26/02/2026
🎥 𝐂𝐢𝐧𝐞𝐜𝐥𝐮𝐛𝐞 𝐆𝐚𝐫𝐝𝐮𝐧𝐡𝐚 – 𝐦𝐚𝐫𝐜̧𝐨 𝟐𝟎𝟐𝟔
𝑇𝑜𝑑𝑎𝑠 𝑎𝑠 𝑠𝑒𝑠𝑠𝑜̃𝑒𝑠 𝑎̀𝑠 𝑡𝑒𝑟𝑐̧𝑎𝑠 (21ℎ) 𝑛𝑎 𝑀𝑜𝑎𝑔𝑒𝑚, 𝑒𝑥𝑐𝑒𝑡𝑜 𝑑𝑖𝑎𝑠 14 𝑒 21
Os filmes em março têm conexões curiosas, umas aparentes, outras subterrâneas. Dois deles – JUSTA e HOT MILK – são realizados por mulheres complexas, multifacetadas, extraordinárias. A PAREDE parte de um livro de culto escrito por outra mulher fascinante, Marlen Haushofer. Por fim, a “sessão júnior” deste mês será atravessada por uma nostalgia abrasadora. Outras ligações: se JUSTA trata do fogo literal e terrível, HOT MILK é passado no clima tórrido de Almería, esse que pode inflamar a alma; se A PAREDE é uma metáfora inverosímil (mas tão clara) e literal que nos interpela, HISTÓRIA INTERMINÁVEL abre-nos as portas de outros universos fantásticos num mundo mágico e com humanos como nós. Um mês de mistérios encantatórios e de avisos prementes da natureza.
A 3, na Moagem, JUSTA, a oração e o lamento de Teresa Villaverde pelos incêndios devastadores que em 2017 assolaram Pedrógão Grande e se alastraram para outras latitudes. Os factos são tão lamentáveis que temos de os convocar: «O fogo, que teve início às 14h43 do dia 17 de Junho, na localidade de Escalos Fundeiros, alastrou-se rapidamente pelos concelhos de Castanheira de Pêra e Figueiró dos Vinhos. Ao cair da noite desse mesmo dia contabilizavam-se já 19 vítimas mortais, número que viria a ser actualizado nas horas e dias seguintes, atingindo 66 mortos e 253 feridos, além da destruição de cerca de 500 habitações e 50 empresas. Este trágico evento abalou o país e deixou muitas famílias destroçadas.» Com um elenco surpreendente e eclético – que mistura, por exemplo, Betty Faria e Filomena Cautela – será uma sessão de grande comoção, pela mão precisa e pelo temperamento sanguíneo de uma das nossas maiores cineastas, que estará presente na sessão para conversar com o público. A não perder sob hipótese alguma.
E a 14, na Biblioteca Municipal Eugénio de Andrade, a sessão mensal do nosso Cineclube Júnior será realmente perpassada por uma nostalgia calorosa, terna. Quem nasceu nos anos 70 ou mesmo 80 do século que já lá vai, com certeza que se lembra de uns bicharocos gigantescos e fofos que conversavam com meninos, e que tanto lhes metia – e a nós! – medo como os fascinava e se tornavam amigos. Depois, quem se tornou cinéfilo ou curioso, soube que era um “conto” realizado por um cineasta de grandes qualidades, Wolfgang Petersen; e que esses bichos e fantasias se baseavam num livro de culto de Michael Ende, mas também pôde perceber, ou não, a moral da história, e acreditar, ou não, em livros mágicos. Muitos acreditaram, perceberam e ficaram fascinados. Era uma vez… HISTÓRIA INTERMINÁVEL. Como funcionará este clássico com esta nova geração? Veremos, pelas habituais 15h do citado dia.
Uns dias depois, regressaremos ao nosso essencial ciclo de Cinema e Ecologia - "Por todos os refúgios como a Gardunha!". Iremos pela primeira vez às Donas, e logo teremos a honra de exibir um filme na casa do grande humanista António Guterres, natural dessa terra, pelas 21h, na Casa das Memórias António Guterres. O filme é baseado num livro que tem fascinado gerações, Die Wand no original, da mítica Marlen Haushofer, A PAREDE em português, tal como o filme que veremos. Uma potente metáfora ecológica, um urgente aviso da natureza aos humanos, é ainda um grande exemplar de ficção distópica. «Uma mulher encontra-se inexplicavelmente privada de qualquer contacto humano quando uma parede invisível subitamente cerca a área em que se encontra.» Depois teremos a natureza intocada e o outro lado. Julian Pölsler, realizador austríaco, ficou com a enorme responsabilidade de estar à altura do livro, veremos como se saiu. Um filme que com certeza dará um belo debate, orientado por uma Guardiã(o) que anunciaremos no devido momento.
E o epílogo será dado por outra adaptação literária de peso levada ao grande ecrã, desta feita do livro da britânica Deborah Levy – HOT MILK. Rebecca Lenkiewicz, dramaturga, argumentista, realizadora de cinema e ex-actriz britânica, manteve o título do livro e mergulhou a fundo no território inóspito, belo, por vezes tão atrativo como repulsivo de Almería, no Sul de Espanha. Nesse cosmos onde outrora o Spaghetti western se tornou mito, lenda, e agora pó, «acompanharemos Sofia e a sua mãe, Rose, que se deslocam até Almería, em busca de uma possível cura para a misteriosa doença que mantém Rose paraplégica e dependente de uma cadeira de rodas.» Depois vêm as tensões e as pulsões escondidas e recalcadas, e os desejos de libertação e de explosão intensificam-se com a chegada de uma terceira personagem. Uma obra de largos mistérios que nos convida a sensações talvez desconhecidas. Na Moagem, a 24.