Regou‑se durante um ano e, eis que, nasce um grupo que formaliza a sua tendência de dançar e de teatrar no ano seguinte. Maya sentou‑se para ver dançar o teatro. Sossegou e foi até às terras de Xingu, voltando para marcar presença nos Descobertos. Num mar solto de palavras e de música, de dança e de fatiotas, juntámo‑nos com Pescadores, revisitando mestre Raul Brandão pela primeira vez. Dele bebem
os outras aventuras, ora marcadas pelo gozo do Doido, ora marcadas pela Morte. As histórias embalavam‑nos as noites, onde víamos Capuchinhos Vermelhos, tristes, alegres, ensandecidos e eróticos. Servimos de Amparo de Mãe ao Avejão que sobrevoava, algures, a Birra de um Morto, que teimava, como nós, em continuar vivo, por muitos e muitos anos. Criámos Vedetas, onde três duplas marcaram o encontro entre loiras e morenas, morenas e loiras. A História ensinou‑nos que a inquisição pode ser desmontada e montada em peça de arte, basta perguntar a Dias Gomes pelo Santo Inquérito, que começa nos Retalhos de Lisboa e termina com um Esperem que Eu Volte. E volta. Volta como um singular animal, o Pelicano, de "faca e alguidar" e de "fazer chorar as pedras". De repente, eis‑nos numa era de beber muito café, falando mal, a brincar, de gente a quem queremos bem. Falámos de Megas, Graças, Ferreiros, Capitães, Mouros e outros mais. Diónisos ficaria pouco satisfeito com um Banquete tão (ainda) pequeno. Frugal, sim (...) O poema vai construindo‑se com muito amor e carinho, doçura e frescura (para rimar), no palco maior que é a vida.(...) Há vinte e cinco anos que ajudamos a formar personalidades. Para quê falsas modéstias!""
Jorge Pité