário de Funcionamento

Segunda-feira 10:00 - 13:00
14:00 - 17:00
Terça-feira 10:00 - 13:00
14:00 - 17:00
Quarta-feira 10:00 - 13:00
14:00 - 17:00
Quinta-feira 10:00 - 13:00
14:00 - 17:00
Sexta-feira 10:00 - 13:00
14:00 - 17:00

Notificações

Seja o primeiro a receber as novidades e deixe-nos enviar-lhe um email quando Centro Nacional de Cultura publica notícias e promoções. O seu endereço de email não será utilizado para qualquer outro propósito, e pode cancelar a subscrição a qualquer momento.

Entre Em Contato Com O Negócio

Envie uma mensagem para Centro Nacional de Cultura:

Atalhos

Compartilhar

Categoria