11/02/2026
O Eng. Rui Rito partiu.
Deixou-nos um homem bom e um bom amigo, sempre jovial, movido por uma curiosidade insaciável, pelo prazer de construir e de encontrar o Belo.
Neste momento de grande tristeza, endereçamos à família, aos amigos e a toda a comunidade as mais sentidas condolências.
Rui Peixoto Ferreira Rito, o Engenheiro
Rui Peixoto Ferreira Rito nasceu em 1938, na Rua de São Barnabé, em Braga, e integra a terceira geração da família Pachancho, alcunha que nasceu com o avô materno.
Foi o filho primogénito de uma família abastada, mas não nasceu sozinho, antes acompanhado da sua irmã gémea, Rosa, antecipando uma personalidade marcadamente sociável e uma vida preenchida por colaborações e relações de amizade duradouras.
Teve uma infância feliz e harmoniosa, com todas as experiências e liberdades que uma infância vivida numa quinta proporciona.
Fez o ensino primário em São Vicente e o preparatório nos jesuítas, em Santo Tirso, como era moda na altura, no seio das famílias burguesas. Aqui, o ensino afigurava-se espartano e exigente e proporcionou-lhe o contacto com alunos interessantes, alguns, futuras figuras públicas. Por exemplo, o Nuno, aluno mais velho e que desenhava magnificamente, que viria a ser arquitecto e pai de Miguel e Paulo Portas. Já o seu parceiro de carteira dominava o humor sarcástico e cáustico, também se chamava Nuno: Jorge Nuno Pinto da Costa.
Passados cinco anos, regressou a Braga para concluir o ensino secundário. Depois rumou a Coimbra e em seguida ao Porto, onde se licenciou em Engenharia Química e Metalúrgica, por tradição familiar, mas também por vocação pessoal, assente numa imensurável curiosidade e na forte convicção de que a química estava na base de tudo e tudo resolvia, não fossemos todos feitos de matéria e mudança.
Toda a formação que perseguiu e acumulou foi realizada na senda de obter a máxima preparação técnica para integrar e engrandecer a empresa familiar, pelo que ingressou na Ècole Superieure de Fonderie et Forge, em Paris, onde morou dois anos. Valiam-lhe as cartas e os Domingos para trocar notícias e novidades do burgo minhoto, em reuniões mantidas com regularidade semanal com uma família de Braga.
Volvido a casa, viveu intensamente a atividade industrial da família. Quis inovar, andou à procura da modernidade e de parceiros que já tivessem um pé fixado nessa tão desejada modernidade. Em 1972, criou uma joint- venture com um grupo suíço, que trouxe uma mais-valia técnica extraordinária à Pachancho e projetou a empresa para uma crescente internacionalização.
Mas o mundo e as pessoas são compostas por mudança, diz a poesia e diz a química, pelo que Rui Rito lançou-se numa sucessão de projetos individuais, abandonando o familiar, ainda que com regressos pontuais na qualidade de cliente.
Dedicou-se à produção de moldes em alumínio, integrou projetos de restauro de antigos edifícios, alguns centenários do início da era industrial, caracterizados pela utilização do ferro. Em Madrid, colaborou na reabilitação da Estação da Atocha, com 150 anos. Como reconhecimento desse savoir faire e cumprimento escrupuloso de processos e prazos, foi convidado a executar inúmeras obras por toda a Espanha. Além da construção civil, dedicou-se ainda às novas tecnologias no âmbito do tratamento de água e desenhou e produziu objetos em inóx.
Assim se constrói uma carreira cheia: na perseguição da conhecimento, cultivando contactos e amizades, estudando e otimizando processos, correndo atrás da modernidade, acumulando pergaminhos e resultados.
Hoje, acompanha de perto os projetos dos filhos e netos, continua a fazer amigos, lê e faz teatro, ao fim e ao cabo, continua a dedicar-se à química, não a dos átomos, mas uma química especial e imaterial que lhe permitiu ser amigo de Sophia e visita-la assiduamente na sua casa na Granja, na última peça em que participou. Há os que vêem no horizonte uma linha e há os que dela fazem um ponto de partida.
Texto: Patrícia Ferreira
Fotografia: Cedida pelo próprio
Conversa informal: 20.04.2020 | Braga