22/05/2026
Lembram do erro da Nike no lançamento da camisa oficial da seleção brasileira? O tal “Vai Brasa!”? Tem erro de marca que não começa na campanha. Começa bem antes.
Começa quando a cultura das pessoas vira só referência estética. Quando a comunidade, os fãs, o público, a galera que consome e vive aquele universo, não é escutada na hora de construir a narrativa. Quando a marca quer chegar junto, mas foge da relação.
O “Vai Brasa” da Nike é um exemplo bem expressivo, quase pedagógico, de uma comunicação que falhou justamente porque atropelou a escuta ativa. Códigos culturais a gente vive, não decreta. O erro foi tentar inventar numa mesa de escritório o que só se aprende na troca verdadeira com as pessoas.
Sem escuta, o projeto até pode circular, ter um alcance absurdo, mas não cria conversa. E sem conversa, adeus presença. Na maioria das vezes, o problema não é falta de criatividade. É falta de relação. Estamos falando de branding relacional.
E, aqui na HOUSECULTURA, a gente acha um equívoco enorme tentar individualizar essa falha. Não dá pra culpar uma profissional pelo resultado de um processo que passa por várias camadas de aprovação institucional.
O problema não é de quem criou a peça, mas de uma estrutura que validou um código sem nenhum eco na realidade do seu público. O erro é de processo, não de uma pessoa. Muita marca não erra na execução, erra no ponto de partida.
Comunidade. Cultura. Conteúdo. Nessa ordem.