Mala d'estórias

Mala d'estórias Um projeto pedagógico de contação de histórias e mediação de leitura.
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Porque achamos importante partilhar.
25/06/2026

Porque achamos importante partilhar.

"Mas, para mim, foi ali que tudo começou: eles contaram-nos histórias. E os velhos, como tirando isso não têm mais nada ...
25/06/2026

"Mas, para mim, foi ali que tudo começou: eles contaram-nos histórias. E os velhos, como tirando isso não têm mais nada que fazer, contam o passado como ninguém. Não vale a pena procurar nos livros ou nos filmes: como ninguém.
Naquele dia, compreendi que, aos idosos, basta que os toquemos, lhes tomemos a mão, para que eles contem. Como quando se escava um buraco na areia seca à beira-mar e a água sobe sistematicamente debaixo dos dedos."

Valérie Perrin. In,"Os esquecidos de Domingo", Ed. Presença, p. 16. Ilustração de Rafael Lewin

"Perguntais-me como me tornei louco.Aconteceu assim:Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei ...
25/06/2026

"Perguntais-me como me tornei louco.

Aconteceu assim:

Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”

Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.

E quando cheguei à praça do mercado, um rapaz no cimo do telhado de uma casa gritou: “É um louco!” Olhei para cima, para vê-lo.

O sol beijou pela primeira vez a minha face nua.

Pela primeira vez, o sol beijava a minha face nua, e a minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais as minhas máscaras.

E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram as minhas máscaras!”

Assim tornei-me louco.

E encontrei tanta liberdade como segurança na minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós."

Khalil Gibran. In, O louco
Ilustração de Ronald Companoca

✨Sabia que hoje 24 de junho, é comemorado o Dia Internacional das Fadas? ✨A data surgiu como uma junção da proximidade c...
24/06/2026

✨Sabia que hoje 24 de junho, é comemorado o Dia Internacional das Fadas? ✨

A data surgiu como uma junção da proximidade com o Solstício de Verão (no Hemisfério Norte) e pela autora Jessica Galbreth (muito famosa nos anos 90/2000 pelas ilustrações de fadas).

Essa data mágica celebra a conexão esses seres elementais encantadores e brincalhões que, segundo antigas tradições de várias culturas, habitam florestas, jardins e até os cantinhos esquecidos das nossas casas.

✨🧚‍♀️A visão e crença sobre fadas mudou muito ao longo do tempo: Já foram vistas como deusas menores da natureza, espíritos do ar ou guardiãs de bosques e das nascentes. Seja na mitologia celta, no folclore europeu ou nas histórias infantis, as fadas sempre estiveram conectadas com a magia, a natureza e os mistérios.

Dizem as lendas que algumas podem ser doces e ajudam quem as respeita. Outras podem ser mais travessas, e adoram esconder objetos ou pregar partidas se sentirem que não estão sendo bem tratadas."

O segredo? Tratar as fadas como trataríamos uma visita muito especial."

“Os contos de fadas são escritos para que as crianças durmam, mas também para que os adultos despertem.”Hans Christian A...
24/06/2026

“Os contos de fadas são escritos para que as crianças durmam, mas também para que os adultos despertem.”

Hans Christian Andersen
Ilustração de Bettina Baldassari

Boa noite, boas leituras e sonhos de pó de fada!

Novas quadras de S. JoãoÓ meu rico S. João,não há noite como esta,a começar, o verãotraz consigo acesa festa.Lancei um l...
23/06/2026

Novas quadras de S. João

Ó meu rico S. João,
não há noite como esta,
a começar, o verão
traz consigo acesa festa.

Lancei um lindo balão
que encontrou no ar o teu,
no céu quase se tocaram –
senti teus dedos nos meus.

Desceste à baixa pra veres
os balões e a folia,
cacei-te sem dares conta
bailámos até ser dia.

Com um martelinho meigo
toquei teu cabelo lindo,
uns olhos brilharam na noite,
tive um sorriso de brinde.

Nunca nos tínhamos visto
mas toda a noite dançámos,
como a noite terminou
é segredo que guardamos.

Alho porro, erva cidreira,
martelinho e sardinhas,
meu S. João, o folguedo
terminou com farturinhas.

Ó meu rico S. João,
meu santinho milagreiro,
faz o milagre da paz
abarcando o mundo inteiro.

João Pedro Mésseder
Martisses ilustração - Marta Tex ilustradora

Diz a tradição...A alcachofra tem o poder de adivinhar a realização do casamento, devendo por isso ser queimada ou chamu...
23/06/2026

Diz a tradição...

A alcachofra tem o poder de adivinhar a realização do casamento, devendo por isso ser queimada ou chamuscada na véspera do dia 24, à meia-noite, na fogueira de São João.
- "Em louvor de São João, para ver se fulano me quer bem ou não" - e deixada ao relento, enterrada num vaso. O casamento está garantido se a planta reflorir no dia seguinte. A tradição das fogueiras de São João está relacionada com o ancestral culto do Sol, em que o fogo simboliza o poder purificador e fertilizante. O saltar da fogueira está estreitamente ligado à saúde, ao acasalamento e à fecundação.

Feliz Noite de S. JOÃO!

Carpe diem,Aproveita o dia,Não deixes que termine sem teres crescido um pouco.Sem teres sido feliz, sem teres alimentado...
23/06/2026

Carpe diem,

Aproveita o dia,
Não deixes que termine sem teres crescido um pouco.
Sem teres sido feliz, sem teres alimentado teus sonhos.
Não te deixes vencer pelo desalento.
Não permitas que alguém te negue o direito de expressar-te, que é quase um dever.
Não abandones tua ânsia de fazer de tua vida algo extraordinário.
Não deixes de crer que as palavras e as poesias sim podem mudar o mundo.
Porque passe o que passar, nossa essência continuará intacta.
Somos seres humanos cheios de paixão.
A vida é deserto e oásis.
Derruba-nos, magoa, mas ensina-nos, r converte-nos em protagonistas da nossa própria história.
Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua, tu podes trocar uma estrofe.
Não deixes nunca de sonhar, porque só nos sonhos o homem pode ser livre.
Não caias no pior dos erros: o silêncio.
A maioria vive num silêncio espantoso. Não te resignes, e nem fujas.
Valorize a beleza das coisas simples, pois pode-se fazer bela poesia sobre as pequenas coisas.
Não atraiçoes as tuas crenças.
Todos necessitamos de aceitação, mas não podemos remar contra nós mesmos.
Isso transforma a vida num inferno.
Desfruta o pânico que provoca ter a vida toda pela frente.
Procura vivê-la intensamente sem mediocridades.
Pensa que em ti está o futuro, e encara a tarefa com orgulho e sem medo.
Aprende com quem pode ensinar-te as experiências daqueles que nos precederam.
Não permitas que a vida se passe sem teres vivido.

WALT WHITMAN In: “Folhas de erva”.
(Carpe Diem – expressão extraída de uma das Odes de Horácio, Roma, 65 a.C.-8 a.C.)
Ilustração Pinterest

Onde está a felicidade? Ninguém sabe onde ela pára ou onde se pode encontrar. Há quem diga que não está em nenhum lugar ...
23/06/2026

Onde está a felicidade?
Ninguém sabe onde ela pára ou onde se pode encontrar. Há quem diga que não está em nenhum lugar e que simplesmente acontece. E, no entanto, em algum sítio há-de estar. Não lhes parece?
Às vezes está tão perto, tão à vista, que nos passa despercebida, e outras tão distante, tão escondida nesse tal lugar, que uma vida não chega para lá chegar.
Há os que pensam que só a encontramos se não a procurarmos. Nem pensarmos nisso. E os que estão convencidos de que é preciso procurá-la sem cessar.
Por isso, ouçam agora a história do Sr. Pascoal, que vivia desde menino numa aldeia pequenina, à beira-mar. Era um belo sítio para se morar, já se vê, e ele sentia-se bem, mas faltava-lhe qualquer coisa, não sabia o quê. E essa qualquer coisa, achava ele, era a felicidade.
Fez então as malas e saiu de casa à procura dela. Foi de aldeia em aldeia, de vila em vila, de cidade em cidade, e encontrou tudo o que procurava, tudo menos a felicidade.
- Isto é bonito - dizia ele para ninguém. - Mas ainda não é aqui que me sinto bem.
Decidiu então partir para mais longe. E foi assim que deu várias voltas ao mundo. E viu coisas de pasmar, a felicidade é que não.
Mesmo assim, continuou a procurá-la, viajando sem parar, sim, porque em algum sítio ela havia de estar.
E estaria? Já vamos saber.
O tempo, como sabem, passa a correr e, um dia, o Sr. Pascoal percebeu que estava a envelhecer. Tinha os cabelos brancos, as pernas fracas, os ossos doridos, a vista cansada. Andara muito nesse dia e parou em frente de uma velha casa abandonada.
Os vidros das janelas estavam partidos, a poeira invadia quartos e salas, o mato cobria o jardim.
Ele olhou aquilo e pensou assim:
- Nesta casa, desprezada e sem dono, vou construir a minha felicidade.
E consertou o telhado, pôs vidros nas janelas, pintou as paredes, cuidou do jardim.
- Agora sim - pensou ele por fim - Aqui está um bom sítio para se morar.
Sentou-se então num sofá da sala, em frente à lareira, a descansar.
- Que bem que eu me sinto - disse para si.
E percebeu então que aquela estranha sensação de bem-estar era esse não sei quê que ele tanto procurara: a felicidade estava ali.
- Finalmente encontrei-a - gritou o Sr.Pascoal, muito entusiasmado.
Estava tão contente que se pôs aos saltos e veio para a rua festejar, esquecido já da sua idade. Reparou então que estava na aldeia de onde partira há muitos anos e que aquela casa era a sua própria casa, a mesma que ele abandonara para procurar a felicidade.

Álvaro Magalhães. Onde está a felicidade. Ilustração João de Fazenda

ERA UMA VEZ UMA ÁRVOREEra uma vez uma árvore. Alta, elegante e discreta usava no cocuruto da copa mil ninhos. Era uma ár...
22/06/2026

ERA UMA VEZ UMA ÁRVORE

Era uma vez uma árvore. Alta, elegante e discreta usava no cocuruto da copa mil ninhos. Era uma árvore cheiinha de ninhos, pequenos e apertadinhos como casulos quentinhos, de fazer golas de lã.
Pendia de cada ninho um sonho de poesia a alertar, convidativa, quem vinha e a distrair quem desejava ir.
Por isso, certo dia, a árvore ficou com calor. É que em cada um dos mil ninhos, aconchegadinho a dormir havia um raio de sol… amarelo, tão amarelinho que parecia um girassol!
Que valente confusão se deu no reino da flora… Que árvore era aquela, afinal? Essa árvore de ninhos, mil ninhos precisamente, nem mais um nem um a menos, tinha aves encantadas? Eram sonhos a pender da beira de cada ninho, serpentinas de Natal, ovinhos de carnaval ou simplesmente meteorológica?
Ainda hoje ninguém sabe o que, no cocuruto da árvore que anda toda acalorada, se passa. Ele há coisas interessantes, mágicas e muito intrigantes que até as árvores guardam! Vamos a ver se qualquer dia nos surgirá uma árvore poeta, com novelos de céu verde, a soletrar impossíveis! "

Margarida Afonso Henriques
Ilustração Natalia Makarenko

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