16/10/2026
E aconteceu. Encontrámo-nos em Canas de Senhorim para fazer parte da acção teatral mundial “Os palestinianos são os teus olhos”, promovida pela companhia italiana Anqa, em parceria com a congénere palestiniana The Freedom Theatre.
Juntámo-nos, e lemos em voz alta textos de teatro de autoras e autores palestinianos de Gaza: Ibrahim Alhelou, Dalal Elswerky, Fatma Yousef e Ala’a Sbaih.
Lemos e partilhámos mágoas sobre a situação vergonhosa, genocida, promovida pelo Estado de Israel e partilhámos um prato palestiniano (pelo menos assim o diz a amiga internet, sempre prestável e não menos fiável) de arroz basmati com lentilhas verdes.
Aconteceu n’As Casas do Visconde. Lá fora, os autocarros entre Viseu e Canas de Senhorim continuam a falhar e a deixar passageiros apeados, o nosso Primeiro-Ministro dizia para não sermos egoístas, caramba, a habitação não justif**a tanta chatice no espaço público, e a polícia avançava para uma carga policial claramente desproporcionada, no Porto, a essa hora da madrugada - por volta das 3h00 -, em que todos os gatos são pardos. Minudências face ao que se vive morre na Palestina.
Tudo isto aconteceu a 15 de Outubro de 2026. Porquê a 15 de Outubro? Nesse dia, em 2023, a Anqa recebeu a notícia de que o seu jovem intérprete palestiniano Ibrahim (Abraham) Saidam tinha sido morto em Gaza. “Três anos depois, a resposta não é o silêncio.”
A resposta não é o silêncio.