21/03/2024
A Galeria da Casa A. Molder
2020-2024
O projecto da Galeria da Casa A. Molder começou em Novembro de 2020, em plena pandemia. Termina agora em Março de 2024, depois de 17 exposições feitas.
A loja de filatelia, fundada pelo meu avô paterno, August Molder, em Abril de 1943, e que fez no ano passado 80 anos, fecha definitivamente ao público a 22 de Março de 2024, já esta sexta-feira.
Quase nunca é fácil sentir, no seu final, o entusiasmo que temos ao iniciar algo. Sentir esse entusiasmo do fim é um exercício que exige alguma reflexão.
Ao olhar para trás, vi primeiro todos os convites que fiz aos artistas, as visitas aos seus ateliers, as propostas que me apresentaram e os textos que escrevi para cada uma das exposições. A seguir, as exposições, com os transportes das obras, as montagens, a proximidade com cada artista, e por fim as obras expostas, as inaugurações e o público.
Nada f**a esquecido: a particularidade dos artistas nos seus desejos, nas suas obras, nas suas montagens, no discurso, na proximidade, e também socialmente, no abraçar o projecto, na sensibilidade ao espaço.
No projecto da Galeria da Casa A. Molder houve apenas um mote: “O artista é soberano”. Espero que todos os artistas e o público o tenham sentido. E embora tenha criado sozinha este projecto, ao escolher os artistas, ao concorrer a apoios, ao criar o site, fazer e enviar os convites e, claro, escrever todos os textos, não o fiz sozinha e queria muito agradecer em primeiro lugar, e por ordem de exposição, a estes seres generosos que são os artistas, sem os quais não existiria nenhum projecto: Gustavo Sumpta, Ana Catarina Fragoso, Rui Chafes, Bárbara Fonte, Francisco Tropa, Maria Condado, João Belga, Carla Rebelo, Bruno Pacheco, Sandra Vásquez de la Horra, Carla Castiajo, Mariana Viegas, Joana da Conceição, Rui Sanches, Hugo Brazão, Sara & André e Henrique Pavão.
Não posso olhar para trás sem falar do espaço, pois foi deste que surgiu a ideia do projecto: não só das salas de exposição, onde houve em tempos uma Galeria de Arte comercial, mas da Casa A. Molder, esta loja com oitenta anos de existência, que sempre me pareceu parada no tempo ou mesmo “encantada”, e que viveu no ténue equilíbrio entre decadência e esplendor.
Quero também agradecer a Carmina Correia (infelizmente um agradecimento póstumo) e a Luís Santos por abraçarem este projecto e tão bem receberem o público das exposições, ao Gustavo Sumpta por todo o auxílio prestado, à minha mãe, Maria Filomena Molder, por ser a leitora dos meus textos e a José Gabriel Flores pelas traduções. Um especial agradecimento à Ana Catarina Fragoso pelos bons conselhos e força que me deu para eu avançar com o projecto. À Direcção Geral das Artes pelo apoio financeiro da primeira parte do projecto e à Fundação Calouste Gulbenkian e, em especial, à Câmara Municipal de Lisboa pelo financiamento da segunda parte.
E, claro, um enorme agradecimento ao público que durante quase quatro anos veio ver as exposições!
Foram três (quase quatro) anos de grande aprendizagem, e, sim, sinto um grande entusiasmo por acabar o projecto da Galeria da Casa A. Molder. Sinto entusiasmo por aquilo que foi feito!
Vossa,
Adriana Molder