24/02/2022
JAMAICA 1980, JORNALISTAS E BOA MALANDRAGEM
Alguém interessado num post mais ou menos longo sobre o Jamaica doutros tempos? Se sim, aqui vai ele, graças ao magnífico Mário Zambujal. (Ou então ignorem e saltem directamente para o excerto do vídeo do programa "Primeira Pessoa" de Fátima Campos Ferreira na RTP, que é muito melhor do que este post -- são três minutos imperdíveis.)
O Jamaica abriu em 1971. No final dessa década, já o DJ Mário Dias revolucionava tudo aqui, a discoteca era lugar de eleição de jornalistas, artistas, músicos, cineastas e outros espécimes da vida cultural-nocturna de Lisboa. Entre eles estava Mário Zambujal, repórter maior, hoje lenda viva (que ele perdoe o lugar comum) do jornalismo. (E pessoa de bons costumes.) E ainda -- é por isto que o Jamaica f**a vaidoso -- autor da obra-prima "Crónica dos Bons Malandros".
O livro saiu em 1980 e foi sucesso imediato. Até agora teve mais de 30 reedições (e uma versão em filme em 1984, realizada pelo grande Fernando Lopes). É a história cómico-trágica de um assalto à Gulbenkian executado por um bando extraído directamente do mais colorido submundo Lisboeta de então. Onde é que Zambujal decidiu fazer o lançamento da "Crónica dos Bons Malandros" em 1980? No Jamaica. O que nos enche de orgulho histórico.
É isso, e outras memórias noctívagas, que Zambujal explica nesta excelente entrevista conduzida por Fátima Campos Ferreira no programa "Primeira Pessoa" emitido há dias, gravado às portas do antigo Jamaica na Rua Nova do Carvalho (a Rua Cor-de-Rosa no Cais do Sodré).
Quando o Jamaica reabrir este ano no Cais do Gás (tal como o Tokyo e o Europa), Mário Zambujal será, claro, convidado de honra -- até ao sol nascer, hora em que, como ele escreveu na "Crónica", os bons malandros "cruzaram o Cais do Sodré, os bares a dormir na ressaca da noite".