19/12/2023
“Bem, a Poesia…”
10 anos a dar voz à arte poética
Agradeço ao José Zyberchema, Fátima Spínola e Xavier Miguel por me convidarem a fazer parte da equipa administrativa do “Espaço 116” em 2013, pedindo-me para organizar um evento que tivesse a ver com a Literatura.
Assim, foi no dia 19 de Dezembro de 2013 (Sábado) que surgiu, na Rua dos Barreiros, este evento tão dignificante de uma arte meritória das maiores ovações: o “Bem, a Poesia…”. Este, quinzenal, aberto ao público, uma mesa ao centro, a disposição das cadeiras sendo na forma oval, a leitura na ordem dos ponteiros do relógio, os poemas podendo ser de autores conhecidos, desconhecidos ou até de quem os lia.
Inicialmente, o evento teve o seu interesse por parte de certas pessoas, mas, ao longo das semanas que surgiram, muito menos apareceram, chegando ao ponto de, numa edição, apenas eu e uma outra pessoa estarmos presentes. No entanto, embora entristecido, fiz por não me abater, pois sabia que, sendo um evento organizado por um “desconhecido”, iria chegar a altura certa para que lhe dessem o devido valor.
Após mais de meio ano de muitas edições, apareceram ainda mais pessoas que mostraram ser verdadeiras amantes da Poesia, lendo-a afincadamente e até escrevendo-a. Algumas, já tinham livros publicados, outras, após começarem a ir ao evento, sentiram-se motivadas para os editar. Com o Tempo, passaram a ser participantes assíduos, passando a mensagem a outras e assim engrandecendo o evento, que também passou a ser um grupo cada vez maior. Pois, a Poesia é uma paixão sem fim, tal como os seus amantes.
Certo que já houve quem deturpasse o valor do “Bem, a Poesia…”, dizendo que era menor do que outros em vários sítios neste país ou noutros, mas sempre quis que a Poesia fosse dada a conhecer sem formalismos e preconceitos. Em cada edição, somos todos iguais, embora cada um tenha a sua personalidade, a sua história de vida e a sua profissão.
A Poesia não precisa de uma “bengala” para ter valor, quer seja através da Música ou de ilustres vips. Cada um lê o poema que quiser e da forma que souber, aprendendo a cada edição em que participar, como melhorar, projectando a voz de modo a ser ouvido.
A 100ª edição do “Bem, a Poesia…” decorreu no Foyer do “Teatro Municipal Baltazar Dias” em 2018, com muitos participantes e público, dando a conhecer que a Poesia não é uma arte pobre, como certos “iluminados” pensam que seja.
Ao longo destes anos, foram editadas 3 Antologias com o mesmo nome do evento, aumentando os participantes em cada uma. Cada um com a sua forma muito própria de escrever poesia.
Tendo em conta que o “Espaço 116” teve de mudar de localização várias vezes ao longo dos anos (da rua de Santa Maria para a rua dos Barreiros e depois para a rua Latino Coelho), organizei o “Bem, a Poesia…” em muitos lugares fora do recinto habitual (a galeria “Espaço das Artes” e vários bares). No entanto, chegou o momento em que, devido à mudança para um outro edifício na rua Latino Coelho, deixou de haver espaço para albergar as criações artísticas dos 4 administradores, por isso, após a ingrata Pandemia, consegui organizar na “Casa do Povo do Caniço” e na “Galeria Anjos Teixeira”.
Este ano, tive a preciosa ajuda da Dra. Sandra Assunção Nóbrega (Directora do Departamento da Cultura da Câmara Municipal do Funchal e do Teatro Municipal Baltazar Dias) e dos seus colaboradores de modo a poder organizar o evento mensalmente no “Teatro Municipal Baltazar Dias”, na “Biblioteca Municipal do Funchal”, no “Museu A Cidade do Açúcar”, no “Museu Henrique e Francisco Franco, no “Museu Estação do Monte” e no “Estúdio de Criação Artística”.
Até agora, contam-se 172 edições, todas preenchidas com o mais belo, fantástico, rebelde, terrível e misterioso da essência humana, bem como o mais fascinante que o Universo pode conceder. passando a ser mais um evento fundamental para a Cultura nesta bela ilha da Madeira.
De coração aberto, agradeço a todos que participaram e os que ainda participam no evento “Bem, a Poesia…”. Sem a vossa presença, nada poderia ser feito.
Lembrem-se, da próxima vez, que alguém vos disser: “A Poesia?! Porquê?!”
A Poesia é uma história de vida!
A Poesia é um murmúrio apaixonado que vem do coração!
A Poesia é uma brisa inquietante que acaricia a alma.
A Poesia é uma garra tenebrosa que rasga as trevas!
A Poesia pode dormir, mas morrer, não!
Jorge Ribeiro de Castro