14/10/2021
O pixel
Rita Serra
No admirável mundo novo, há pedaços. Há fragmentos. Há ruínas. E há vida.
A vida pode não ser a que esperávamos nem a que desejávamos, mas é a existente.
O admirável mundo novo obriga-nos a ver os existentes.
A arte aponta os sentidos para as heras, poeira e musgo que cresce nos sapatos.
A arte faz questão de não organizar os nossos sentidos.
Que arrogância seria dar-lhes uma narrativa.
A arte mostra os pedaços.
Acrescenta fios, sons e luzes.
Acrescenta trapos e farrapos sem tirar os anteriores.
Adiciona-se e mistura-se com o caos mantendo a presença.
E para dirigir o nosso olhar dá-nos um pixel.
Como f**a interessante o mundo visto a partir dum pedaço.
É com pedaços que compomos, recompomos, e decompomos, o todo.
Foi nos fornos que compuseram, a partir de poeiras, as cerâmicas agora estilhaçadas.
A arte da fábrica vai continuar.
Os artistas é que já não estão lá.
Na imagem, intervenção de Pereira