Estórias da Cidade

Estórias da Cidade Projeto independente, com marca registada, dedicado a recolher estórias de Braga para memória futura.

Rua D. Pedro V Freguesia de São Victor-Braga Maria da Luz Baptista enfermeira e parteiraMaria da Luz Baptista foi uma en...
17/03/2026

Rua D. Pedro V
Freguesia de São Victor-Braga

Maria da Luz Baptista
enfermeira e parteira

Maria da Luz Baptista foi uma enfermeira e parteira diplomada pela Universidade do Porto que se destacou pela sua ação social e assistência materno-infantil no início do século XX.

Contribuições Principais

Pioneirismo: Foi uma das primeiras mulheres a obter o diploma de enfermeira-parteira pela Faculdade de Medicina do Porto.

Saúde Pública: Trabalhou intensamente no apoio a mulheres desfavorecidas, combatendo a mortalidade infantil e promovendo a higiene no parto.

Legado: O seu nome é frequentemente associado a instituições de cariz social e de saúde no norte de Portugal, simbolizando a profissionalização da enfermagem obstétrica no país.

A principal ligação de Maria da Luz Baptista a Braga é a sua origem familiar e nascimento, tendo nascido na freguesia de São Victor, em Braga.

Fotos/texto: Carlos Teixeira

Aula de Ballet Ontem à noite, tive o prazer de assistir a uma aula muito especial de ballet para adultos, na Escola Solo...
03/03/2026

Aula de Ballet

Ontem à noite, tive o prazer de assistir a uma aula muito especial de ballet para adultos, na Escola Solo Studio, em São Vicente.

Agradeço MUITO ao grupo de 12 alunas e à Professora e Coreógrafa Luísa Coimbra Oliveira, o momento de puro bem estar que me proporcionaram e que me permitiu observar que o ballet pode ser para todos, sem pré-requisitos de idade, experiência ou anatomia. Basta a vontade. A alegria. A curiosidade.

Espero voltar.

Desenho: Patrícia Ferreira

O Eng. Rui Rito partiu.Deixou-nos um homem bom e um bom amigo, sempre jovial, movido por uma curiosidade insaciável, pel...
11/02/2026

O Eng. Rui Rito partiu.

Deixou-nos um homem bom e um bom amigo, sempre jovial, movido por uma curiosidade insaciável, pelo prazer de construir e de encontrar o Belo.

Neste momento de grande tristeza, endereçamos à família, aos amigos e a toda a comunidade as mais sentidas condolências.

Rui Peixoto Ferreira Rito, o Engenheiro

Rui Peixoto Ferreira Rito nasceu em 1938, na Rua de São Barnabé, em Braga, e integra a terceira geração da família Pachancho, alcunha que nasceu com o avô materno.

Foi o filho primogénito de uma família abastada, mas não nasceu sozinho, antes acompanhado da sua irmã gémea, Rosa, antecipando uma personalidade marcadamente sociável e uma vida preenchida por colaborações e relações de amizade duradouras.

Teve uma infância feliz e harmoniosa, com todas as experiências e liberdades que uma infância vivida numa quinta proporciona.

Fez o ensino primário em São Vicente e o preparatório nos jesuítas, em Santo Tirso, como era moda na altura, no seio das famílias burguesas. Aqui, o ensino afigurava-se espartano e exigente e proporcionou-lhe o contacto com alunos interessantes, alguns, futuras figuras públicas. Por exemplo, o Nuno, aluno mais velho e que desenhava magnificamente, que viria a ser arquitecto e pai de Miguel e Paulo Portas. Já o seu parceiro de carteira dominava o humor sarcástico e cáustico, também se chamava Nuno: Jorge Nuno Pinto da Costa.

Passados cinco anos, regressou a Braga para concluir o ensino secundário. Depois rumou a Coimbra e em seguida ao Porto, onde se licenciou em Engenharia Química e Metalúrgica, por tradição familiar, mas também por vocação pessoal, assente numa imensurável curiosidade e na forte convicção de que a química estava na base de tudo e tudo resolvia, não fossemos todos feitos de matéria e mudança.

Toda a formação que perseguiu e acumulou foi realizada na senda de obter a máxima preparação técnica para integrar e engrandecer a empresa familiar, pelo que ingressou na Ècole Superieure de Fonderie et Forge, em Paris, onde morou dois anos. Valiam-lhe as cartas e os Domingos para trocar notícias e novidades do burgo minhoto, em reuniões mantidas com regularidade semanal com uma família de Braga.

Volvido a casa, viveu intensamente a atividade industrial da família. Quis inovar, andou à procura da modernidade e de parceiros que já tivessem um pé fixado nessa tão desejada modernidade. Em 1972, criou uma joint- venture com um grupo suíço, que trouxe uma mais-valia técnica extraordinária à Pachancho e projetou a empresa para uma crescente internacionalização.

Mas o mundo e as pessoas são compostas por mudança, diz a poesia e diz a química, pelo que Rui Rito lançou-se numa sucessão de projetos individuais, abandonando o familiar, ainda que com regressos pontuais na qualidade de cliente.

Dedicou-se à produção de moldes em alumínio, integrou projetos de restauro de antigos edifícios, alguns centenários do início da era industrial, caracterizados pela utilização do ferro. Em Madrid, colaborou na reabilitação da Estação da Atocha, com 150 anos. Como reconhecimento desse savoir faire e cumprimento escrupuloso de processos e prazos, foi convidado a executar inúmeras obras por toda a Espanha. Além da construção civil, dedicou-se ainda às novas tecnologias no âmbito do tratamento de água e desenhou e produziu objetos em inóx.

Assim se constrói uma carreira cheia: na perseguição da conhecimento, cultivando contactos e amizades, estudando e otimizando processos, correndo atrás da modernidade, acumulando pergaminhos e resultados.

Hoje, acompanha de perto os projetos dos filhos e netos, continua a fazer amigos, lê e faz teatro, ao fim e ao cabo, continua a dedicar-se à química, não a dos átomos, mas uma química especial e imaterial que lhe permitiu ser amigo de Sophia e visita-la assiduamente na sua casa na Granja, na última peça em que participou. Há os que vêem no horizonte uma linha e há os que dela fazem um ponto de partida.

Texto: Patrícia Ferreira
Fotografia: Cedida pelo próprio

Conversa informal: 20.04.2020 | Braga

Partiu o Mágico Karter Mendes, o artista generoso, solidário e eternamente sonhador.Deixou-nos um homem bom. Neste momen...
10/02/2026

Partiu o Mágico Karter Mendes, o artista generoso, solidário e eternamente sonhador.

Deixou-nos um homem bom.

Neste momento de grande tristeza, endereçamos à família, aos amigos e a toda a comunidade as mais sentidas condolências.

Karter Mendes
O Mágico Solidário



Todos conhecem o artista Karter Mendes, o mágico bracarense que celebrou em 2022 cinquenta anos de carreira.

Karter nasceu Manuel Sousa Louro Mendes, no dia 24 de abril de 1954, no antigo Hospital de São Marcos, em Braga, e viveu a sua infância no centro histórico: primeiro na Rua Dom Gualdim Pais, a escassos metros da Catedral, depois na Rua de São Bentinho, com a casa de família voltada para a maternidade e, mais tarde na Rua do Anjo, quando o pai, Manuel Mendes, abriu uma tasca onde agora é a loja do Cardoso da Saudade - “O Guimarães”.

Karter foi o terceiro filho de uma prole de sete, mas o único a interessar-se, ou melhor, a apaixonar-se, pela arte milenar que é o circo. Pois bem, quando o circo chegava à cidade, muros, postes e painéis da construção enchiam-se de cartazes gaiteiros, com os nomes extravagantes dos artistas e a icónica lona circular a anunciar os espetáculos. Que bonitos e sedutores eram eles que tanta água e curiosidade faziam crescer nos olhos de Karter!

As aulas aconteciam de manhã, pelo que as tardes estavam por conta da liberdade e assim Karter esgueirava-se depois do almoço para o Parque da Ponte onde o circo assentava ferros e roulottes, sempre por altura do Natal, durante duas semanas, as melhores das 52 que o ano tem.

Karter gostava de TUDO o que o circo tem, incluindo os preparativos, os ensaios, o erguer da lona, os leões e todos os momentos que antecedem os fatos de lantejoulas e as preciosas palavras: - "Respeitável Público".

Assim, foi nas roulottes, a espreitar aqui e ali, que Karter aprendeu as primeiras palavrinhas do dialeto da magia e foi na qualidade de aguadeiro, a levar água da fonte do parque para os artistas, que conquistou a sua benevolência e o direito a assistir aos espetáculos sem trazer dinheiro de casa.

Existiria espetáculo mais épico que o circo? Mais completo? Mais único e plural ao mesmo tempo? Para Karter, não. E se havia arte que lhe transformava a retina dos olhos era a magia!

Depois de 15 dias a ser Natal todos os dias, vinha o resto do ano passado a suspirar por dezembro. Karter não apreciava jogar à bola com os outros meninos da sua idade, gostava antes de ensaiar truques ao espelho para uma plateia de um menino só, voltado para o seu reflexo. Com os primeiros troquinhos que amealhou, comprou o livro “Arte Mágica” de Eduardo Relvas, exemplar que ainda hoje conserva. Comprou baralhos de cartas, cordões e cartolinas.

O primeiro espetáculo de ilusionismo aconteceu na catequese, na festa de Natal, a convite do padre, que sabia das suas habilidades, tinha ele 10 anos. Não levou capa de mágico aos ombros, mas uma capa de estudante emprestada; não colocou uma cartola de cetim na cabeça, fez ele próprio uma em cartolina e ‘abracadabra’ aconteceu com uma varinha feita de cartão mais duro. Correu tudo bem!

Entretanto, o ensino primário chegara ao fim e, não havendo orçamento familiar para sustentar os estudos, Karter foi trabalhar para a Grundig apenas com 12 anos, nas linhas de montagem, primeiro de rádios de mesa, depois de autorrádios. Regressaria anos depois à escola, em período pós-laboral, para concluir o 12.º ano na Escola Secundária D. Maria II.

Karter trabalhou sempre na mesma fábrica até se aposentar e fez muitos espetáculos de Natal da empresa no Theatro Circo, sempre equilibrando os dois mundos: à semana um, nas folgas e feriados o outro.

Karter integrava ainda uma empresa de organização de espetáculos do Porto. Foi através dela que abrilhantou romarias e festas de verão por todo o Minho. No Gerês chegou a atuar em cima de um carro de bois, nada demais para um profissional que consegue tirar periquitos de lugares incomuns, e partilhou palco e camarim com artistas sonantes: Amália Rodrigues, Herman José e Nicolau Breyner, só para nomear alguns.

Mas foi sempre o Natal que marcou o ritmo da sua já longa carreira, não fosse o Natal envolto em magia e cada número de magia feito de manhãs de Natal. Só no Hospital de São Marcos, Karter realizou cerca de 30 espetáculos natalícios, até à mudança de localização, onde deixou de ser possível o evento. À cadeia de Braga, leva magia há cerca de 15 Natais e também já atuou na de Viana do Castelo. Por entre dezembros, proporcionou milhares de espetáculos e galas, perto de 6000, na sua maioria com fins solidários, revertendo a totalidade da bilheteira várias vezes para instituições da cidade. Atuou na RTP1, num programa da Praça da Alegria em 2022 e na TVI, no “Você na TV”, há quatro anos, em ambos os momentos de colete prateado.

Para conseguir ser o mágico em que se tornou, Karter investiu em livros quando ainda não havia internet; estudou na ‘Academia de Ilusionismo do Porto’, que já não existe, durante um ano; fez formação em técnicas de palco; assiste regularmente a atuações de outros artistas, vai aos congressos anuais “MagicValongo” e “Encontros Mágicos de Coimbra”, participa em festivais de circo, continua a praticar em casa, frente ao espelho, e todos os anos compra e estuda números novos para atualizar o acervo. Em casa, em caixas escrupulosamente organizadas e catalogadas, possui mais de 2000 números, com os respetivos acessórios e protocolos. E da mesma maneira séria com que encara a sua arte, regista todos os espetáculos que já realizou, com a descrição rigorosa do que fez e guarda com carinho todas as fotografias e cartazes desde o primeiro. Magia é Natal, Magia é Amor.

Além de artista, Karter fundou duas associações culturais. Na extinta ‘Associação Cultural Organizadora de Festivais Amadores’, durante 35 anos, organizou festivais e concursos da canção e foi neste contexto que foi a Fiscal (Amares), em agosto de 1983, convidar António Variações para atuar como artista convidado num festival dirigido a vozes emergentes. Graças à sua iniciativa, Braga assistiu ao único concerto do cantor nesta cidade, em novembro do mesmo ano e uma multidão conseguiu o seu autógrafo na sessão de autógrafos realizada no Posto de Turismo e ao longo do trajeto entre este e o antigo Hotel Turismo, durante a cerca de hora e meia que demorou a percorrer. Desde 2016, Karter preside ainda à ‘Associação Cultural Fado com Arte’ através da qual organiza espetáculos e grandes noites de fado.

Foi também em 2016 que Karter recebeu a Medalha de Mérito da cidade de Braga e já havia sido distinguido com o ‘Galardão a Nossa Terra’ na categoria ‘Artes Tradicionais Populares’ em 2005.

Hoje e para a frente, Karter quer, tão somente, fazer magia.

Nem sempre os números correram de feição, cedo aprendeu que em cima do palco nunca se emenda, nunca se insiste, passa-se ao próximo e que, por vezes, um erro colossal, como atear fogo acidentalmente às cortinas do palco, colhe a maior ovação.

Karter gostava ainda que a sua vida passasse a um livro o que, provavelmente, acontecerá porque a ser verdade que colhemos o que semeamos, Karter, da vida, não receberá menos do que o sonho.


Texto: Patrícia Ferreira
Fotografia: Carlos Teixeira

[A partir de uma conversa informal, realizada no jardim do Hotel Vila Galé, outrora edifício do Hospital de São Marcos, em 24 de agosto de 2023].

30/12/2025
Boas Festas!Caros Amigos,A medida que as luzes de Natal aquecem as ruas da cidade bimilenar, nós, que com tanto carinho ...
24/12/2025

Boas Festas!
Caros Amigos,

A medida que as luzes de Natal aquecem as ruas da cidade bimilenar, nós, que com tanto carinho construímos e mantemos a página "Estórias da Cidade", fazemos aqui uma breve pausa para agradecer.

Este projeto não se faz apenas de fotografias de agora e de outros tempos, de factos e curiosidades, faz-se, acima de tudo, das pessoas que estão desse lado. O nosso muito obrigado a cada amigo visitante ou seguidor que, ao longo desse ano, comentou, partilhou e ajudou a manter viva a alma bracarense. São as vossas reações e as vossas próprias memórias partilhadas que transformam esta página numa verdadeira praça pública digital, cheia de vida e também de saudade e memória.

Que nesta quadra festiva, o conforto, a harmonia e a alegria vos abrace. Que o Natal seja passado com saúde, entre aquelesque mais estimam e amam.

Votos ainda de que o Ano Novo traga a todos novas conquistas e que continuemos juntos a descobrir, a celebrar e a acrescentar belos capítulos às Estórias da Cidade!

Um Santo Natal e um Próspero Ano Novo,

A Equipa das Estórias da Cidade.

̂ntica

Luzes de Natal Fotos: Carlos Teixeira
04/12/2025

Luzes de Natal

Fotos: Carlos Teixeira

"Serenata na sé" Foto: Carlos Teixeira
25/11/2025

"Serenata na sé"

Foto: Carlos Teixeira

Em dia de magusto Fotos: Carlos Teixeira
12/11/2025

Em dia de magusto

Fotos: Carlos Teixeira

No outono, a cidade de Braga transforma-se num verdadeiro quadro de cores vivas e acolhedoras. As ruas e os parques ganh...
11/11/2025

No outono, a cidade de Braga transforma-se num verdadeiro quadro de cores vivas e acolhedoras. As ruas e os parques ganham tons dourados, avermelhados e acastanhados, criando uma atmosfera mágica e tranquila. As árvores do Bom Jesus do Monte vestem-se de folhas cor de fogo, que dançam ao vento antes de repousar no chão. O ar torna-se mais fresco e perfumado, misturando o cheiro da terra molhada com o aroma das folhas secas. As tardes são suaves, iluminadas por uma luz dourada que realça a beleza das fachadas antigas e das igrejas históricas. Caminhar pelo centro histórico de Braga nesta estação é sentir o tempo abrandar. Os cafés enchem-se de pessoas que apreciam bebidas quentes e conversas demoradas. Nos montes à volta da cidade, a paisagem ganha profundidade e melancolia. É um convite à contemplação e ao sossego. O outono em Braga é uma estação de transição e encanto, onde cada cor conta uma história de mudança e renovação.
Texto: Roberto Fantinel
Foto (Rua Antônio Marinho/Praça das Fontainhas-São Vicente 2018) Roberto Fantinel

Ontem, assisti ao segundo concerto da edição de 2025 da Música de Câmara - Braga, na Basílica dos Congregados. O progr...
12/10/2025

Ontem, assisti ao segundo concerto da edição de 2025 da Música de Câmara - Braga, na Basílica dos Congregados.

O programa juntou o percussionista, solista, João Miguel Braga Simões e a Camerata de Cordas da Universidade do Minho, conduzida por Miguel Simões, numa viagem noturna de contrastes, exigente para os músicos, por variados motivos, inesquecível para o público.

O talento encontrou aqui uma morada para ficar.

Desenho: Patrícia Ferreira

Endereço

Braga

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