Ao leme das emissões na Rádio Manobras estava Ludovic, o criador do formato. Cartografar a música, sem fronteiras estilísticas, temporais ou geográficas - a constante demanda estabelecida pelo DJ, produtor e label manager. Quando Ana Pacheco e Nuno di Rosso se juntaram às fileiras, o formato passou a ser emitido na frequência modulada da Rádio Universitária do Minho. Mantinha-se o foco na música q
ue não tinha muito airplay na rádio, mas as duas horas de rádio semanais ganhavam outra cor e calor, numa irresistível amálgama entre música e conversa sobre a mesma. Dão-se, em 2018, o início das emissões na Oxigénio e a Pérola passa a ser um dos atípicos programas da rádio portuguesa que se pode ouvir em vários postos, em diferentes antenas - além da RUM e da Oxigénio, ocupa algumas horas durante o verão de 2017 na Antena 3 e chega mais tarde à RUC, sem regularidade, num formato que mostra os segmentos da RUM na RUC e vice-versa. Em constante evolução, a Pérola Negra torna-se uma entidade com vida e vontades próprias. Esse crescimento traz os programas temáticos, os convidados especiais (Rui Maia, Julinho da Concertina, Ana Deus, PZ, Keso, Selvagem, Melo D., Angela Policia, Maria Gambina…), as emissões gravadas fora do estúdio (Flur, Parque Ambiental do Buçaquinho, Alínea A…). Chegam também os segmentos “Pelos Caminhos de Portugal” com Paulo Cunha Martins e “El Loco Te Patina El Coco” com Pedro Cadima, ambos entretanto extintos. A Pérola salta das ondas hertzianas para a pista de dança. Lux, Elétrico, Music Box, Maus Hábitos, Roof Top Luanda ou Lisb-On foram beijados pelas suas actuações. Não obstante, produziu também festas míticas na Invicta, Julinho da Concertina, D-Mars, Celeste Mariposa ou África Negra foram convidados do Chinfrim, que tem o clube Pérola Negra como casa. Na sexta temporada as vozes residentes são Bruma, Francisco Aires Pereira, Nuno di Rosso, Maria Jorge e Paulo Cunha Martins com aparições esporádicas de Helena Guedes. Ludovic mantém o seu “Atlântico Muito Pacífico”, uma hora de música para fazer meninos (ou adormecê-los), com recurso a colagem e outras técnicas imersivas. A diversidade de influências e a disparidade estilística desta confraria, confere a Pérola Negra uma riqueza única no panorama radiofónico português, materializada em crónicas sonoras sempre inimitáveis, permanentemente irrepetíveis.