27/05/2022
A TTW existe a pouco mais de 1 ano, e nesse tempo tem tentado ajudar a dinamizar os jogos de estratégia com miniaturas, com maior relevância, para o Warhammer 40.000.
Temos como principal premissa ouvir a opinião de todos os que gravitam em torno do hobby. Jogadores, organizadores (TO), agentes económicos, fabricantes, coleccionadores e meros interessados no fenómeno.
Para isso, maioritariamente, fazemo-lo presencialmente nos eventos, nas lojas e clubes, em contacto directo com as várias entidades ligadas ao hobby e participando nos vários grupos existentes nas redes sociais.
Durante este espaço temporal temos vindo a constatar o iniciar de uma degradação, nomeadamente, na participação em eventos competitivos por parte dos jogadores, e uma certa desmotivação de alguns TOs/agentes económicos na dinamização desses eventos.
Esses factos desencadearam alertas no seio da TTW, pois o que já aconteceu não poderá voltar a acontecer.
Para enquadrar o que se segue, necessitamos de fazer uma pequena contextualização histórica.
O que se passa actualmente assemelha-se com o que aconteceu a cerca de 15 anos atrás. Onde, devido a factores idênticos, o Warhammer 40.000 esteve prestes a desaparecer em Portugal. Competitivamente chegou a desaparecer, tendo apenas sobrevivido no seu todo, devido a meia dúzia de bolsas de resistentes, existentes em Coimbra e Lisboa.
Uma voraz procura por competição alimentada por prémios desalinhados com a realidade e egos desmedidos levaram a proliferação de actos desprezíveis, chegando a agressões morais e psicológicas e estando muito perto das agressões físicas. Alguns elementos com posturas indignas e ridículas contaminaram todo o universo de jogadores, principalmente em Lisboa, que levaram ao abandono de inúmeros jogadores e o desaparecer de eventos durante alguns anos.
Nessa altura a agonia foi prolongada, mas quase invisível, pois a maioria dos agentes não viram, não quiseram ver ou pura e simplesmente estiveram-se nas tintas para os alertas feitos.
Com muita dificuldade e trabalho árduo de alguns, conseguiu-se expurgar as toxicidades existentes que envenenavam o ambiente do hobby e reerguer o Warhammer 40.000.
Embora a situação actual seja grave, felizmente estamos numa situação mais comoda, pois conseguimos dar os passos necessários para podermos tentar debelar o problema na sua fase embrionária. Mas para isso será preciso o querer e a participação de todos. Porque, a grande verdade, é que todos temos a perder, se as coisas se tornarem no deserto que existiu em tempos idos.
Como referido, a TTW recebeu feedback de formas diversas e de várias fontes, que permitiu constatar o seguinte.
1. Existem inúmeros consumidores do Warhammer 40.000, mas só uma pequena percentagem joga regularmente ou participa em eventos.
2. Existe um incentivo e uma preocupação com a vertente competitiva, descorando a base que alimenta essa vertente. Sem criação de novos jogadores, não existe aumento de participações em eventos/torneios.
3. Devido ao ponto 2, existiram demasiados eventos direcionados para a vertente competitiva e um esquecimento da variante lúdica/temática que incentiva ao aparecimento de novos participantes. O aumentar dos torneios com maior impacto (também conhecidos por torneios grandes) e com datas demasiado próximas, poderá levar a banalização dos mesmos e criou uma dificuldade, inerente aos custos envolvidos, na movimentação e consequente participação dos jogadores.
4. Quem está a começar, tem as normais dificuldades, em gerir todas as regras e factores de um jogo complexo como o 40.000. A curva de aprendizagem é exigente e demorada. Juntamos as vertiginosas e constantes alterações existentes, e torna-se quase impossível, para quem entra no hobby, conseguir jogar competitivamente num curto espaço temporal.
5. O ambiente que gira em torno dos eventos competitivos não é o mais saudável. Existiu e existe afastamentos devido a esse factor. Existem demasiados egos e atitudes vorazes que lidam mal com a derrota e a possibilidade de não levarem um premio para casa no final do dia.
6. O jogo de 40.000 é um hobby caro. Representa um substancial investimento seja em recursos monetários, seja em tempo. A conjuntura actual está a agravar estes factores o que, muitas vezes compromete a permanência dos jogadores e a iniciação de novos.
7. Existem dificuldades em regenerar a base dos jogadores. A maioria encontra-se num escalão etário onde o hobby coabita com responsabilidades mais prementes. O Warhammer 40.000 não é uma delas. Essa realidade e as inúmeras ofertas de outros conteúdos limitam o tempo disponível para dedicar ao jogo.
8. As organizações dos eventos, nomeadamente os TOs, tem que demonstrar uma maior preocupação com o feedback dos jogadores. Dentro do possível, interagir entre eles de forma a uma gestão e calendarização mais homogenia, sempre que possível, usando ferramentas e métodos idênticos.
9. Todos os agentes com responsabilidades na participação, gestão e desenvolvimento do Warhammer 40.000 devem ouvir, ser ouvidos e elaborar conclusões regularmente.
10. Deverá haver uma preocupação generalizada com a divulgação e promoção massificada de conteúdos relevantes para o desenvolvimento do hobby e respectivo quadro competitivo.
Mediante analise feita pela equipa TTW, às preocupações demonstradas pelos vários agentes, e resumidas nos 10 pontos acima, apraz referir o seguinte.
A TTW não tem qualquer tipo de preocupação comercial seja directamente através de um qualquer modelo de negócio, ou indirectamente com a organização de um qualquer tipo de evento.
No seu âmbito está a dinamização e divulgação dos jogos de estratégia com miniaturas, em especial, o Warhammer 40.000.
A forma como o faz, alavanca na disponibilização de ferramentas de ajuda na organização de torneios, divulgação e gestão do Ranking Nacional de Warhammer 40.000 (RNW40) e lançamento de sugestões ao universo dos agentes do hobby.
Sendo assim, sugerimos:
1. De modo a atrair novos jogadores deve-se apostar, alem dos torneios, em eventos de aproximação de quem esta a começar aos jogadores veteranos, como games days, ligas ou eventos com escalonamento de pontos sob a supervisão de um jogador mais experiente ou dos TOs.
2. Organização, com a frequência possível, de torneios com menos pontos onde a prioridade deve ser atribuída aos jogadores iniciantes.
3. Os TOs devem clarificar que a participação em determinado tipo de eventos não é impeditiva para os jogadores que não tenham o exército pintado. Essa penalização já está prevista na pontuação de cada ronda. Isso não invalida que haja eventos que obriguem a totalidade dos exércitos pintados.
4. Ajustar o número de torneios grandes de modo que, no máximo sejam realizados 4 por ano, bem como assegurar a planificação dos mesmos de forma a abarcarem 1 por trimestre.
5. Incremento progressivo do uso em torneio das regras de Chess clock.
6. Os prémios devem ser sorteados e não atribuídos pela classificação.
7. Os TOs devem sempre fazer um briefing inicial onde, alem de clarificações sobre regras, deverão enfatizar o modo comportamental e se necessário a penalização dos infractores.
8. Deverá ser adoptado o Código de Conduta da TTW como ferramenta na gestão dos torneios que contam para o ranking.
9. Implementação de um inquérito de satisfação nos torneios de modo a aferir da qualidade e satisfação dos jogadores.
10. Manter e reforçar as reuniões entre os TOs dos vários eventos.
11. A TTW disponibiliza 4 ferramentas que ajudam na organização dos eventos. Pack de regras, Código de Conduta, TTW referencial de bases, questionário de satisfação.
12. Partilha e divulgação dos cartazes, banners, logos e informação relevante dos eventos de forma a poderem ser partilhados pela TTW nas suas páginas das redes sociais.
Continuaremos a monitorizar os próximos tempos e actuaremos sempre que acharmos relevante.
A equipa TTW