23/06/2026
O Prof. Dr. José Augusto Bernardes, Comissário Nacional para as celebrações do V Centenário de Camões, escolheu Santarém para o epílogo das mesmas, apresentando o livro »Manda-me Amor Camões e Outros Afins» de Vítor Serrão e Mário Rui Silvestre, com chancela das Edições Cosmos.
Foi apresentado em Santarém, no passado dia 20 de junho, o livro Manda-me Amor Camões e outros afins, da autoria de Vítor Serrão e Mário Rui Silvestre, com chancela das Edições Cosmos, editora recentemente galardoada com a Medalha de Honra da Sociedade Portuguesa de Autores.
A obra já tinha sido apresentada em Lisboa, na Sociedade Portuguesa de Autores e na Assembleia da República, e em Constância, na Casa-Memória de Camões. A sessão em Santarém decorreu na Sala de Leitura Bernardo Santareno e teve apresentação do professor doutor José Augusto Cardoso Bernardes, Comissário Nacional para as Celebrações do V Centenário do nascimento de Luís de Camões.
para as celebrações nacionais do V Centenário de Camões
A apresentação em Santarém constituiu também um momento de reconhecimento da ligação da cidade ao poeta, que em Os Lusíadas designou Santarém como o “sempre enobrecido Scabelicastro”. Para os autores, a cidade tem lugar relevante na tradição camoniana, quer pela ligação à mãe de Luís de Camões, quer pelas teses que defendem em trabalhos anteriores sobre a relação do poeta com Santarém e o Ribatejo, nomeadamente em Camões, Altos Cumes; Scabelicastro e Correlatos.
A sessão foi igualmente entendida como uma homenagem aos escalabitanos que, ao longo do tempo, estudaram, divulgaram ou celebraram Camões, através de livros, ensaios, textos de imprensa e iniciativas culturais. Entre os nomes evocados contam-se Laurentino Veríssimo, Virgílio Arruda, Veríssimo Serrão e Rei Brasil, bem como a Biblioteca Camões, inaugurada em Santarém a 10 de junho de 1880, por ocasião do terceiro centenário da morte do poeta.
Sala de Leitura Bernardo Santareno. Apresentação do livro «Manda-me Amor Camões e Outros Afins», pelo Comissário Nacional para as celebrações do V Centenário do Poeta.
Num momento em que se encerram as celebrações do V Centenário do nascimento de Camões, realizadas ao longo de quase dois anos em vários países e continentes, a apresentação da obra em Santarém sublinhou também a atualidade do poeta como símbolo maior da língua portuguesa e da cultura nacional.
Para os autores, a ligação entre Camões, Santarém, Constância e outros lugares do Ribatejo pode constituir uma oportunidade para o desenvolvimento de um roteiro cultural camoniano, articulando literatura, património, memória histórica e turismo cultural.
Num texto publicado no seu blogue, o historiador de arte e professor catedrático emérito Vítor Serrão, coautor da obra, destacou a importância da sessão de Santarém e a intervenção de José Augusto Cardoso Bernardes.
“A Sessão De Lançamento Do Livro, Que Tem Chancela Das Edições Cosmos, Foi Muito Interessante E Pedagógica. O Prof. José Augusto Bernardes Deixou A Recomendação, Sempre Esclarecida, De Que Santarém — A Que O Poeta Chamou ‘O Sempre Enobrecido Scabelicastro’, N’Os Lusíadas — Homenageie Devidamente Camões, Assinalando E Valorizando Os Lugares Históricos Que, Sabe-Se Hoje, Estão Ligados À Sua Biografia E Obra”, Escreveu Vítor Serrão.
Entre esses “sítios camonianos”, o historiador refere o largo e a igreja do Santíssimo Milagre, o solar dos Coutinho, em Vaqueiros, os moinhos de Pernes, as ruínas do mosteiro de Vale de Figueira e trechos do curso do Alviela.
Para Vítor Serrão, estes lugares “merecem ser integrados num roteiro cultural a instituir no seio do Município”. O coautor acrescenta que, se a estes espaços se juntarem Punhete, atual Constância, associado ao “desterro de 1548”, e Torres Novas dos Lencastre, “é o próprio Médio Tejo que se constitui uma espécie de palco do Ribatejo camoniano”.
MRS